Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Marcador da Fotobiografia



publicado por Luis Novaes Tito às 13:15
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O todo é maior que a soma das partes.
Max Wertheimer

 

Com a conclusão dos trabalhos da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais sela-se também este Blog que fica como repositório de informação sobre Manuel Alfredo Tito de Morais.

 

A informação nele contida é de utilização livre, pedindo-se unicamente a referência da fonte. (http://titomorais.blogs.sapo.pt)

 

Forte e fraternal abraço.
Luís Novaes Tito

 

 

 



publicado por Luis Novaes Tito às 13:08
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Audiência com o Presidente da República

 

Uma delegação da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais composta pela sua Presidente, Carolina Tito de Morais, pelo Coordenador Nacional, Luís Novaes Tito, e por José Neves foi recebida ontem, dia 28 de Julho, pelo Presidente da República a quem apresentou o relatório final das CCTM (publicado de seguida) e agradeceu a anuência de Cavaco Silva para ter presidido à Comissão de Honra das comemorações.

Tratou-se de um encontro de grande cordialidade onde se realçou, nas palavras do Presidente, "a importância de não deixar na História lapsos de tempo e de relevo para memória futura". Por parte da Comissão Executiva ficou a mensagem de que a homenagem nacional, promovida por iniciativa de um grupo de cidadãos, familiares e amigos de Tito de Morais, foi também um momento de evocação da ética e dos princípios que sempre deverão estar presentes no espírito de quem assume, em democracia, a condução política da Nação.

A CE foi acolhida no Palácio de Belém por António Araújo, Assessor para os Assuntos Políticos do PR, que igualmente acompanhou a audiência.



publicado por Luis Novaes Tito às 17:00
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No dia 28 de Julho de 2010 uma delegação da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais composta por Carolina Tito de Morais (Presidente da CE), Luís Novaes Tito (coordenador da CE) e José Neves foi recebida pelo Presidente da República, que também foi o Presidente da Comissão de Honra das CCTM, a quem agredeceu e apresentou o relatório final da concretização das Comemorações.



publicado por Luis Novaes Tito às 16:59
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Relatório do Coordenador da Comissão Executiva
das
Comemorações do Centenário de Tito de Morais

Aprovado por unanimidade e aclamação
2010.07.14

 

Preâmbulo
Com este relatório pretende-se fazer um resumo sucinto das actividades desenvolvidas por esta Comissão Executiva (CE) e deixar registo que encerre as suas actividades. Depois de aprovado na reunião da CE a realizar no dia 14 de Julho de 2010 deverá ser divulgado. Propõe-se que seja dado conhecimento deste relatório e do documento “Organização e Objectivos” da Comissão Executiva das CCTM ao Presidente da Comissão de Honra e aos principais intervenientes nas acções que foram implementadas.

Enquadramento
No segundo semestre de 2008, a filha mais velha de Manuel Alfredo Tito de Morais, Maria Carolina Tito de Morais Oliveira, começou a reunir familiares e amigos a quem transmitiu a ideia de promover, em 2010, uma homenagem nacional a seu pai por ocasião do centenário do seu nascimento e nessa altura constituir uma fundação ou associação que abarcasse não só a memória de Manuel Alfredo, mas também a de Tito Augusto de Morais, seu pai, e as de Maria Palmira e Augusto Tito de Morais, seus irmãos.

Lançada a ideia e constituído o grupo pró-comissão executiva, iniciaram-se diversos encontros em casa de Maria Carolina que, de forma informal, estabeleceram como objectivos gerais, entre outros, a criação de uma Comissão Executiva, de uma Comissão de Honra, de uma fundação ou associação Tito de Morais, de uma homenagem nacional na Assembleia da República, do descerramento de uma obra de arte pública no município de Lisboa que evocasse Manuel Tito de Morais e da construção e edição de uma fotobiografia.

A inexistência de fundos para realizar estas acções e a composição deste grupo ad-hoc integrado por cidadãos em regime de voluntariado, muitos só com disponibilidade pós-laboral, determinou que se constituísse uma Comissão Executiva coordenada centralmente mas composta de núcleos executivos com responsabilidade directa na consecução de cada um dos objectivos (Grupos de Trabalho) organizados e coordenados por um responsável e supervisionados por um coordenador-geral, que responderiam perante o plenário da Comissão Executiva. Para além destes GTs, todas as componentes de monitorização, de organização e de administração ficaram a cargo da CE composta pela presidente, pelo coordenador-geral, pela comissão de finanças e por todos os membros que constituíram os GTs.

Dado a ligação histórica do homenageado à fundação e organização da ASP e depois do Partido Socialista, estabeleceram-se contactos privilegiados com o Secretariado Nacional do PS com o intuito de fixar a sede da CE na Sede Nacional do Partido Socialista e fazer do PS o seu primeiro e mais importante parceiro.

A partir daí e conseguido o apoio logístico do Partido Socialista, desenvolveram-se os contactos fundamentais para promover o envolvimento de pessoas, organizações públicas e entidades privadas que garantissem a concretização do projecto. Obtido o assentimento genérico de Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República (AR), António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), de António Almeida Santos, Presidente do Partido Socialista (PS) e de Mário Soares, Presidente da Fundação Mário Soares (FMS) iniciou-se o planeamento e programação das acções. O escultor Jorge Melício, membro fundador da CE, apresentou a maqueta do seu projecto de arte pública que mais tarde veio a retirar por dificuldades de negociação com a CML. Perante isto a CE convidou o escultor Francisco Simões que, tendo de imediato aceite, acabou por concretizar a construção do busto de Tito de Morais.

Das diversas propostas de editores para a elaboração da fotobiografia, o Partido Socialista seleccionou a editora Guerra e Paz, tendo ficado acordado que adquiria 600 exemplares do livro, condição da editora para produzir a obra cujos conteúdos foram da responsabilidade integral da Comissão Executiva que entretanto já estava a trabalhar em pleno para concretização dos objectivos que tinha estabelecido.

Já no decurso do planeamento das acções pela Comissão Executiva foi decidido criar um Blog da Comissão Executiva para registo e divulgação das CCTM, com replicações para as redes sociais. Foi igualmente decidido solicitar à RTP a produção de um documentário sobre a vida de Tito de Morais e uma acção no Grande Oriente Lusitano.

Destaques no decurso dos trabalhos:
O falecimento de Raquel Reis (membro fundadora da CE)
A anuência do Senhor Presidente da República para presidir à Comissão de Honra e a anuência do Senhor Presidente da Assembleia da República, do Senhor Primeiro-Ministro e de todos os Presidentes dos Tribunais para integrarem a CH, facto que deu a estas CCTM a relevância de Comemorações Nacionais.

Contas
Ficam anexas a este relatório, as contas apresentadas pela Comissão de Finanças. A realização dos nossos trabalhos não obrigou à manipulação de qualquer monetário. As acções desenvolvidas foram directamente pagas pelas diversas entidades que promoveram os eventos a quem lhes prestou serviços. A impressão do catálogo-programa da autoria da CE constituiu um donativo sem quaisquer contrapartidas.

Material produzido:

Pela CE:
A fotobiografia de Manuel Tito de Morais;
O marcador do livro da fotobiografia;
O desdobrável-tríptico destinado às estruturas do Partido Socialista (com a colaboração gráfica da Fundação Junção do Bem e gráfica e tipográfica do Partido Socialista);
O catálogo-programa das CCTM (com a colaboração gráfica de Martins Lemos, Ldª e tipográfica de a Triunfadora);
O Blog da CE das CCTM (http://titomorais.blogs.sapo.pt) da autoria e administração e manutenção técnica do coordenador da CE das CCTM; 
O mural e eventos nas Redes Sociais (Facebook, Twitter e Plaxo); e
Os Estatutos da Associação Tito de Morais.

Pela AR:
A brochura biográfica de Tito de Morais;
Os convites para o descerramento da placa comemorativa da casa de Lisboa de Tito de Morais e para a sessão de Homenagem na Assembleia da República.

Pela CML:
O busto em bronze de autoria de Francisco Simões e a respectiva base em pedra;
Os convites para a sessão de abertura das CCTM no Palácio Galveias e para o descerramento do busto de Tito de Morais. 

Pelos CTT:
O postal-inteiro comemorativo do Centenário do Nascimento de Tito de Morais.

Pela FMS:
Os diversos painéis para a exposição fotográfica patente na sessão na FMS; 
Os convites para a sessão realizada na FMS.

Pelo GOL:
Os convites para a sessão realizada no Grande Oriente Lusitano.

Pela RTP:O documentário “Manuel Tito de Morais – Antes Quebrar que Torcer” produzido e realizado pela Panavídeo. 

Pelo PS
Edição Especial Comemorativa do Portugal Socialista (os convites aos autores dos depoimentos e a recolha, revisão e alinhamento dos textos foi da responsabilidade da CE);
Edição e publicação no Acção Socialista de diversos artigos sobre as actividades da CE, mobilização das estruturas do PS, divulgação do Voto de Homenagem a ser aprovado pelas diversas estruturas do PS, cobertura da Conferência de Imprensa e cobertura de diversos eventos no âmbito da semana de comemorações;
A placa evocativa de Tito de Morais, em liga metálica, afixada na entrada da Sede Nacional;
Os Roll Up usados em diversos eventos das CCTM;
A impressão do desdobrável-tríptico;
A impressão de cartões, papel timbrado e envelopes da CE;
Os convites para a sessão realizada na Sede Nacional.

