Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Tito de Morais -Presidente da Assembleia da República

Manuel Tito de Morais
Ficha da PIDE



publicado por Luis Novaes Tito às 02:30
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Blogs Leonel VicenteO Leonel Vicente terminou, no repositório do Memória Virtual, mais uma das suas resenhas anuais das actividades da blogosfera portuguesa com um apontamento onde homenageia Jorge Ferreira.

O Leonel Vicente é o blogger português que mais atenção dedica, há anos, a esta actividade e nunca é demais referi-lo como um dos elementos desta comunidade (ou destas comunidades, como quiserem) que deixa ficar registo para que um dia se venha a ter consciência do que representou e como se desenvolveu a forma mais democrática de comunicar nos finais do Século XX e inícios do Século XXI em Portugal.

Diz-nos o Leonel que em 2009 só levou esta aventura para a frente por sentir que era uma acção feita em memória de Jorge Ferreira.

Ficamos-lhe gratos duplamente. Por o ter feito e pela razão que o levou a fazer.



publicado por Luis Novaes Tito às 01:41
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Domingo, 27 de Dezembro de 2009

António Campos - Portugal Socialista nº214 Conheci Tito de Morais, em Paris, era eu ainda jovem, numa situação que não mais esquecerei. No começo dos anos 70, o António Macedo, o Zenha e eu fomos ter com o Mário Soares, então no exílio.

Ao chegar a Paris, de comboio, dado que o Zenha e o Macedo seguiam por precaução, em aviões diferentes, o Mário Soares disse-me que tínhamos de ir ao encontro do Tito de Morais porque ele tinha chegado de Itália, onde vivia, e entrar clandestinamente em França, País de onde tinha sido expulso.

Ir conhecer pessoalmente um homem do qual já tinha ouvido falar muitas vezes e que por razões políticas tivera de fugir do seu País e ser expulso de outro, o qual eu tinha como o berço da liberdade, excitava-me a curiosidade.

Adorei conversar com ele e não mais esquecerei a sua imagem quando me acompanhou até à estação de Paris para o meu regresso a Portugal. Ainda hoje retenho com precisão e alguma emoção, o olhar fixo, o gesto calmo e aquele sorriso simpático do Tito agarrado à minha mão a dizer-me – façam tudo, tudo o que poderem para libertar aquele País. Não é por mim, eu cá vou resistindo até morrer de saudades, é por aqueles milhões de pessoas.

Impressionou-me e gravei na memória o seu desprendimento pessoal por não ter naquele momento manifestado unicamente o desejo de poder vir comigo para o País que tanto amava.

Mais tarde, ainda antes do 25 de Abril, voltei a encontrá-lo em Vigo onde o Macedo e a mulher, o Arnaut e a mulher, e eu e a minha mulher nos fomos encontrar com o Mário Soares e a Maria de Jesus, o Ramos da Costa e o Tito de Morais. Nesse dia levámos ao conhecimento deles a primeira reunião dos militares de Évora, militares esses que mais tarde desencadearam o 25 de Abril. Era dar-lhes uma esperança, ainda que remota, da liberdade.

Se recordo estes factos, é para dizer que desde muito novo me habituei a admirar e a respeitar este homem de convicções firmes e de grande coragem Após o 25 de Abril teve uma vida dedicada ao Partido e à causa do Socialismo.

Não é um homem que faça política charmosa ou que silencie os problemas, conheci o Tito de Morais sempre frontal, por vezes mesmo agreste e teimoso na defesa dos seus pontos de vista.

O Partido deve muito a esta forma de ele estar na política, provocando a discussão e tomada de decisão emergia o Tito de Morais solidário e fraterno sem o mais pequeno ressentimento.

É um Homem admirável, de uma grandeza que toca a todos os que tiveram o privilégio de com ele conviver. Viveu uma vida cheia de luta por princípios e ideias sem nunca ter transigido.

É um dos grandes do meu País e um dos maiores do meu Partido.

António Campos

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por Luis Novaes Tito às 00:00
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

 

Em nome da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais ficam os votos de Festas Felizes para todos aqueles que nos seguem através deste Blog.