Eventos produzidos:

• Lançamento da fotobiografia na Livraria Bertrand do Chiado. - Oradores: Teresa Loureiro, Guilherme d’Oliveira Martins e Nuno Tito de Morais Ramos de Almeida. - Assistência diversificada composta por muitos membros da Comissão de Honra e todos da Comissão Executiva, pelo Presidente do PS, personalidades ligadas à cultura, convidados e cidadãos em geral.
• Passagem do documentário "Antes quebrar que torcer" numa produção da Panavídeo para a RTP2 (e RTPi).
Sessão de abertura das CCTM no Palácio Galveias (cedência gratuita do edifício municipal pela CML). - Oradores: Catarina Vaz Pinto, Luís Novaes Tito, Pedro Coelho, Teresa Loureiro, Fernando Rosas e Teresa Tito de Morais Mendes. - Funcionou uma banca de venda da fotobiografia (da responsabilidade da editora). - Foi servido um porto de honra nos jardins do palácio. - Assistência diversificada com destaque para a Embaixadora da Argélia;
Descerramento da placa comemorativa na casa de Lisboa onde viveu Tito de Morais, uma acção conjunta da Assembleia da República e da Associação dos ex-deputados da Assembleia da República (AEDAR). - Oradores: Luís Barbosa, Manuel Tito de Morais Oliveira e Jaime Gama. -Descerramento com a Bandeira Nacional. - Assistência composta por deputados e ex-deputados da AR, Presidente do PS, elementos da CE e da CH, convidados e cidadãos em geral.
Emissão do postal-inteiro, uma acção conjunta dos Correios e Telecomunicações de Portugal (CTT) e da AR. - Oradores: Pedro Coelho e Carolina Tito de Morais. - Aposição por Jaime Gama, Pedro Coelho e Carolina Tito de Morais do carimbo comemorativo em diversos exemplares. - Assistência composta por deputados e ex-deputados da AR, representantes dos Grupos Parlamentares, Ministro dos Assuntos Parlamentares, representantes do Poder Judicial, representantes das Centrais Sindicais, das Confederações Patronais e das diversas Ordens profissionais, elementos da CE e da CH das CCTM, convidados e cidadãos em geral.
Sessão de homenagem nacional da Assembleia da República. - Oradores: Luís Barbosa (AEDAR), Domingos Abrantes (PCP), Fernando Rosas (BE), Narana Coissoró (CDS), Mota Amaral (PSD), Maria de Belém Roseira (PS), Carolina Tito de Morais (CE) e Jaime Gama (PAR). - A sessão decorreu na biblioteca da AR. - Esteve patente uma pequena exposição/mostra de documentação e imagem produzida no período em que Tito de Morais foi Presidente da AR. - Foi distribuída a brochura biográfica produzida pelos Serviços da Assembleia da República. - Foi servido um “porto de honra”. - Assistência composta por deputados e ex-deputados da AR, representantes dos Grupos Parlamentares, Ministro dos Assuntos Parlamentares, representantes do Poder Judicial, representantes das Centrais Sindicais e do Sindicato dos Jornalistas, das Confederações Patronais e de diversas Ordens Profissionais, elementos da CE e da CH das CCTM, convidados e cidadãos em geral.
Descerramento do busto de Tito de Morais pela Câmara Municipal de Lisboa. - O busto em bronze assente em base de pedra ficou implementado no jardim público na confluência da Rua das Amoreiras com a Dom João V, ao Largo do Rato. - Foi descerrado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa e pelos filhos de Tito de Morais. - Foi tocado o Hino Maria da Fonte. - Oradores: Francisco Simões (escultor), Manuel Tito de Morais, Manuel Alegre e António Costa. - Assistência composta por muitos vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, pelo Presidente e membros do Secretariado Nacional do PS, deputados da AR, elementos da CE e da CH das CCTM, convidados e cidadãos em geral, entre eles muitos munícipes de Lisboa.
Sessão de Homenagem no Grande Oriente Lusitano. - Oradores: Luís Medeiros Ferreira, José Paulo da Silva Graça, Amândio Silva, Manuel Tito de Morais Oliveira e António Reis. - Sessão Branca. - Visita ao Museu Maçónico. - Assistência composta por elementos da CE, por familiares de Tito de Morais e por convidados do GOL.
Escritura da Associação Tito de Morais. - Apresentação e escritura dos Estatutos da Associação o Acto notarial. - Assistência composta por elementos da CE, por familiares de Tito de Morais e pelos fundadores da Associação.
Sessão histórica na Fundação Mário Soares. - Oradores: Mário Soares, Medeiros Ferreira, Pezarat Correia e Isabel Tito de Morais Correia Pires. - A sessão decorreu no auditório da FMS. - Esteve patente uma pequena exposição fotográfica e documental promovida pela Fundação. - Foi servido um "porto de honra". -  Assistência diversificada composta por deputados, elementos da CE e da CH das CCTM, convidados da FMS e cidadãos em geral.
Homenagem da Comissão Executiva e do Partido Socialista. - Deposição de flores junto ao busto de Tito de Morais.
Sessão de encerramento das CCTM no Palácio Praia – Sede Nacional do Partido Socialista. - Descerramento de uma placa comemorativa na entrada da Sede Nacional do PS. - Descerramento com a Bandeira do Partido Socialista. - Tocou o Hino Oficial do Partido Socialista. - Sessão evocativa nos jardins do palácio. - Oradores: José Sócrates, José Neves, Carolina Tito de Morais e António de Almeida Santos. - Lançamento e distribuição do número especial do Portugal Socialista. - Tocou e cantou-se o Hino Nacional. - Funcionou uma banca de venda da fotobiografia (da responsabilidade da editora). - Foi servido um “porto de honra” nos jardins do palácio. - Assistência composta essencialmente pela direcção do Partido Socialista, fundadores do PS, elementos da CE e da CH das CCTM, membros dos órgãos distritais e concelhios e por militantes do PS.

 

Acervo entregue à Associação Tito de Morais:
- Dois exemplares da Fotobiografia da autoria da Comissão Executiva das CCTM editada pela Guerra e Paz. - Diversos exemplares do marcador de Livros da fotobiografia. - Um exemplar da brochura biográfica produzida pela Assembleia da República. - Diversos exemplares do catálogo-programa da autoria da CE das CCTM. - Diversos exemplares do desdobrável-tríptico da autoria da CE das CCTM. - Dois exemplares da edição especial comemorativa do Portugal Socialista.  Dois exemplares do postal-inteiro com carimbo do dia dos CTT/Assembleia da República. - Um poster do roll-up das CCTM. - Listagem final da Comissão de Honra. - Correspondência recebida e produzida no decurso dos trabalhos das CCTM. - O presente relatório. - O relatório de contas da CE. -Documento "Organização e Objectivos" da CE das CCTM. - Texto base da fotobiografia. - Cartas convite para a Comissão de Honra, Listagem de membros e colectânea de respostas. - Carta convite para depoimentos no Portugal Socialista, Listagem de convidados e colectânea de textos recebidos. - Carta convite e Voto de Homenagem enviados a todas as estruturas do PS, listagem e colectânea de respostas. - Listagem dos convidados da Comissão Executiva.

 

Recomendações à Associação Tito de Morais:
A ATM deverá recolher e compilar todos os registos efectuados no decurso das CCTM, em todos os suportes, como por exemplo, o documentário "Antes quebrar do que torcer", os filmes promocionais produzidos, os registos multimédia e fotográficos da AR, CML, PS, FMS, depoimentos e discursos dos diversos interventores e todo o registo feito no Blog da Comissão Executiva. Deverá ainda solicitar ao Partido Socialista uma colecção do Acção Socialista composta pelas edições deste jornal no período entre 2008 e o final de 2010.

 

São referências deste relatório:
- As Actas da Comissão Executiva, que tiveram como relatora até ao seu falecimento Raquel Reis, e posteriormente Luísa Tito de Morais e, nas suas faltas, Teresa Tito de Morais Mendes. - O documento “Organização e Objectivos” da CE das CCTM. - O catálogo-programa das comemorações. - O texto da carta-convite para a Comissão de Honra. - O texto da carta-convite para depoimentos no Portugal Socialista. - A carta convite para aprovação do Voto de Homenagem.

 

Nota final

Só com o civismo e o esforço desinteressado desta Comissão Executiva foi possível realizar um tão grande e importante número de acções. Só com o envolvimento das entidades e personalidades que anuíram à Comissão de Honra com destaque para o Senhor Presidente da República, Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva, que a presidiu, se permitiu dar impacto nacional às CCTM. Só com a participação activa do Presidente do PS, Dr. António de Almeida Santos, tanto nos trabalhos da CE como nos actos por ela promovidos, foi possível levar as acções do PS a bom-porto. Só com a boa-vontade e colaboração dos diversos promotores intervenientes foi conseguido o sucesso da homenagem que nos propusemos fazer a Manuel Alfredo Tito de Morais. Só com o envolvimento dos nossos convidados, convidados dos promotores e cidadãos em geral, foram atingidos os objectivos planeados.

É a própria Nação que está de parabéns por ter conseguido concretizar a justa homenagem que Tito de Morais merecia e através dela se ter passado a mensagem sobre o exemplo que deixa às gerações vindouras.

Apesar do silêncio, com raras excepções, da Comunicação Social, que diminuiu o impacto do nosso apelo à ética e aos princípios que através das CCTM queríamos fazer chegar ao País, temos razões para estar orgulhosos com a realização de todos os nossos principais objectivos. Roçámos a excelência.

Deixo a todos uma saudação fraterna e agradecida por me terem dado a honra de coordenar todo o esforço desenvolvido.

Lisboa, 14 de Julho de 2010
Luís Novaes Tito
Coordenador da CE das CCTM



publicado por Luis Novaes Tito às 16:58
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Comemorativo CCTM

«Apesar de ele dizer que "não fui eu que fiz o Portugal Socialista", é na realidade a Tito de Morais que se deve "uma das principais armas de que nos servimos na luta contra o fascismo". E acrescenta: "É lícito, penso, perguntar se, sem o Portugal Socialista, o PS seria o que foi em 1 de Maio de 1974". É lícito e indubitável, a influência que o jornal exerceu como testemunho da existência da Acção Socialista Portuguesa e, a partir de 1973, do Partido Socialista.»
Marcelo Curto
Extracto do depoimento publicado neste Blog

O número especial comemorativo do Portugal Socialista dedicado a Manuel Tito de Morais que hoje se termina de publicar na Internet é a maior homenagem que o Partido Socialista lhe podia dedicar.

Tito de Morais criou esta arma em Itália para a fazer disparar em Portugal e nos núcleos da ASP no exterior, como primeira chanfalhada ao regime ditatorial português.

Com editorial do seu director, José Augusto de Carvalho, este número conta com artigos da autoria de:

António de Almeida Santos, José Sócrates, Mário Soares, J. Ferraz de Abreu, António Guterres, Eduardo Ferro Rodrigues, Amândio Silva, Ana Gomes, António Arnaut, António Coimbra Martins, António Costa, António José Seguro, António Reis, Antunes Ferreira, Duarte Cordeiro, Edmundo Pedro, Germano Lima, José Neves, Luís Novaes Tito, Manuel Alegre, Manuel van Hoof Ribeiro, Maria Carolina Tito de Morais, Maria do Carmo Romão, Maria Helena Carvalho dos Santos, Maria de Jesus Barroso, Maria José Gama, Maria Manuela Augusto, Pedro Coelho, Pedro Pezarat Correia, Vasco Lourenço e Vítor Crespo.



publicado por CCTM às 09:01
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de MoraisÍndice da Edição Especial do Portugal Socialista 2010.07.02

Editorial
Legado, inspiração e estímulo
José Augusto de Carvalho

Sempre em defesa dos valores republicanos e socialistas
António de Almeida Santos

Exemplo de empenho cívico
José Sócrates

Testemunho
Mário Soares

Guardião dos valores do socialismo democrático
J. Ferraz de Abreu

Representou a alma do partido
António Guterres

Um socialista sem medo
Eduardo Ferro Rodrigues

Manuel Tito de Morais, o socialista
Amândio Silva

Combatividade inquebrantável e fidelidade à ética republicana
Ana Gomes

Reabilitar o projecto socialista
António Arnaut

Lembrar e seguir
António Coimbra Martins

Um inesquecível camarada
António Costa

Firmeza das convicções e coerência na acção
António José Seguro

A força das convicções no ideário socialista
António Reis

Militante da amizade
Antunes Ferreira

Figura cimeira da luta pela liberdade
Duarte Cordeiro

Um socialista de fortes convicções
Edmundo Pedro

Um homem de princípios
Germano Lima

Artífice da edificação do Partido Socialista
José Neves

Esta viagem a Tito de Morais é uma passagem geracional de testemunho
Luís Novaes Tito

Um socialista praticante
Manuel Alegre

Um ídolo da minha juventude
Manuel van Hoof Ribeiro

A coragem de um combatente e a fraternidade de um homem
Maria Carolina Tito de Morais

Um ícone da democracia
Maria do Carmo Romão

Porque sem ideias não há convicções e sem ambas não teria havido revolução
Maria Helena Carvalho dos Santos

Tem um lugar na História do país
Maria de Jesus Barroso

Homenagear Tito de Morais é homenagear Abril e a Liberdade
Maria José Gama

Uma referência do Partido Socialista
Maria Manuela Augusto

Memória de um amigo
Pedro Coelho

Manuel Tito de Morais e o 25 de Abril
Pedro Pezarat Correia

Grande lutador pelos valores da justiça social
Vasco Lourenço

Um patriota de excepcional coragem
Vítor Crespo



publicado por CCTM às 09:00
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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de MoraisLogo que os recebi da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais, li detidamente, do primeiro ao último, os textos que dão corpo e alma à presente edição especial do “Portugal Socialista”.

De seguida, reli os depoimentos – igualmente em homenagem a Tito de Morais – também aqui dados à estampa em Outubro de 1996.

Completei a minha incursão percorrendo um livro já de folhas amarelecidas que reproduz a colecção de todos os números do “Portugal Socialista”, publicados na clandestinidade.

Tratou-se de um triplo itinerário – que vivamente recomendo aos mais jovens – de reencontro com a história, a memória, o património e os tesouros do nosso Partido Socialista. Tesouros de dedicação, tenacidade, sacrifício e entrega. E, simultaneamente, de coerência, fidelidade, fraternidade e humanismo.

São homens e mulheres cuja grandeza faz jus a que figurem na história do Partido Socialista e na História maior de Portugal. Portugueses que tudo na vida sacrificaram para que pudessem legar aos seus filhos uma terra de liberdade, democracia e justiça social.

Sem um esbirro em cada esquina, uma censura em cada voz e o risco de destruição em cada vida. Pela dignidade como estrutura essencial do homem e contra as injustiças gritantes ou sem voz.

Entre os combatentes heróicos por uma Pátria nova, indubitavelmente, avulta Manuel Tito de Morais. Cidadão tenaz, impoluto, nobre de sentimentos, para quem o homem não foi feito para vegetar na mediocridade. Não foi feito para a adaptação e a resignação. Daí que as actuais comemorações do seu centenário constituam uma justa homenagem e um oportuno estímulo.

Pela lição de vida de Tito de Morais, são comemorações que se colocam nos antípodas das que mumificam os vivos, estimulando-nos a reflectir em ordem a melhor responder às inquietações e perplexidades que nos assaltam.

Até porque, como Coimbra Martins lapidarmente deixa escrito adiante, “comemorar é partir de novo”.

O Partido Socialista é obra generosa e patriótica, decisivamente, do gesto precursor de Abril de 1964 de Mário Soares, Ramos da Costa e Tito de Morais e dos que em Abril de 1973 – Abril premonitório! – se reuniram em Bad Munstereiffel.

O Partido Socialista é um corpo social, uma comunidade de mulheres e homens livres com valores comuns que o vocacionam para se assumir como a figuração da alma portuguesa.

Inspirados em Tito de Morais e noutros obreiros de referência do Partido Socialista, saibamos remar contra a corrente para chegarmos à nascente que ambicionamos e nos identifica.

“São ideias que mudam o mundo e não o mundo que muda as ideias” como, no seu testemunho, aqui nos recorda António Arnaut.

A natureza cria as nozes mas não as parte. Tito de Morais e outros socialistas seus contemporâneos fizeram o que generosa e patrioticamente lhes cabia.

Façamos nós, neste tempo, o que nos cabe.

Com determinação e optimismo, enquanto força vital e vontade de futuro.

José Augusto Carvalho

Director do Portugal Socialista



publicado por CCTM às 18:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais O Eng.º Tito de Morais foi uma das minhas referências políticas. É-o ainda a sua memória.

Conheci-o em Madrid, juntamente com Mário Soares, onde para os encontrar me desloquei, em pleno salazarismo. Mário Soares estava exilado em Paris, e Tito de Morais exilado em Itália. Eu advogava em Lourenço Marques, capital de Moçambique, e vinha com frequência a Lisboa, por motivos profissionais. Encontrava-me com o meu velho amigo Salgado Zenha, com Raul Rego, o Gustavo Soromenho, e os outros revolucionários do costume, que tinha conhecido por intermédio de Soares e Zenha.

O tema do encontro de Madrid foi, como sempre, o problema do Ultramar e o derrube do ditador.

Tito de Morais causou em mim uma forte impressão. O futuro viria a confirmá-la. Ele viria a editar e difundir o “Portugal Socialista” e, mais tarde, esteve entre os fundadores do Partido Socialista.

Reencontrámo-nos na exaltação dos cravos, quando ele e Mário Soares regressaram, livres, a Portugal. Eu estava em Lisboa quando a liberdade eclodiu, vivi a exaltação de ser livre, pela primeira vez, quarenta e oito anos depois de ter nascido e, pouco depois, regressei definitivamente a Portugal para integrar o primeiro governo provisório.

É inimaginável a alegria com que, na cerimónia da posse, pude encontrar a meu lado os meus velhos companheiros de luta Mário Soares, Salgado Zenha e Raul Rego. Além do meu amigo Prof. Adelino da Palma Carlos, como Primeiro-Ministro.

Como entrei para o Governo na qualidade de independente, o PS pôde contar sempre com um voto a mais nas reuniões dos sucessivos governos provisórios – nada menos de cinco – em que participei antes do primeiro governo constitucional. Neste e nos demais de que fiz parte, já votei como militante do P.S.

E foi nos encontros partidários e pessoais, não só como camarada, mas crescentemente amigo, que melhor conheci e crescentemente admirei o Manuel Tito de Morais. Foi para mim, sobretudo, um exemplo de dignidade pessoal. Como lutador político, e sobretudo como agente, foi sempre um corajoso exemplo de aprumo pessoal, rigor funcional, e exigência ética.

Nas reuniões do partido, esteve sempre do lado do respeito pelos princípios e os valores republicanos, democráticos e socialistas. Debalde se lhe oporiam exigências do pragmatismo e da realidade. Foi sempre, nesse sentido, um fervoroso cultor do pensamento utópico. Nunca cultivou a ambição de cargos ou se bateu por eles. Bem ao contrário, rejeitou alguns. No partido foi tudo o que quis ser. Pertenceu sempre aos mais altos órgãos. Fora dele, abriu apenas duas excepções: aceitou ser Secretário de Estado e Presidente da Assembleia da República.

Diferente terá sido a satisfação que um e outro desses cargos lhe proporcionaram. Tito de Morais não era um executivo. Se tivesse querido sê-lo, não lhe teriam faltado oportunidades. Na administração pública e fora dela. Mas não quis.