Esperamos que o ano de 2010, ano de comemorações dos centenários da República e também de Manuel Alfredo Tito de Morais, seja um marco na viragem deste ciclo pouco favorável que temos atravessado.



publicado por CCTM às 22:39
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

CCTM - Tito de MoraisA Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais tem por objectivo promover, em Junho de 2010, na semana de 28, dia em que Manuel Alfredo Tito de Morais faria cem anos, um conjunto de acções que convoquem a memória para os princípios de um dos homens que, no Século XX, foi um dos maiores impulsionadores do regresso de Portugal à democracia europeia e um dos lutadores para que todos os cidadãos tivessem as mesmas oportunidades e pudessem expressar-se e agir em liberdade.

De entre todas as acções que estão abarcadas no programa elencam-se as mais relevantes:

- Constituição de uma Comissão de Honra;
- Sessão solene na Assembleia da República (AR);

- Edição de uma brochura biográfica (AR);

- Emissão de um selo comemorativo (AR/CTT);

- Sessão evocativa no Grémio Lusitano (GOL);

- Sessão evocativa na Fundação Mário Soares;

- Exposição sobre a vida Tito de Morais no Museu da República e Resistência;

- Edição de uma fotobiografia;

- Realização de um documentário sobre a vida de Tito de Morais (RTP);

- Descerramento em Lisboa de um busto de Tito de Morais (CML);

- Descerramento de uma lápide evocativa na casa onde morou Tito de Morais;

- Edição de um número comemorativo do Portugal Socialista;

- Promoção de acções evocativas em diversas estruturas do PS.

Desde já se apela a todas as estruturas do Partido Socialista no sentido de se mobilizarem para sessões, a realizar durante o mês de Junho de 2010, em memória de Tito de Morais.

De todas estas acções daremos oportunamente mais detalhes neste Blog da Comissão Executiva (CCTM), expressamente construído para promover a divulgação das acções previstas e ajudar a recordar o exemplo de vida de Tito de Morais.



publicado por Luis Novaes Tito às 00:01
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Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Evocação 2009 

No passado dia 14 de Dezembro, 10º aniversário da morte de Tito de Morais, reuniram-se no cemitério da Guia, em Cascais, um grupo de familiares, amigos e outras entidades para fazerem a evocação do fundador do PS.

O Partido Socialista fez-se representar pelo seu Presidente, António Almeida Santos, que proferiu uma pequena intervenção na sequência da evocação feita pelo neto do homenageado, Manuel Tito de Morais Oliveira.

Manuel Alegre e Pezarat Correia fizeram os elogios finais.



publicado por Luis Novaes Tito às 00:02
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Homenagem 1996Em Abril de 1991, Maria José Gama entrevistou Manuel Tito de Morais para fazer o registo da sua nota biográfica, a mais completa até hoje  conhecida.

Este trabalho já foi publicado no Acção Socialista por duas vezes, em 9 de Maio de 1991 e em 6 de Janeiro de 2000, e no número especial do Portugal Socialista que foi editado em Outubro de 1996, por ocasião da Homenagem Nacional que lhe foi prestada.

Trata-se de um documento único que nos revela muito do percurso de um dos principais obreiros da criação do Partido Socialista.

É uma peça fundamental para o conhecimento de uma personagem essencial do processo democrático português no Século XX.

O registo está disponível em .pdf na coluna da direita deste blog, no item em destaque.



publicado por Maria José Gama às 00:30
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António Arnaud - Portugal Socialista nº214 O Tito é um dos últimos cavaleiros da Utopia. Nascido com a República e educado no culto das seus valores essenciais – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – manteve pela vida fora a mesma firme e serena postura de quem acredita no futuro e sabe, por isso mesmo, que o socialismo é uma conquista permanente, um acto incessante de amor.

Homem de convicções e de fidelidades assumidas, fez do Partido a principal motivação da sua vida. Nunca se bandeou com o adversário, nem cedeu aos ventos ditos dominantes. E foi, justamente, nos momentos mais difíceis, tanto antes como depois do 25 de Abril, que o Tito personalizou a esperança e nos revelou a sua fibra de lutador intemerato pela causa do socialismo democrático.

É um exemplo de dedicação, de generosidade, de coerência. É um verdadeiro homem de esquerda.