E não quis, entre outras razões, porque nunca o seduziram as altas honrarias e remunerações, ou mesmo a riqueza em si. Viveu modestamente até ao fim.

Onde terá bebido essa sua tão sedutora personalidade? Decerto nos princípios de ética política a que sempre foi fiel. Mas também nos genes e nos exemplos que herdou de seu pai, um ilustre oficial da Marinha que foi uma figura destacada da revolução republicana de cinco de Outubro de 1910. Bateu-se a partir de barcos surtos no Tejo, e é sabido que, o que mais cedo fez fugir o jovem rei D. Manuel, que não tinha nascido para actos de coragem, foi a bombarda com que um desses barcos logrou atingir o quarto de dormir do rei no Palácio das Necessidades. Em razão disso tomado de pânico, partiu para Mafra, daí para Ericeira, e daí para o exílio, no iate real que tinha estado na origem de um dos escandalosos adiantamentos não pagos à Casa Real, que tanto deterioraram a imagem do rei D. Carlos. Tito de Morais terá herdado de seu pai a mística de aprumo cívico e ético que foi a dominante de toda a sua vida.

Passa este ano o centenário de Manuel Tito de Morais. O País e a República têm para com ele umas dívidas de exemplar cidadania. E se saldássemos essa dívida?

Como seu camarada e amigo; como venerador da sua memória e do seu exemplo, eu veria isso com inultrapassável satisfação. Sei que a Câmara Municipal cogita num busto. Sei que a Assembleia da República programa também uma homenagem. Esses actos são justos. Mas não serão pouco?

António de Almeida Santos
Presidente do Partido Socialista



publicado por CCTM às 13:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais No centenário do seu nascimento, neste ano também centenário para a República, é tempo de reencontro evocativo com um republicano e socialista de têmpera como era Manuel Tito de Morais. E, por isso, quero deixar o meu testemunho sobre aquele que foi um dos principais obreiros do Partido Socialista. Um homem cujo empenho na causa socialista remonta a esses longínquos tempos em que ele, Mário Soares e Francisco Ramos da Costa fundaram a Acção Socialista Portuguesa, esse precioso embrião de um dos mais importantes pilares da nossa democracia, o Partido Socialista.

Conheci-o como homem de fortes convicções, determinado, lutador e corajoso, que viu a sua vida, nesses tempos difíceis da ditadura, transformar-se num permanente roteiro de exilado em luta pela liberdade do seu País. A ele devemos muito do que representa o nosso PS, porque ele sempre esteve lá, onde se decidiam os difíceis caminhos da liberdade e da democracia. Caminhos que, primeiro, a ASP e, depois, o PS sempre ousaram trilhar com a nobreza de alma dos seus fundadores.

Fundador e Presidente do PS, Presidente da Assembleia da República, deputado, constituinte e militante apaixonado da causa pública, Manuel Tito de Morais deixou-nos um testemunho exemplar de empenho cívico, de coerência moral, de espírito lutador e companheirismo solidário.

É por isso que, no Centenário do seu nascimento, o evoco com grande emoção e gratidão, em nome do PS e de todos aqueles que amam a liberdade e a democracia. E é uma coincidência gratificante que o possamos lembrar precisamente neste ano de evocação da também centenária República, dos seus ideais e dos seus valores de cidadania.

Valores que, afinal, também sempre foram os seus.

José Sócrates
Secretário-geral do Partido Socialista



publicado por CCTM às 09:00
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Conheci o engenheiro Manuel Tito de Morais, no Movimento de Unidade Democrática (MUD), em 1945, no imediato fim da II Grande Guerra, na Europa. Filho de um dos chamados "almirantes da República", do mesmo nome – como Afonso Cerqueira, Cabeçadas e Sousa Dias – revolucionários do 5 de Outubro e amigo do meu Pai, só tinha razões para simpatizar com ele e nos tornarmos camaradas, apesar da diferença de idades que havia entre nós.

Acresce que Manuel Alfredo Tito de Morais se revelou um activista anti-fascista sempre pronto a participar nas acções mais audaciosas, contra a ditadura, legais e para-legais, como então dizíamos. Era um tempo de euforia, dada a vitória das Democracias, na II Grande Guerra, e da União Soviética bem como da criação da ONU. Todos pensávamos, com lógica, que os pequenos e cruéis ditadores peninsulares – Salazar e Franco – não se aguentariam no poder, contra a corrente. Mas os interesses e os complexos caminhos da política, às vezes, desmentem a lógica das coisas. Foi o caso, sobretudo após se instalar a "guerra-fria", que dividiu o mundo em dois...

Essa aprendizagem difícil, fizemo-la os dois, conjuntamente, com os nossos amigos e camaradas, Manuel Mendes, Gustavo Soromenho, Maria Isabel Aboim Inglês, Luciano Serrão de Moura, Lobo Vilela, Teófilo Carvalho dos Santos, Ramos da Costa e alguns outros, tendo como referências principais duas figuras de excepção: Mário de Azevedo Gomes e Bento de Jesus Caraça, ambos Professores universitários e os dois compulsivamente demitidos por Salazar.

Manuel Alfredo Tito de Morais e eu próprio fizemos parte da Comissão Central do MUD (na segunda fase). Por isso, fomos processados e tivemos que depositar uma caução de cem contos, cada, uma soma considerável para a época, para ficarmos em liberdade. Mais tarde, fomos presos, tendo passado cerca de dois meses na mesma cela do Aljube, onde estavam também, Azevedo Gomes, Manuel Mendes, Mayer Garção e outros. Inclusivamente o meu Pai e o velho revolucionário Maldonado de Freitas, das Caldas da Rainha, mas esses por terem participado numa tentativa de um putsch militar frustrada...

Em 1949 participámos ambos na Campanha presidencial do general Norton de Matos – que foi uma farsa salazarista da chamada, por Salazar, "liberdade suficiente" – e, em consequência disso, voltámos a ser presos. Manuel Tito de Morais, por razões pessoais, resolveu ir para Angola. Por isso, participou, efemeramente na Campanha do general Humberto Delgado, em Angola, e eu em Lisboa. Os resultados são conhecidos: o roubo eleitoral da Ditadura foi evidente e o general, depois de ter estado exilado no Brasil e na Argélia, resolveu participar numa tentativa revolucionária em Portugal, que foi uma armadilha, onde foi assassinado pela PIDE, à ordem de Salazar.

Entretanto, anos antes, em 1961, deram-se os primeiros ataques nacionalistas em Angola. Na leva das prisões feitas pela ditadura foi incluído Tito de Morais, juntamente com os angolanos, apenas por ser reconhecido como oposicionista e anti-colonialista. Prevenidos pela sua segunda Mulher, Maria Emília, escrevemos uma carta de protesto ao ministro das Colónias Adriano Moreira, que o fez regressar a Lisboa e o libertou. Tito, esteve pouco tempo em Lisboa. Resolveu exilar-se, voluntariamente, para a Argélia e, depois, para Itália.

Durante este longo período, em que estivemos tão distantes, mantivemos sempre o contacto, embora espaçado. Em 1964 num encontro que tivemos em Genève, no modesto Hotel Moderno, Ramos da Costa, Tito de Morais e eu, devidamente mandatados pelos nossos camaradas e amigos, fundámos a Acção Socialista Portuguesa (ASP) com a intenção, que veio a concretizar-se, de fundar um verdadeiro Partido Socialista. Porquê? Porque, dado o ambiente internacional da "guerra fria", que então atravessávamos, tínhamos a percepção de que se não nos autonomizássemos do PCP – que era então o único partido organizado, na clandestinidade – nunca conseguiríamos credibilizar-nos, junto da corrente socialista extremamente influente na Europa Ocidental.

Durante esse período da ASP, de 1964 a 1973, que foi uma fase de grande expansão, Tito vivia em Roma, onde lançou o jornal Portugal Socialista, com a ajuda do PS italiano, o Ramos da Costa em Paris e eu, em Lisboa, com os percalços habituais: prisões, deportação em São Tomé e finalmente exílio forçado, em Paris.

Em 1973 convertemos a ASP em Partido Socialista num Congresso realizado em Bad Münstereifel, Alemanha, em que participaram camaradas vindos de várias cidades do interior (Portugal) e camaradas exilados políticos em diferentes países europeus. Foi um período politicamente trabalhoso, em que multiplicámos os contactos internacionais, com os Partidos da Internacional Socialista – na qual fomos admitidos nesse mesmo ano – e não só, em vários Continentes, com a visão sempre presente de que o regime estava no fim. Não nos enganámos.

Em 24 de Abril de 1974, encontrávamo-nos os três – Ramos da Costa, Tito e eu – em Bona, a convite de Willy Brandt. Tentávamos convencer os camaradas do SPD, de que a revolução em Portugal estava para breve. Em vão. Estavam no Governo, tinham o poder – julgavam ter as melhores informações – e diziam-nos que a Ditadura de Caetano estava de pedra e cal. Para durar...

No dia seguinte de manhã, bem cedo, fomos acordados pelos camaradas alemães a informar-nos que, afinal, alguma coisa se estava a passar em Lisboa. Voámos para a sede do SPD e conseguimos falar telefonicamente com o Raul Rego, director do República. Disse-nos que de facto havia tropas revoltadas na rua, mas não se sabia quem as comandava e se eram da Direita (Kaúlza) ou da Esquerda (Spínola). Aconselhou-nos, sobretudo, que não regressássemos a Lisboa, para não sermos presos na fronteira.

Decidimos ir imediatamente, numa primeira etapa para Paris. E voltar daí a comunicar com Lisboa. Tito estava proibido de entrar em França. Teve que ir via Bruxelas e, depois, de automóvel, clandestinamente, para Paris. E, no dia seguinte, porque o aeroporto estava fechado, viemos de comboio para Lisboa.