Dizem que em política não há memória nem gratidão. Esta homenagem vem provar o contrário. Há figuras que deram ao Partido o rosto e a alma que ainda hoje, apesar de tantas vicissitudes, o identificam no coração do povo. Tito de Morais é uma dessas figuras. Uma das poucas a quem chamo, com emoção e orgulho, Amigo, Companheiro e Camarada.

António Arnaut

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 00:05
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

de Rerum Natura"Deparei-me hoje com um blogue de homenagem a Manuel Tito de Morais, um dos fundadores do Partido Socialista, no 10.º aniversário da sua morte.

Nele, Pedro Tito de Morais recorda, entre outros familiares, o seu tio Augusto Tito de Morais, também já falecido, professor catedrático do Instituto de Medicina Tropical, médico da Organização Mundial de Saúde que, nessa qualidade, viajou pelas sete partidas do mundo".

(...)

Rui Baptista

Ler o post em de Rerum Natura



publicado por Luis Novaes Tito às 02:37
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José Neves _ Fundador do PS(...) "E se estou a recordá-los é tão só para situar o clima favorável ao Governo de Salazar que existia na Europa anterior ao exílio dos Líderes da ASP.

O primeiro a ser empurrado para o exílio foi Ramos da Costa, na sequência do seu envolvimento no golpe de Beja. Instalou-se em Paris, no ano de 1961, onde começou a desenvolver uma intensa actividade de publicista em jornais e revistas, participando em reuniões internacionais, denunciando a situação que se vivia em Portugal.

Em 1966 foi a vez de Tito de Morais mudar-se para Roma, vindo da Argélia, depois de ter passado pelo Brasil onde foi parar após ter sido expulso de Angola. E por todos estes países Tito de Morais fundou movimentos de luta contra o regime fascista. Esta mudança de Tito Morais para Roma foi uma decisão política para representar a ASP em Itália com o apoio do Partido Socialista Italiano. E foi aqui que Tito de Morais começou também a desenvolver contactos internacionais que se revelaram de enorme importância.

Com Ramos da Costa, em Paris, e Tito de Morais, em Roma, a ASP fazia-se representar nos Congressos de prestigiados Partidos Europeus e em conferências internacionais. As arbitrariedades da ditadura e do colonialismo eram expostas e as manifestações de solidariedade para com os socialistas e os democratas em Portugal decorriam espontaneamente. Deputados socialistas em Itália levantam questões relacionadas com a falta dos direitos humanos em Portugal e manifestam no Parlamento solidariedade para com Mário Soares quando estava deportado em S. Tomé. A ASP estabelece relações com todos os Partidos filiados na Internacional Socialista (I.S.), criando laços de fraternidade com, além do P.S. de Itália, o S.P.D. na Alemanha, os Trabalhistas na Grã-Bretanha, os Sociais-democratas na Suécia, os Socialistas em França. Enfim, Tito de Morais e Ramos da Costa desdobram-se nestas relações internacionais e promovendo contactos directos com os socialistas em Portugal. Por ocasião da farsa eleitoral de 1969 uma delegação de I.S. esteve em Portugal, constituída por personalidades políticas de destaque. Todos os membros da delegação acabaram por serem expulsos pela polícia política, a PIDE, que convém que ninguém se esqueça que existiu. Assim o regime fascista foi mais uma vez denunciado e estava irremediavelmente desmascarado. Agora já se sabia na Europa que em Portugal existiam democratas, socialistas e comunistas cujos elementares direitos eram espezinhados por um regime fascista.

Assim, quando Mário Soares, por sua vez, teve que optar pelo exílio, já havia um longo trabalho empreendido na área internacional por Ramos da Costa e Tito de Morais."(...)

Museu República e Resistência, em 25 de Outubro de 1996
(ler toda a intervenção)



publicado por Jose Neves às 01:01
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Foto de Gabriel Brustoloni (1970)Por ocasião do 10° aniversário do falecimento de Tito de Morais, antigo militante e co-fundador do PS como também Presidente da Assembleia da República, tenho o prazer de remeter a esta Comissão as anexas fotos que remontam à Primavera do ano de 1970.