25 de Abril foi a festa da liberdade, a revolução dos capitães, dos cravos e de sucesso, porque pacífica, sem efusão de sangue e que cumpriu todos os seus objectivos: descolonizar, democratizar e desenvolver, por esta ordem. O regime caiu de podre, sem resistência e deixou-nos o caos.

Daí para diante, a história é conhecida. Teve altos e baixos, momentos de grande exaltação e outros de enorme perigo ou de grandes dificuldades. Tito e eu estivemos praticamente sempre do mesmo lado da barricada. Tito foi o primeiro responsável da organização do PS. Uma posição chave, crucial. Só no primeiro mês tivemos cem mil novos aderentes-militantes. Foi deputado em todas as Legislaturas, Secretário de Estado da População e Emprego no I Governo PS, e Presidente da Assembleia da República. Pertenceu sempre ao núcleo duro do Partido. E até à sua morte, mantivemos sempre uma amizade sem mácula, impenetrável às intrigas e às controvérsias vivas que surgem num Partido democrático e pluralista, como o PS.

Manuel Alfredo Tito de Morais foi um homem bom, de carácter, valente, coerente com as suas ideias e sempre fiel às suas convicções e amizades. Foi um resistente intemerato contra a Ditadura. Em suma um cidadão exemplar.

Mário Soares



publicado por CCTM às 18:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais A personalidade e o nome de Tito de Morais aparecerão sempre no topo das primeiras páginas duma História do Partido Socialista e da História da luta contra a ditadura salazarista, do seu derrube e do renascimento da Democracia em Portugal. Ele fez parte, e com grande relevo, da plêiade de gigantes que tudo sacrificaram nessa luta: Vida familiar, carreiras profissionais e a sua própria liberdade.

Preso, perseguido, exilado, Tito de Morais nunca quebrou. Pelo contrário, esta duradoura perseguição reforçaria o seu carácter e a sua persistência na luta pela vitória dos seus ideais, vitória que viria a surgir com o 25 de Abril.

Mas a sua luta não parou aqui, era necessário assegurar que a Revolução não se desviaria duma desejada Democracia Progressista. E Tito de Morais em todas as intervenções públicas ou no interior do Partido jamais deixou de defender com vigor, intransigência e frontalidade, as suas profundas convicções.

A este propósito, recordo encontros – almoços informais de um grupo de camaradas e amigos em que participei, ao lado de Magalhães Godinho, Raul Rego, Cal Brandão, Almeida Santos, Pinto e Melo, Gustavo Soromenho, onde naturalmente as conversas não deixavam de fora a vida política nacional e partidária. Aí ouvimos e não poucas vezes, Tito de Morais comentar com severidade o que considerava erros ou desvios programáticos e doutrinários cometidos por algum dos Órgãos do Partido.

Homem de uma só fé, atento e pronto a defender os princípios por que sempre se bateu. Assim era Tito de Morais, que eu nunca deixei de admirar pela sua coragem, pela sua coerência e pela sua frontalidade.

Ele era um verdadeiro Guardião dos valores do Socialismo Democrático.

São-lhe devidas todas as homenagens e tudo deve ser feito para que a Sua memória e o seu exemplo estejam sempre presentes no espírito das actuais e das futuras gerações.

J. Ferraz de Abreu



publicado por CCTM às 15:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de MoraisManuel Tito de Morais foi, indiscutivelmente, a pedra angular na construção do Partido Socialista em Portugal.

 Mário Soares é sem dúvida a figura central do socialismo português na segunda metade do século XX. Mas a verdade é que, durante décadas, antes e depois da Acção Socialista Portuguesa (ASP), com o PS ainda na clandestinidade e mais tarde com o arranque da sua actividade em Portugal, Manuel Tito de Morais sempre representou a alma do Partido e sempre foi o esteiro organizativo principal que o fez sobreviver e afirmar-se, sobretudo nos momentos decisivos da clandestinidade.

No Brasil, em Argel ou em Roma era sempre ele que mantinha “a máquina” em funcionamento e que garantia a edição do “Portugal Socialista”, um traço de união entre os seus membros.

Mas Manuel Tito de Morais foi mais do que um pilar organizativo. Ele representou sempre a fidelidade aos valores do PS nos momentos de dúvida, quando os caminhos do futuro eram incertos. Tito de Morais era uma referência segura: “Antes quebrar que torcer”.

Alguns porventura o consideravam teimoso, eu sempre vi nele uma firme determinação e um total apego aos princípios.

A sua herança perdurará para sempre, até mesmo para aqueles que não tiveram a oportunidade de com ele conviver e por isso não sabem que é em nome dos seus valores que travam as batalhas do presente.

Para mim, enquanto for vivo, ficará sempre, não apenas a referência sólida política, mas sobretudo a memória querida do amigo.

António Guterres



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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Os Partidos Socialistas e Sociais-Democratas europeus atravessam uma crise séria visível por derrotas sucessivas em recentes eleições, pelas dificuldades que apresentam os que governam, por uma certa desorientação das suas bases sociais e eleitorais. Isto acontece cerca de dois anos depois da explosão da crise financeira, que na actual fase se manifesta pela crise do Euro e dos financiamentos aos países expostos ás dívidas públicas e privadas externas. Assim, uma crise global que não teve na origem excessos de despesa pública ou de défices, mas o aventureiríssimo e ganância irresponsáveis do capital financeiro privado, uma crise que não teve base na Europa, mas sim do outro lado do Atlântico, perante as fragilidades estruturais do processo de construção europeu e a incapacidade dos partidos de esquerda democrática em lidarem com a globalização transformou-se num processo de ataque àqueles que à primeira vista poderiam e deveriam ter emergido como seus beneficiários políticos.

Recordar o centésimo aniversário do nascimento de Tito de Morais é pois hoje mais do que nunca, relembrar a falta que nos faz, em Portugal, na Europa e no PS alguém que soube sempre aliar o realismo da sua análise, à coragem da sua postura e das suas convicções. No combate à ditadura, na edificação da democracia, na defesa de princípios e valores, Tito de Morais não se limitava a ser uma referência. Foi um activo e empenhado cidadão, um democrata sem medo, um homem da única esquerda verdadeira – a esquerda democrática.

Nos seis anos em que fui Ministro do primeiro governo do PS após dez anos de oposição, nos dois anos e meio em que fui, com muito orgulho, o Secretário Geral do Partido, a figura de Tito de Morais foi para mim sempre fonte de inspiração, base de determinação. A política não é uma mera gestão do poder ou arbitragem entre poderes fácticos, a política é ou deveria ser a mais honesta actividade de serviço e de transformação do presente e futuro dos nossos concidadãos.

Para mim, Tito de Morais continua bem vivo.

Eduardo Ferro Rodrigues



publicado por CCTM às 19:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de MoraisManuel Tito de Morais, o Socialista Evocar Tito nestes cem anos em que se comemoram sua vida e seu exemplo, se bem que uma obrigação, é, para mim, muito doloroso, porque sinto demais a falta de João (1), que estaria na linha de frente, com suas irmãs (2) e irmãos (3) a organizar estas tão justas homenagens ao pai, o ilustre cidadão, o homem de honra, o Socialista.

E digo, o Socialista e não apenas um grande socialista, porque, para mim, Manuel Tito de Morais foi o paradigma da vivência socialista, a imagem rigorosa do homem de Partido, o político sério, íntegro, inabalável na convicção de que o seu PS seria o garante -como foi – da democracia em Portugal.

Comecei a saber de Tito, ainda no exílio, no Rio de Janeiro, onde conheci João nos finais dos anos sessenta. Quando ambos, pai e filho, anos atrás haviam passado algum tempo em São Paulo, não tinha havido qualquer contacto, visto eu estar integrado no grupo da Oposição portuguesa do Rio e as articulações com São Paulo serem esporádicas.

Curiosamente, já depois do 25 de Abril, Maria Emília recordou uma carta minha dirigida a Tito, na Argélia, da qual não lembro, por certo com um motivo específico, não representando contudo qualquer linha de coordenação política, que aliás raramente aconteceu entre os grupos de Oposição no estrangeiro, na luta contra a Ditadura.

Foi com João que, alguns dias depois do 1ª de Maio florido de cravos, nos fuzis dos soldados e nas lapelas dos polícias, subi as escadas de São Pedro de Alcântara para ser apresentado a Tito, que encontrei na sua primeira sala de trabalho, modesta como todas as que ocupou no Partido Socialista. Logo na primeira conversa, ele distante, para avaliar se eu teria as qualidades necessárias, percebi na sua convocatória à luta "Não podemos perder tempo, o trabalho vai ser imenso!" o homem determinado que iria ser um pilar na construção do Partido, incansável e intransigente na defesa da liberdade e da justiça social.

João foi assim, desde esse dia, o elo permanente dum convívio com Tito, tão importante para a minha formação como militante activo do PS nos anos 70 e 80. Pai e filho constituíram um binário de enorme eficácia. Parece que estou sentado com eles na noite em que traçaram o roteiro para a conquista de Viana do Castelo para as hostes socialistas, acertando estratégias e a escolha dos camaradas que em cada lugar do Minho seriam os primeiros companheiros da empreitada, que trouxe grandes vitórias ao PS em toda aquela região, em sucessivas eleições pós 25 de Abril.

João varou o Minho com seu Citroen 2 cavalos, preparando as reuniões donde iam brotando as Secções do PS, após as intervenções galvanizadoras, as do camarada Tito, com voz firme e pausada, que doutrinava os assistentes, ávidos de democracia, e as do próprio João, em tom mais elevado, conclamando ao trabalho.

Falar de Tito no PS é também falar de Mário Soares. Quero declarar que ninguém lhe foi mais fiel do que Manuel Tito de Morais. Tito foi sempre tão frontal quanto leal na sua relação com o líder, que sempre estimou e a quem dedicou uma enorme confiança, como o timoneiro do Partido Socialista. Mário Soares nunca foi surpreendido por alguma posição divergente de Tito, sem antes ser avisado de que a iria tomar. Os mais velhos recordam bem como Tito foi o único voto público contrário ao Acordo com o CDS. E esse desassombro, essa coragem, só aumentaram o respeito que sempre mereceu.

Mas eu quero reviver Tito sobretudo como eixo fulcral de sua família, a extraordinária lição de como conseguiu reunir á sua volta as duas esposas, Maria da Conceição, a primeira, a mãe de família, Maria Emília, a segunda, a guerreira companheira de luta, as filhas, os filhos, os genros, as noras, os netos, as netas. Sua irmã Maria Palmira, seu irmão Augusto. Que admirável painel humano!

Depois de quase todos separados pelas vicissitudes da luta contra a ditadura, depois de tantos anos de dúvidas sobre se estavam bem, uns em Portugal, outros no exílio, mesmo depois das posições de confronto após o 25 de Abril por orientações políticas diversas, eis que em Lisboa, depois na Malveira da Serra, mais tarde em Terrugem – aqui lembro a festa dos 80 anos de Tito – foi possível ao chefe da clã sorrir do conforto de ter todos ao seu lado.

João, para a família, para nós os amigos também era Tito. Sempre o tratei por Tito, ele que foi um irmão de vida. Que ainda me traz lágrimas de saudade. Foi com ele e sua Lúcia (4), que eu e minha mulher Maria Ivone passámos a conviver de forma constante com a família Tito de Morais. A viver como nossos os bons e maus momentos. Destes, o abalo profundo da perda abrupta do Pereira – assim Tito o tratava – o marido de Titinha, homem bom, estimado por todos E também a imagem forte do velório do tio Augusto, rodeado toda a noite por seus alunos, numa demonstração de respeito e de dor pela partida do mestre e amigo.

Essa faceta de congregador da família, como também do Partido, foi a grande marca de Manuel Tito de Morais. Nasceu com a República. Honrou-a como poucos. Comemorar seu centenário junto com o da República é um ato de justiça.

Em nossas casas é comum ter fotos da família. Na minha casa da aldeia, além das fotos dos avós, pais e filhos, eu junto uma de Manuel Tito de Morais, sozinho, sentado numa mesa, com aquele olhar de missão a cumprir. Ele é a minha referência, como homem, político e cidadão.

(1) João Manuel Mealha Tito de Morais, grande militante do PS, no qual ocupou vários cargos de responsabilidade;
(2) Maria Carolina, a Titinha, Maria da Conceição, a Xãozinha, Teresa e Luísa, todas filhas como João, único filho do primeiro casamento de Tito, com Maria da Conceição Formosinho Mealha;
(3) Manuel, Luís e Pedro, filhos do segundo casamento de Tito com Maria Emília Adelaide Pedroso da Cunha Rego Monteiro dos Santos;
(4) Lúcia Melo Tito de Morais, a Lucinha, que João conheceu no exílio no Brasil, que o acompanhou em Portugal desde o 25 de Abril e com a qual se casou já nos anos 80.

Amândio Silva

* Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico



publicado por CCTM às 12:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais O nome de Manuel Alfredo Tito de Morais faz parte não apenas do património do Partido Socialista, mas da história da Democracia em Portugal.

Comprometido politicamente com a resistência anti-fascista já desde o Movimento de Unidade Democrática em 1945, cedo foi forçado a tomar os caminhos do exílio, canalizando toda a sua energia e determinação para a luta patriótica pelo derrube da ditadura do Estado Novo. Fundou em 1964, na Suíça, a Acção Socialista Portuguesa que, mais tarde, em 1973, haveria de dar origem ao Partido Socialista. Além de fundador e principal impulsionador do PS, Manuel Alfredo Tito de Morais seria seu deputado à Assembleia Constituinte, depois Vice-Presidente da Assembleia da República e ainda Presidente do PS, entre 1986 e 1988.

O percurso pessoal de Manuel Alfredo Tito de Morais confunde-se com o caminho de Portugal, ao longo de décadas, na luta pela Liberdade e pela restauração democrática. Felizmente que ele teve a satisfação de ver esse desígnio da sua vida concretizado, a 25 de Abril de 1974. E felizmente que nós todos, portugueses, tivemos o benefício da sua contribuição devotada e experiente, por ainda muitos anos mais, ajudando-nos a superar os tremendos desafios da descolonização, das reformas económicas e políticas e da aprendizagem das liberdades e da tolerância democrática.

Nos anos 80 e 90 cruzei-me com o Eng. Tito de Morais nas mais diversas circunstâncias, de acções de rua aos salões do Palácio da Ajuda – eu jovem diplomata, ele um peso pesado da vida política nacional. Sempre me impressionou o olhar penetrante, a extrema afabilidade. E, sobretudo, o comentário atento e arguto, evidenciando combatividade inquebrável, fidelidade à ética republicana e firmeza de carácter.

Manuel Alfredo Tito de Morais faria este mês cem anos e os Socialistas e o país devem-lhe uma sentida homenagem: por não ter nunca desistido do sonho de um Portugal livre e por ter trabalhado incansavelmente, esclarecidamente, para o tornar realidade para todos nós.

Ana Gomes



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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Manuel Alfredo Tito de Morais, que todos tratavam afectuosamente por Tito, foi um dos camaradas mais íntegros, devotados e generosos que tive o privilégio de conhecer nas lides políticas. Democrata em toda a dimensão ética do conceito e socialista em toda a compreensão redentora da ideia, foi, por isso mesmo, um humanista comprometido com o Povo e com a Pátria. Aliando o pensamento à acção, soube conjugar as atribulações diárias do combate concreto com a utopia radiosa da sociedade sem classes, justa, livre e fraterna com que sonharam os poetas e revolucionários de todos os tempos. Ele sabia que é necessário ousar o impossível para realizar o indispensável.

A ideia socialista, que lhe foi tão cara e que é a ideia mais velha do mundo, parece hoje enclausurada por um capitalismo sem açaimo, desavergonhado e voraz, que colocou impunemente o mundo à beira da catástrofe, obrigando os governos a endividar-se para evitar o colapso económico-social. E agora, que o perigo foi debelado, os especuladores financeiros, responsáveis pela crise, retomam o cenho feroz de donos do nosso destino, fixam as taxas de juros dos empréstimos a que os Estados têm de recorrer e querem obrigá-los, incluindo Portugal, a vender bens públicos para reduzir o défice que eles próprios provocaram!

É preciso romper o cerco, reabilitar o projecto socialista e derrubar as novas muralhas da Jericó. Em memória e em homenagem ao Tito – e a tantos que, como ele, sofreram a prisão e o exílio por fidelidade aos seus ideais – é preciso que o PS respeite o seu compromisso histórico e a sua matriz identitária. Se o mundo mudou e o socialismo democrático enfrenta hoje novas realidades, são ainda iguais os principais problemas que dilaceram as classes desfavorecidas, como o desemprego, a precariedade e a exclusão da cidadania. Não é o mundo que deve mudar as ideias, são as ideais que devem mudar o mundo. Por isso os socialistas têm a obrigação indeclinável de fazer tudo quanto em si caiba, atendendo à situação concreta do país, para reduzir as injustiças e encurtar as desigualdades, cujo agravamento ameaça atingir o ponto de ruptura. A construção do Estado Social, sem cedências nem tergiversações, não é apenas uma decorrência ideológica ou uma exigência constitucional, mas um imperativo categórico. Quer dizer, é uma condição irrenunciável para que o PS mereça o nome que tem e continue a ser o Partido do nosso saudoso Tito. E também para que o título deste jornal, que ele fundou ainda antes da (re)fundação do PS, continue a ser mensageiro da esperança de um “Portugal Socialista”.

António Arnaut



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Nasceu com a primeira República, foi obreiro incansável da segunda. A democracia portuguesa, é devedora para com ele de um empenho sem tréguas, sem concessões, sem desânimos… Ao longo da noite, manteve e espertou a chama, travou e renovou o combate, esforçou quem enfraquecia, tomou a iniciativa, quando elas faltaram. Congregou e exigiu de quem o acompanhou. Foi o Tito, foi o exemplo; rigoroso quanto à linha a seguir, teimoso, empreendedor.

Com a mulher que escolhera para companheira e esposa, que sempre partilhou a luta e nela o apoiou, inventou o itinerário em função das circunstâncias, e, dentro e fora de Portugal, o modo e as peripécias mais eficazes em função dessas mesmas circunstâncias. Nunca descansou na vida, porque não descansava da luta. Imaginou a comunicação entre os núcleos surgidos no estrangeiro, e os focos de resistência em Portugal. O fio condutor desta rede foi o Portugal Socialista, anunciador, no tempo certo, da mudança inelutável, mas que a tentação da inércia e da resignação fazia julgar impossível.

Desde os primeiros números foi a surpresa. O jornal viveu. Muitos artigos acertavam em cheio. E todos significavam, de uma maneira ou doutra, que o tempo da opressão estava perdendo o contexto que o permitia. O Portugal Socialista herdara uma certeza que lhe emprestara o Tito.

Na encruzilhada, em que estamos hoje, na encruzilhada da Europa a que pudemos aderir, graças a combatentes como o Tito, precisamos de uma convicção como a dele, num destino colectivo de nova dimensão.

Às falsas ideologias sucederam os grandes desequilíbrios, geradores de conflito, as primícias de uma idade post-europeia. Num rectângulo português que assimile a modernidade, numa União europeia que se demonstre em factos, nas raízes portuguesas de um mundo emergente em que deixámos sementes, ao longo da história, havemos de comparecer e competir.