As fotos em questão foram tiradas no extremo norte da província de Viterbo, quando do exílio italiano do destacado anti-salazarista português, com quem privei, já em sua residência romana de Via Catania, momentos de agradável convívio, acompanhados de interessantes trocas de impressões sobre a situação portuguesa daquela época.

Gabriel Brustoloni
Roma,Itália

(recebido por email em 2009.12.14)



publicado por CCTM às 02:21
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

A festa do fim do ano de 1973 reuniu em Lausana: Mário Soares, Maria Barroso, Manuel Alfredo Tito de Morais, Maria Emília, além da família anfitriã Teresa, Jaime e os seus filhos Carlos e Rita.

À época, Mário Soares e Tito de Morais eram dirigentes socialistas no exílio que tinham assinado, dias antes, provavelmente em Paris, um manifesto com a Direcção do PC, que apontava no caminho de uma unidade de esquerda tipo Frente Popular. O Partido Socialista Português já tinha sido constituído, em Abril desse ano, na cidade alemã de Bad Munstereifel.

Como em todas as passagens de ano era obrigatório: a abertura da garrafa de espumante, as passas e o bolo. Os votos e os desejos tinham os olhos postos no regresso a Portugal e no derrube da Ditadura. As ilusões da "primavera Marcelista” tinham chegado ao fim.

“Para o ano em Portugal”, voto repetido ao longo de tantos anos de exílio, tornou-se uma realidade.

É hoje, com saudades, que relembro esse dia e muitos outros mais passados no exílio e depois em Portugal, no convívio com o meu sogro, Manuel Alfredo Tito de Morais.

Recebido em sua casa, sempre como filho, também sempre o considerei como um segundo Pai, e é difícil falar, com imparcialidade, de um Pai.

Apesar de eu ter militado num Partido diferente do dele; recebi o seu exemplo como a herança que nos deixou a mim e à minha família, de verticalidade, honestidade, de lutador incansável pela Justiça, de defensor dos mais fracos.

Tito de Morais, nascido em berço de ouro, recebeu, como muitos naquela época, os ideais da República: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como primeira refeição.

Atrevo-me a dizer que foi sempre um socialista de esquerda, certamente mais influenciado pelos ideais da revolução francesa do que da revolução bolchevique, mas não era um social-democrata.

Na política ficou como o grande obreiro do partido socialista, o militante por excelência, o que punha o Partido e o combate em primeiro lugar, muitas vezes em detrimento do convívio familiar de que tanto gostava.

Nos tempos que correm distingo como um dos principais traços do seu carácter, a honestidade e diria mesmo o desinteresse completo pelo dinheiro e os bens supérfluos desta sociedade de consumo.

Pertencia àqueles homens que apesar de desempenharem altos cargos de Estado, viajavam de comboio em 2ª classe, porque não existia 3ª, que preferiam um restaurante popular, onde se comesse o bom “cozido à portuguesa”, em vez de um “requintado” que estivesse na moda.

Para o PS e para toda a esquerda portuguesa, ele deve ser o exemplo a seguir, de estar na política servindo o país, como o fez durante toda a sua longa vida.



publicado por Jaime Mendes às 19:37
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Congresso Oposição Democrática

Carga sobre o Congresso da Oposição Democrática
Aveiro, 8 de Abril de 1973



publicado por CCTM às 14:14
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Hoje, que passam 10 anos sobre o falecimento do meu Pai, alguns amigos e família estiveram no cemitério de Cascais a prestar-lhe homenagem, veio-me repetidamente à memória uma história passada em Roma.

Eu estava a fazer os meus trabalhos de casa, estava na primária e tinha algumas dificuldades com os números, enganava-me sempre entre o "sessanta e o settanta" (60 e 70) isto na sala de jantar numa mesa de jogo que estava a uma ponta da sala, do outro lado, na mesa de jantar, estava o Mário Soares a escrever artigos para o “Portugal Socialista”.

O meu Pai andava de uma mesa para a outra, tal qual um professor a ajudar e corrigir um e outro… foram episódios como este que marcaram a minha vida e foi com os exemplos do meu Pai que me formei como Homem.