Que comemorar seja partir de novo. E, tanto mais quanto à escala da Europa, mais precisamos de vontade, invenção, solidariedade. A Europa, quando nasce é para todos. Todos os Europeus enquanto Europeus. E todos os continentes, enquanto hóspedes deste mundo em transformação, com os mesmos direitos compatíveis, à vida, ao entendimento e à promoção.

António Coimbra Martins



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Manuel Alfredo Tito de Morais Homenagear este nosso fundador do Partido Socialista é pensar no que sentiriam os socialistas portugueses quando iniciaram a frente de opinião a que chamaram Acção Socialista Portuguesa, em 1964. Portugal, dominado por uma ditadura política e económica, que o empenhava numa guerra colonial sem sentido e contra os sinais que o Mundo dava desde o fim da Segunda Guerra Mundial, perseguia opositores e negava o direito à autodeterminação dos povos.

Tito de Morais, exilado em Roma, com Mário Soares e Ramos da Costa, exilado depois da Acção Militar de Beja em Paris, eram os dinamizadores da Acção Socialista e do seu "jornal", editado em Roma. Esta organização, precursora do PS chega a 1973 com 115 membros, a maioria exilados, alguns presos e outros condenados.

A importância que se tem de atribuir a Tito de Morais resulta da força das suas convicções republicanas, democráticas e socialistas. Eram poucos mas lutavam como se fossem muitos. Com grande desigualdade de meios, para enfrentar a repressão do regime salazarista, lutavam com orgulho e convicção. E legaram à nossa geração um Partido Socialista, que se tornou um grande partido nacional, popular, decisivo em todos os combates decisivos, pela liberdade, democracia, descolonização, integração europeia.

E a firme convicção que o combate à injustiça, às descriminações, contra a falta de igualdade de oportunidades, é um combate quotidiano e de sempre e para sempre.

A maior homenagem que podemos prestar a este grande socialista e republicano no ano do seu centenário é dizer que ele venceu. Deve ter pensado, em alguns momentos, para dentro de si mesmo, no tempo que a sua ideia de Liberdade demoraria a triunfar no seu país, dominado por uma ditadura fascizante. Mas Tito de Morais e os seus camaradas nunca esmoreceram. E ganharam! Já assistimos a Primeiros-Ministros e Presidentes da República do nosso Partido Socialista, eleitos por mais de três milhões de portugueses. Tito de Morais poderia ter sido um destes. Mas não foi menos importante a sua acção como deputado, Presidente da Assembleia da República e Presidente do Partido. E como cidadão. Creio que era a sua única ambição. E foi um cidadão exemplar. E um inesquecível camarada, mesmo para os mais jovens que com ele privaram. Criou-me uma vez uma dificuldade. O Engenheiro Tito de Morais tratava todos os camaradas por tu, na boa tradição socialista, que ele se esmerava em cultivar. E obrigou-me a tratá-lo, também, por tu. Desobedeci-lhe sempre.

António Costa



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Domingo, 11 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Acedi, de imediato, ao convite para escrever um depoimento por ocasião das comemorações do primeiro centenário do nascimento do meu camarada Tito de Morais. Mais tarde, reflectindo, perguntei-me o que mais poderia acrescentar ao que já se disse e se escreveu, e bem, sobre Manuel Tito de Morais.

Não acrescentarei nada, é certo, mas não quero deixar de juntar o meu reconhecimento à justa homenagem que lhe é prestada. Particularmente nos tempos que correm, sabe bem reconhecer num dos distintos membros da nossa família socialista a firmeza das suas convicções e a coerência da sua acção.

Recordar e celebrar a vida de Manuel Tito de Morais é um dever para quem acredita nos valores e nos princípios que devem guiar a vida pública.

Militava eu na Juventude Socialista quando conheci, pessoalmente, Manuel Tito de Morais. Conversámos algumas vezes. Sentia-se que estávamos na presença de uma personalidade singular para quem a lealdade e a solidariedade tinham significado.

Separados por várias gerações, encontramo-nos no espaço dos nossos valores socialistas e no combate pela qualidade da nossa República. Manuel Tito de Morais nasceu com a República e emprestou-lhe muito das suas forças e da sua dedicação.

Não o esqueceremos!

António José Seguro



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Estava eu a estudar na Suíça em 1966 quando conheci o Manuel Tito numa conferência do Comité Suíço para a Amnistia em Portugal realizada em Lausanne. Admirei logo a frontalidade com que interveio numa mesa em que estava também um representante do PCP, com o qual percebi haver uma certa tensão. Só o reencontrei sete anos mais tarde em Paris nas inolvidáveis reuniões de Agosto de 1973, na Fundação Leo-Lagrange do Partido Socialista Francês para discutir e aprovar a Declaração de Princípios e o Programa do Partido Socialista, cujo projecto o Sottomayor Cardia, o Marcelo Curto e eu trazíamos de Lisboa. Foram discussões homéricas, nas quais, para minha surpresa, o Manuel Tito, conjuntamente com o Chico Ramos da Costa, alinhou pela posição dos “radicais” de Lisboa, contra as posições bem mais moderadas do Mário Soares, do Campinos e do Bernardino Carmo Gomes. Eu, que o tinha em conta de um republicano socialista moderado vi-me várias vezes ultrapassado pela esquerda! Logo ali tive a demonstração da sua fibra, da força das suas convicções e do seu empenhamento num ideário socialista coerente e sem transigências. Atitude que manteria até ao fim da sua vida.

Voltei a abraçá-lo no seu regresso do exílio, no dia 28 de Abril, na Estação de Santa Apolónia. Foram então os tempos da organização do PS e da sua sede, que ele dirigiu com pulso firme e uma devoção sem limites, com a preciosa ajuda da Maria Emília. Fizemos várias viagens juntos pelo país, em intermináveis conversas, com sessões de esclarecimento por todo o lado. E o Tito tudo aguentava com uma enorme capacidade de resistência que pedia meças aos mais jovens de nós.

No 28 de Setembro lembro-me da surpresa com que me recebeu e me abraçou na sede de S. Pedro de Alcântara, quando lhe apareci fardado e armado, numa altura em que se receava a invasão da sede por gente da extrema-direita, e o tranquilizei sobre a evolução dos acontecimentos!

Mais tarde, no governo, testemunhei o sofrimento com que se confrontava com os nossos recuos ideológicos e/ou tácticos. Para a história ficará o seu voto isolado de vencido na célebre reunião da Comissão Nacional do P S em que se aprovou o acordo parlamentar de incidência governamental com o CDS que viabilizou o II Governo Constitucional!...

Como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, não posso também deixar de evocar aqui a sua iniciação na Maçonaria em 31 de Março de 1990 numa das mais antigas Lojas do GOL, a Loja José Estêvão, uma das poucas que resistiu à Ditadura sem abater colunas. Faria 80 anos poucos meses depois, tendo atingido o grau de Mestre em 11 de Dezembro de 1990. Não deixa de ser curioso que tivesse esperado pela fase final da sua vida para formalizar uma adesão, que vários dos seus amigos e camaradas de geração, como António Macedo e Mário Cal Brandão, tinham concretizado muito antes. Como se a adesão ao GOL fosse o coroar de toda uma carreira cívica, ele que já era há muito um “maçon sem avental”! Creio que, em certa medida, quis também desta maneira homenagear o próprio pai, o grande Almirante Tito de Morais, herói da República e grande maçon.

António Reis



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Militante da Amizade Aprendi a amar e defender a Liberdade ainda era um quase catraio, com as fraldas abandonadas havia uns tempos não tão longos como isso tudo. E com ela, aprendi também a amar e defender a Democracia. E a República e o Socialismo Democrático – e continuo a aprender. Todos os dias. Se isso não acontecer, quer dizer que não se vive, vegeta-se sem nada para amar e defender. Excepto a Pátria e a Família, bem entendido.

Pelos idos de 67/68, comecei a mandar umas coisas (com pseudónimo por mor das… coisas), para os primeiros números do Portugal Socialista. Era o tempo da ditadura, o tempo salazarento, o tempo da censura, da polícia política, do medo e da opressão. Mas também do destemor, da coragem, da dignidade e da verticalidade. Enviava esses textos entusiásticos e ingénuos, simultaneamente. Em cartas com mata-borrões dentro, de propaganda farmacêutica. Dava-me gozo – deu-me.

O destinatário era um tal Tito de Morais. Não sabia quem era, associava-o ao almirante que, quando jovem segundo tenente, participara no 5 de Outubro e que se tornara numa figura destacada da República. A morada era em Roma, e as missivas iam dirigidas a um italiano de seu nome Arigo.

Estava em Angola, como oficial miliciano e continuava sob vigilância da PIDE, (com a qual já tivera em Lisboa uns quantos encontros/desencontros e umas amolgadelas), quando comecei a remeter esses pequenos textos, – a que o destinatário, uns quantos anos mais tarde, chamaria textículos, com x, como acentuava com um sorriso por baixo do bigode e que continuo a usar... Mesmo assim, persisti em mandá-los para Roma.

Eis senão quando – dá-se o 25 de Abril. Eu ficara em Angola, tinha três filhos para criar e a escolha não se revelou de todo desacertada. Com a chegada do meu ex-professor de Direito Administrativo, Marcelo José das Neves Alves Caetano, ao poder, depois da bendita cadeira ter desempenhado cabalmente o papel que lhe fora distribuído, a PIDE rebaptizada DGS, não me incomodava muito. Uns avisos, apenas, que me iam chegando, por mor de alguns Amigos pretos (não gosto do termo negros, que considero insultuoso e o Tito também não) que eu não devia ter – mas tinha.