Recordo com muita saudade esses tempos, em que apesar da política e das dificuldades ele tinha sempre um momento para me ajudar, para estudar comigo, para conversar e me mostrar as realidades da vida.

Hoje, como há 10 anos, não pude deixar de notar, com tristeza, a ausência de Mário Soares, mas a vida é assim, não se pode fazer nada...



publicado por Pedro Tito de Morais às 19:30
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Tito de Morais

Manuel Alfredo Tito de Morais
Autoria: Pinheiro de Santa Maria (1998)



publicado por Luis Novaes Tito às 14:00
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Domingo, 13 de Dezembro de 2009

No dia 14 de Dezembro, 2ª feira, cumprem-se dez anos da morte de Manuel Tito de Morais. 

A família e a CCTM, com a colaboração do Partido Socialista, prestam-lhe uma homenagem às 13:00 horas, no Cemitério da Guia, em Cascais, junto ao jazigo onde se encontra. 

Pedimos a todos que compareçam e avisem outras pessoas.



publicado por Luisa Tito de Morais às 09:00
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Tito de Morais -Presidente da Assembleia da República

Manuel Tito de Morais, Presidente da Assembleia da República
Mário Soares, Primeiro-Ministro
(1983)



publicado por CCTM às 00:10
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Antes de conhecer o Eng. Tito de Morais, conheci os seus pais, D. Carolina e o Sr. Almirante, na sua casa na Av. Defensores de Chaves nº. 27.

Assisti aos preparativos da sua chegada de Luanda, sob prisão, e recordo ainda hoje a sensação que tive quando o vi, pela primeira vez, com o seu ar terno, mas ao mesmo tempo distante, que me parecia ser como o dos príncipes.

Estivemos várias vezes juntos, nesses tempos tão duros, mas ao mesmo tempo tão solidários…

Lembro-me dos dias de Verão passados na Ericeira com as suas filhas Luísa e Teresa, dos belos pequenos-almoços de ovos mexidos e chocolate quente, que ele próprio preparava.

Lembro-me do dia em que a Luísa fez 18 anos e da sua satisfação em lhe proporcionar uma Festa que, para nós, foi o que se diz agora 'o máximo'.

Mais tarde, voltei a estar com ele, em Paris, em casa do seu amigo Câmara Pires, rodeado de dirigentes do MPLA, fugidos das cadeias da PIDE, em Angola. Depois, ele partiu para o Brasil e eu fui para Londres, com a sua filha Luísa.

Passaram-se muitos anos, muitas lutas, muitas desilusões, mas também muitas esperanças.

Só o voltei a ver nos tempos gloriosos da Revolução de Abril, na sede do Partido Socialista, onde fui a uma reunião, representar o meu Partido, o PCP, e em que o seu filho João me levou ao gabinete onde trabalhava, para o cumprimentar.

Voltei à Sede do Partido Socialista, em 14 de Dezembro de 1999, para a derradeira homenagem ao pai dos meus queridos Amigos e ao Homem, ao Socialista que, ao longo da sua vida, sempre se insurgiu contra a injustiça, contra o imperialismo, contra a desumanidade da sociedade capitalista.

Marília Morais Villaverde Cabral

(recebido por email em 2009.12.12)



publicado por CCTM às 00:00
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Sábado, 12 de Dezembro de 2009

Maria Raquel dos Reis Rodrigues

 

Maria Raquel dos Reis Rodrigues

(1936.08.08 - 2009.11.03)

 

Falar de Raquel Reis é extremamente difícil, pois será utópico pensar retratá-la plenamente, em virtude do seu extenso e rico currículo.

Muito empreendedora, objectiva e determinada, a investigação científica foi a sua grande paixão. Carreira que abraçou com brilhantismo. Possuidora de uma inteligência de elevado nível e de inúmeras capacidades, era uma pessoa especial e multi-facetada. Estudar era o seu maior prazer. No entanto soube, na perfeição, gerir o seu tempo, entre a docência, a política – como militante activa do PS –, a família e o convívio entre os amigos, que gostosamente cultivava.

Órfã de mãe aos 15 anos, aprendeu com este rude golpe que, para vencer as agruras no advir dos seus dias, teria que ser forte. Sentimento que sempre a norteou. Jamais fraquejou perante as adversidades e dificuldades que, inevitavelmente, lhe surgiram ao longo da vida. Corajosa e conscientemente contornava as situações e lutava com veemência para as ultrapassar e resolver.

Natural de Lisboa, aqui estudou, tendo terminado o ensino secundário no liceu D. Filipa de Lencastre, em 1953. Ingressou na Faculdade de Ciências de Lisboa e em 1966 licenciou-se em Ciências Matemáticas. Na qualidade de bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1980, fez doutoramento em matemática na Universidade Eötvös Lörand – Budapeste, ao apresentar e defender a tese “Partial residuals on proupoid-lattices” em que obteve a classificação de summa cum laude, a mais alta classificação concedida por aquela Instituição.

Em 1999, como Professora Auxiliar da Universidade Aberta e já com larga experiência na formação de professores deu início, ao seu sonho de sempre, à investigação, sendo de referir entre outras a “Teoria das Ideias”.

Desde então o curriculum de Raquel Reis valorizou-se e aumentou muitíssimo. Leccionou, dirigiu mestrados, fez parte de júris de mestrados e de doutoramentos. Organizou, colaborou e participou, a nível nacional e muito especialmente internacional, em congressos, seminários e conferências. Publicou vários trabalhos de investigação, designadamente nas áreas da álgebra e da lógica.

Apesar de Jubilada, continuou a desempenhar acções de desenvolvimento na sua faculdade onde apresentou vários projectos, inclusive sobre gerontologia. Em reuniões sociais encantava pela sua afabilidade, comunicabilidade e na qualidade de boa contadora de histórias.

A título de curiosidade recordo uma conversa tida com Raquel, onde orgulhosamente me deu a saber que seu pai, Jaime Rodrigues, conhecido perito de arte de ourivesaria, designadamente de jóias antigas, as quais por vezes negociava na sua loja de antiguidades, emprestara ao Estado Português uma jóia linda e valiosa que pertencera à Rainha Vitória de Inglaterra a fim de ser fotografada para a capa do programa oficial da visita da Rainha Isabel II ao nosso país.

Raquel, devido ao seu dinamismo, após o falecimento de seu Pai, conseguiu, durante largos anos, manter em funcionamento a loja de antiguidades cumulativamente com a sua actividade profissional.

Reportando-me às amizades, gostaria de destacar o carinhoso afecto que sempre dedicou a sua irmã Irene e aos sobrinhos Sara Raquel e Ricardo Lázaro, bem como à sua afilhada Paula Maria Reis Inácio e de lembrar também a forte ligação que desde pequena a uniu ao “clã” Tito de Morais. Certamente, por ter perdido muito cedo a sua mãe, refugiava-se na casa destes amigos cujas filhas mantiveram sempre com a Raquel uma permanente e fraternal amizade.

A nossa querida amiga Raquel, elemento empenhado e activo da Comissão Executiva da Comemoração do Centenário de Tito de Morais (CCTM), vai fazer falta. Toda a Comissão, com enorme saudade e imensa mágoa pela sua repentina e inesperada partida, presta-lhe a mais profunda e sentida homenagem.

A Comissão ficou mais pobre. Mas, sobretudo o país, que talvez não a tenha apreciado com a mesma grandeza como foi reconhecida no estrangeiro, ficou de certeza mais pobre.

Nota biográfica em documento pdf

Autoria do apontamento biográfico: Maria José Gama em 2009.12.12

Bibliografia na área cientifico-profissional: Curriculum Vitae de 2004, cedido pela sua irmã Dra. Maria Irene Reis Rodrigues.



publicado por Maria José Gama às 20:55
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Frente Republica e SocialistaFoi em 1980 que conheci Tito de Morais. Fizemos a campanha da Frente Republicana e Socialista.

Recordo que fazia parte de um grupo com o Mário Beja Santos também do PS e o António Fontes da ASDI, que só apareceu para um almocito, sendo que eu representava a UEDS.

Pertencia ao grupo minoritário dessa curiosa organização, era membro da comissão politica e embora por razões formais tivesse recusado ser candidato tinha participado na comissão do programa da FRS e empenhei-me activamente na campanha.