No dia 2 de Maio, depois de muitas lágrimas de alegria vertidas em Luanda, ao pé do aparelho de rádio, vim a Lisboa. Tinha de ser. Os malandros do MFA, tinham feito o já citado 25 de Abril nas minhas costas, sem esperarem por mim… E, apenas deixei a mala de viagem em casa de uma tia, meti-me num táxi para os Restauradores, apanhei o elevador da Glória, cheguei lá acima – e fui-me inscrever no Partido Socialista.

Dei de caras, logo, com um Amigo de sempre, o Mário Sottomayor Cardia e foi o Catanho de Menezes que recebeu a minha proposta. Ele e o Cardia apadrinharam-me. E foi então que conheci o Senhor Engenheiro Manuel Tito de Morais. Que, afinal, era filho do Senhor Almirante. Estivemos à conversa, pois se lembrou logo das minhas missivas «secretas». Era o princípio imediato de um tu que me desvaneceu e duma Amizade que duraria até à hora da sua morte. Não senhor; até hoje.

Meses depois, em Setembro, voltei a Lisboa, já com a família. E comecei à procura de emprego. Corri jornais, onde uns quantos «democratas» franziam os respectivos cenhos, porque eu era um colonialista regressado de Angola. E numa tarde, ali ao Príncipe Real, quase desmoralizado por tantas negas, o Cardia disse-me que me queria no Portugal Socialista, finalmente sem peias.

Não sei por que bulas, mas, dias passados, o Zé Leitão, o Jorge Morais, o Avelino Rodrigues, a Teresa Sena e mais dois ou três elegeram-me para chefe da Redacção. O Cardia, director, aceitou. Eu, também. Estávamos instalados (mal) nas dependências da antiga Censura no Bairro Alto… Saudosismos? Saudades. De uns bons tempos, em que nos tratávamos por tu e éramos camaradas. Hoje…

Foi no Largo do Rato que combatemos o mesmo combate nas colunas do seu e meu Portugal Socialista, o Órgão Central do PS. O Manel Tito como director, eu continuando como chefe da Redacção. Esses anos em que trabalhámos juntos, podia dizer que cimentaram a Amizade que nos unia. É uma redonda mentira. Ela já não precisava de mais argamassa. Os alicerces não cediam; nunca mais cederiam.

Esta é uma história corriqueira, na primeira pessoa (coisa que não deve ser feita, mas que está… feita) de um plural que não tinha fronteiras na fraternidade e na solidariedade que nos unia. Só mais uma alínea. O meu irmão mais novo, nunca saberei porquê, aos 33 anos deu um tiro na cabeça. Os escudos eram escassos, poucos mesmo. Foi o Manuel Tito de Morais que decidiu que a Maria Emília me desse a quantia para pagar o funeral. Sem que eu soubesse que a ideia e a decisão eram dele. Mas soube. E disso também nunca me esquecerei.

Resta acrescentar que, quando comecei a pagar o que considerava um empréstimo, o Tito, que ficara muito aborrecido por saber que eu… sabia o que ele fizera, disse-me tranquilamente – como era sempre e sempre procedia – que fosse depositando o dinheiro, porque os meus miúdos «talvez um dia destes precisem mais da massa do que eu». Era esse o Tito de Morais que tive como Amigo e me ensinou que defender os nossos ideais é das melhores coisas que podemos e devemos fazer.

Antunes Ferreira



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Sábado, 10 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Em 2010 comemoramos a implantação da República em Portugal, data maior para todos aqueles que acreditam num mundo com mais igualdade e sonham com uma sociedade em que todos, independentemente da sua raça, credo, sexo, origem, idade, ou orientação sexual, possam alcançar a sua felicidade. Ser republicano é acreditar num mundo melhor e mais livre e mais igual. Comemorar a República é, também, comemorar a democracia, único sistema político que nos pode fazer alcançar esta sociedade mais igual e justa que a República nos faz acreditar.

Mas em 2010 celebra-se, também, um outro centenário, não de um regime em que acreditamos, mas de um homem. Homem que se confunde na história do Portugal contemporâneo, com a República, com a Liberdade, com a Democracia, com a social-democracia e com o Partido Socialista. Celebramos em 2010 o centenário do nascimento de Manuel Tito de Morais, figura cimeira da luta pela democracia e da resistência anti-fascista e um dos fundadores da Acção Socialista Portuguesa, que se transformou no Partido Socialista.

Para a minha geração, nascida em liberdade, e que milita hoje na Juventude Socialista e no Partido Socialista, pessoas como Mário Soares e Tito de Morais são como lendas que conhecemos dos livros de história e cujo exemplo aprendemos a admirar e a tentar seguir. Pessoas que fazendo face a inúmeras adversidades, perseguições políticas, levados a abandonar os seus e a sua terra, aprisionados injustamente, torturados... Pessoas que tiveram de enfrentar as maiores provações por ousarem pensar pela própria cabeça e ousarem ser livres e desejarem o mesmo para os outros e mesmo assim mantiveram-se fiéis aos seus valores, aos seus princípios e que com estóica resistência, muitas vezes sem saberem se a liberdade e a democracia seria efectivamente uma realidade, mantiveram uma vontade e um empenho inquebrantável na luta pela liberdade e pela democracia.

Chegados a hoje, a minha geração, tem também desafios e provações diferentes para vencer e ultrapassar. Aprofundar a república e a democracia e continuar a lutar por mais igualdade entre todos e fazer do nosso país um país mais progressista e mais justo. Enfrentando os problemas que persistem estruturalmente no nosso país. A luta por um país com pessoas mais qualificadas, mais solidárias, a luta pela sustentabilidade energética e uma integração política mais eficaz entre os povos na Europa, são hoje tarefas primeiras dos jovens socialistas.

Para isso, contaremos sempre com a inspiração e o exemplo de Manuel Tito de Morais. Obrigado.

Duarte Cordeiro
Secretário-geral da Juventude Socialista



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Conheci o Manuel Tito de Morais em 1947, pouco depois do meu regresso do Tarrafal. Pertencia a uma tertúlia que se reunia na casa de ferias que o Manuel Rodrigues Oliveira (o fundador da “Biblioteca Cosmos”) possuía na Costa da Caparica. Conhecera o Rodrigues de Oliveira no Aljube durante a minha primeira detenção. Tornámo-nos amigos. Reencontrámo-nos naquela estância balnear. Além de nos reunirmos na sua casa, juntávamo-nos no “Café Papo-seco”, há muito tempo desaparecido.

Dessa tertúlia faziam parte várias pessoas que viriam a ser figuras públicas no período que se seguiu ao 25 de Abril, nomeadamente o próprio Tito de Morais e o Francisco Salgado Zenha. O Salgado Zenha e o Luís Saias também possuíam casa naquela vila. Por isso, ocasionalmente, juntavam-se ao grupo. Mas não eram dos frequentadores mais assíduos.

Eram todos homens e mulheres de esquerda – alguns já tinham passado pelas prisões – que se reuniam para analisar e discutir a situação política nacional e internacional. Tinham vários percursos políticos, mas todos se reclamavam do marxismo. A maioria tinha passado pelo PCP. Mas estavam inactivos. Alguns seriam eventualmente militantes daquele partido. Era o caso da Maria Emília que viria a casar com o Tito de Morais.

Líamos L’Humanité e discutíamos os romances dos escritores revolucionários franceses, designadamente Roger Martin du Gard, Romain Roland, André Gide, André Malraux, etc. Dávamos longos passeios pela praia.

O Manuel Tito de Morais foi um homem inteligente e de fortes convicções. Os feitios afáveis e fraternos tanto dele, como do Manuel Rodrigues de Oliveira, contribuíam para dar àquele círculo de amigos um ambiente de grande amizade.

Queria aqui destacar o importante papel que desempenhou nessa tertúlia uma mulher notável, Ana Isabel de Oliveira (a Bé entre os amigos). Ela é, junto com Luís Saias e a Maria Emília, viúva do Tito de Morais (além de mim próprio) das poucas pessoas desse notável grupo que ainda estão vivas.

A Ana Isabel, especialista em artes plásticas, foi uma grande amiga do Tito de Morais. É uma referência cultural da sociedade portuguesa. Continua viva e activa, apesar dos seus oitenta e cinco anos.

O meu testemunho é, para além de uma homenagem à notável figura do meu querido amigo Manuel Tito de Morais, um pequeno contributo para a história das várias formas da resistência à ditadura.

Edmundo Pedro



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais “Um Homem de Princípios“ foi o qualificativo escolhido no momento em que ele foi homenageado em vida, em Lisboa, Em presença dos mais altos dignitários da República Portuguesa, e é sem dúvida aquele que melhor corresponde à personalidade do Tito.

Pela sua postura intelectual e política de lutador pela Liberdade e Democracia no decorrer da sua vida, o Manuel Alfredo Tito de Morais angariou o respeito e o reconhecimento dos portugueses, mesmo daqueles – tal foi o meu caso – que o viram pela primeira vez fora do nosso país.

Para além da honra que foi para mim tê-lo como proponente e signatário (em nome do Secretariado Nacional do PS) do meu cartão de militante, sinto grande satisfação em poder afirmar que este Homem me inspirou sobre uma certa forma e postura política.

Encontrei-me muitas vezes com o Tito, inclusivamente em sua ou em minha casa, nomeadamente quando ele era Presidente da Assembleia da República. Devo dizer que sempre me senti impressionado com a modéstia natural que sobressaía da sua personalidade.

Não vou prolongar-me mais. Creio que era necessário render esta homenagem àquele que foi para Portugal, para o PS e para os seus amigos; um grande Homem. “UM HOMEM DE PRINCIPIOS”

Germano Lima



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Tito de Morais - 1974
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Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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