Com Tito de Morais fiz porta a porta, estive nalgumas fábricas e participei em sessões de esclarecimento. Almocei e jantei algumas vezes com o grupo, a que se juntava de vez em quando algum militante socialista e sempre o motorista. Ficaram-me momentos que recordo.

Na porta de uma fábrica assumira o meu lado esquerdo e distribuía os documentos com o Tito de Morais muito sisudo, pois não, com a ladainha “Contra os contratos a prazo, vota FRS”. Ao almoço sem hostilidade explicou-me o disparate, e eu que o sabia responsável por alguma dessa legislação e que usara o estribilho por vontade de autonomia, fiquei sem argumentos. Não voltei a confrontá-lo...

Numa sessão na Amadora fiz o que julgo uma das minhas 1ªs intervenções fora do circuito estudantil e entrei a matar contra as lógicas urbanas à pato bravo, que dominavam a Amadora, e por uma política ambiental contra a nuclear e por alternativas, etc., etc. No fim recebi, apesar do meu entramelamento, um caloroso abraço. Soube que o António Lopes Cardoso ficou satisfeito.

Num almoço com o Beja Santos a espicaçá-lo, o que não era muito necessário porque Tito de Morais era um contador de estórias da vida, eu, que tinha chegado à UEDS vindo do sector libertário/concelhista percebi o enquadramento e a lógica das politicas do PS e uma leitura magistral das cisões porque tinha passado. A lógica frente popular do Manuel Serra e as suas raízes numa cultura de menor apreço pela democracia política, a cisão entrista/trosquista da Carmelinda sem comentários, esses dois cortes com o registo e a história e ideologia do socialismo democrático e da social-democracia e a ruptura do Lopes Cardoso (personagem também ímpar da nossa democracia a quem preito aqui a minha homenagem) com causas diferentes e que ele premonizava se voltaria a integrar... no PS.

Essa e outras conversas marcaram-me e fizeram-me perceber melhor um espírito de serviço público e aproximaram-me do António Lopes Cardoso (quando da crise do/com o Eanes) e viriam a afastar-me dele quando, como Tito de Morais tinha previsto, voltou para o PS (num congresso onde, fique para a história, a minha moção de transformar a UEDS num Partido Radical teve 1/3 dos votos!)

Passamos por muita gente que recordamos e por muita que esquecemos. Do Tito de Morais recordo a integridade e as sólidas bases politicas, e estórias pessoais, assim como a solidariedade empenhada. Com ele recordo esses momentos de luta e de afectos, num período difícil (e qual não é, há que dizê-lo!) e a partilha do pão e do vinho.

António Eloy

(recebido por email em 2009.12.11)



publicado por CCTM às 00:30
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Manuel e Maria Emília Tito de Morais

Manuel e Maria Emília Tito de Morais



publicado por Luis Novaes Tito às 00:01
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Fantasporto Naqueles idos de 1983, a conferência diária para marcação de agenda fazia-se a partir das oito da noite. Tito de Morais, Presidente da Assembleia da República, pedia à Marinela que lhe levasse dois cafés, um para ele e outro para mim que avançava com a pasta de despacho recheada com dezenas de pedidos de audiências, solicitações de presença em acções e eventos diplomáticos ou sociais.

Na rotina, depois de preencher as horas da agenda com as actividades parlamentares de maior relevo, plenários, conferências de líderes, conselhos administrativos, etc. passava-se ao corpo diplomático e às restantes solicitações.

Era uma parte do dia de trabalho que me dava especial gozo pelos comentários e apreciações quase sempre bem humorados nas situações de maior originalidade e na distribuição dos encargos de representação pelos vice-presidentes, Fernando Amaral, José Luís Nunes, Basílio Horta e José Vitoriano.

Naquele dia, o convite mais estranho que levava na pasta era para uma deslocação ao Carlos Alberto, no Porto, para um festival do filme fantástico, organizado por Mário Dorminsky. Seria o segundo ou terceiro ano da realização de tal festival, ainda com reduzida implementação e divulgação. Quando me preparava para passar o convite para o monte dos “agradeço, mas motivos de agenda…” , Manuel Tito de Morais sorriu com os olhos verdes que sorriam sempre em alturas de desafio e disse-me de cigarro na ponta dos dedos:

- “Escreve a este Mário Dorminsky a dizer-lhe que irei lá e que tu vais comigo. Depois telefona-lhe para combinar o protocolo. Temos de apoiar estas iniciativas, principalmente se forem embriões de cultura fora da capital.

Vais ver que isto ainda vai ser um importante certame do cinema em Portugal.”

Esta acção fez com que a comunicação social tivesse, pela primeira vez, dado cobertura especial ao cinema fantástico do Porto.

Para o ano que vem o Fantasporto, ainda dirigido por Mário Dorminsky, irá fazer o seu 30º aniversário.

É um dos mais relevantes certames internacionais do cinema fantástico.



publicado por Luis Novaes Tito às 13:43
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Congresso PS - 1974.07.04

Congresso do Partido Socialista em 04.07.1974

Imagem: Pavilhão dos Desportos



publicado por CCTM às 00:01
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Amândio Silva - Portugal Socialista nº214 Numa Lisboa entontecida pela liberdade conquistada, conheci o camarada Tito de Morais. Na Sede de S. Pedro de Alcântara. Logo nos primeiros dias de Abril, no princípio daquele Maio impregnado de um cheiro forte de cravos redentores.

Apesar de chegado na primeira leva de exilados no Brasil, naquele 1º de Maio mágico e indescritível, apesar de já me saber amigo do seu filho João, mesmo assim, mediu-me, avaliador, cioso de gente boa para o Partido.

Mais tarde visitei-o no seu apartamento do Arco do Cego, onde só se respira PS. A Maria Emília recordava-se do meu nome por uma mensagem que eu tinha enviado do Rio de Janeiro para Argel, nos idos de 61 ou 62. O primeiro laço, no exílio. Na sua casa, onde me recebeu tantas vezes, não me lembro de um só dia, de uma só noite, onde não puxasse conversa sobre o PS.

O que mais me emociona na figura de Tito é essa extraordinária dedicação a uma causa, a da liberdade e do socialismo, só é possível de defender, na sua perspectiva, através de um PS forte e vencedor. E por isso a sua inquebrantável confiança na vitória. A vitória do Partido, a vitória do seu PS.

Nesta década onde se acentuam as estratégias neo-liberais, destrutivas das ideologias, inimigas do livre pensamento, castradoras da solidariedade, robotizadas das consciências, exploradoras da liberdade, com certeza que Manuel Tito de Morais, foi um dos que lhe ficou completamente imune, fortalecido por sua sólida convicção socialista.

Duas palavras sobre a sua afeição por Mário Soares. Penso que ninguém soube ser mais amigo. Duro na crítica do que pareceu desvio. Frontal na discórdia. “Oh Mário, tu não podes fazer isso!”. Mas sempre leal. Um baluarte com que Mário Soares sempre contou nos momentos cruciais de consolidação democrática do nosso Portugal.

Lembro agora o seu voto solitário contra a aliança de governo com o CDS. Quantos gostariam de ter podido fazer o mesmo? Os que aplaudiram, os que contestaram, socialistas ou não, tiveram de reconhecer a coerência do seu gesto. Para ser Tito de Morais, tinha de votar contra. E votou!

Presidente da Assembleia da República. Presidente honorário do nosso Partido. Arauto dos princípios socialistas. Um homem de esquerda. A integridade em pessoa. Fonte de respeito. Como é bom ser amigo do Tito. Uma bandeira do PS. Um grande português. Na minha casa, tenho uma fotografia do Manuel Tito de Morais. No meio das outras da família. Gosto de ver a sua cara, aquele olhar acutilante, aquela fonte firme. É o meu símbolo, a minha referência. Um exemplar protagonista do socialismo. Um marco de liberdade.

Obrigado Manel. Porque desta vida ao PS, o PS não morrerá. Como nos ensinaste, PS sempre!

Amândio Silva

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 01:30
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Mário Soares

 

 

 

 

 Parabéns

Mário Soares!

 

 

 

 



publicado por Luis Novaes Tito às 20:55
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Tito de Morais - 1974
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Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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