Domingo, 30 de Maio de 2010

Voto de Homenagem Tito de Morais

Voto de Homenagem

No mês em que o fundador do Partido Socialista, Manuel Tito de Morais, faria cem anos, esta estrutura do PS presta-lhe a devida homenagem evocando a memória de um dos ilustres homens que se bateu contra a ditadura do Estado Novo e que com determinação, antes e depois da liberdade, foi um dos maiores impulsionadores do socialismo democrático em Portugal através da criação, organização e estruturação do Partido Socialista.

A sua postura ética e política consubstanciada na resistência contra o totalitarismo e a intolerância e baseada nos princípios da liberdade, da fraternidade e da solidariedade continua a ser um exemplo que importa recordar e seguir por todos os socialistas portugueses.

 

Meus caros Camaradas,

Manuel Alfredo Tito de Morais faria cem anos no próximo dia 28 de Junho.

A família e um grupo de amigos que com ele colaboraram entenderam constituir uma Comissão Executiva com o intuito de promover a comemoração do seu centenário. Esta comissão planeou, com o patrocínio do Partido Socialista do qual Tito de Morais foi fundador e um dos principais impulsionadores, um programa de acções nacionais, cívicas e político-partidárias para a semana que decorre entre os dias 28 de Junho e 2 de Julho.

Dadas as características éticas e políticas com que desempenhou os mandatos de constituinte, deputado, Vice-presidente e Presidente da Assembleia da República que lhe granjearam o reconhecimento geral de todo o espectro político nacional, confirmado com as elevadas condecorações que a República lhe concedeu, a Assembleia da República entendeu promover-lhe uma homenagem solene que constituirá o ponto mais alto das comemorações.

Os outros eventos que assinalarão a semana constam do desdobrável que se junta e para o qual se apela à divulgação junto dos Camaradas que integram a vossa estrutura. Um dos actos considerados é a aprovação durante o mês de Junho, nas diversas estruturas do Partido Socialista, do Voto de Homenagem que propomos, forma simples mas justa de evocar o fundador que organizou e estruturou o Partido Socialista, e que com a sua acção foi decisivo na implementação da maior força política ainda hoje existente em Portugal.

Gostaríamos de ter o retorno, em cctm@sapo.pt, da anuência a este acto e, nesse caso, do órgão da vossa estrutura que fez aprovar o voto proposto.

Deixo-vos um fraterno abraço com as melhores saudações socialistas,Assinatura

 

 Maria Carolina Tito de Morais

(Presidente da Comissão Executiva)



publicado por Luis Novaes Tito às 13:22
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Sábado, 29 de Maio de 2010

São Paulo, 26 de Maio de 2010.

Os Tito de Morais tiveram uma influência decisiva no percurso que marcou a nossa família. Mais de 50 anos de uma amizade que começou em Luanda, passou pelo Brasil, e nunca se perdeu no regresso a Lisboa.

Por Fanny Gelehrter da Costa Lopes

 e Ruth Gelehrter da Costa Lopes

 Luanda Tito de Morais

Luanda, uma das festas na casa dos Titos. Acilio e Tito à esquerda e Maria Emília ao centro 

Chegamos a Luanda, mais ou menos em 1950: meu marido, Acílio, foi trabalhar na CAOP, assumindo um emprego de topógrafo. Hospedados na pensão, conhecemos o Chico Louro, na ocasião do PC, que nos apresentou o amigo Tito de Morais. Mais tarde, os dois, agora nossos vizinhos, visitavam-nos em casa e eram noites onde ficámos horas conversando sobre o momento político de Portugal. A amizade de vizinhos evoluiu com a chegada da Maria Emília. Compartilhamos, alegrias e dificuldades, por seis anos. A cesárea para o nascimento do Manuel, as ameaças após a prisão de vários amigos nossos: o engenheiro Calazans, a médica Julieta Gandra, Meireles e mais tarde o Tito. Nessa ocasião, sob ameaças veladas – por ser simpatizante do movimento de independência – a Maria Emília retorna a Portugal, agora também com o filho Luís.

Os muitos momentos gratificantes da nossa convivência estão constantemente na memória da nossa família. Fomos testemunhas no registo de casamento dos Titos e eles, padrinhos da minha filha Ruth. Apesar dos muitos percalços que tiveram pela vida afora, sempre levaram a sério este papel. Em TODOS os aniversários da Ruth, sempre apareciam mensagens e fotografias de locais onde se encontravam.

A residência deles era um ponto de encontro de fértil convívio. Os filhos do Tito – Maria Carolina, João, Maria da Conceição, Luísa e Teresa – vinham passar as férias, completando o ambiente. Eram organizadas festas dançantes; numa destas confraternizações a M. Emília teve início às dores do parto do Luís … e a festa continuou.

O Acílio e o Tito tinham grande camaradagem. Numa ocasião, João precisou de um fato de treino e os dois desenharam o molde para posterior execução, regado a grandes gargalhadas. É por essas e outras que um empregado perguntou: “Senhora, afinal, o patrão é engenheiro ou alfaiate?”

Era comum saírem do mercado e passarem por nossa casa, com grande quantidade de peixes frescos. Uma maneira simpática de colaborar connosco, um jovem casal com filhos pequenos.

São Paulo

O desprendimento e a generosidade dos Titos, marcou positivamente a nossa vida. Tito saiu da prisão e veio com a família para o Brasil. Foram eles que incentivaram nossa vinda a São Paulo para que meus três filhos não participassem da guerra colonial. Na ocasião, Igor, meu filho mais velho, escreveu-lhes perguntando se poderia vir para S. Paulo. Responderam que só se trouxesse todos. Tivemos o privilégio de conviver mais alguns meses, antes de irem para Argélia. Compartilhamos a construção dos alicerces da história da nossa família: o emprego do Acílio e a continuidade dos estudos dos filhos.

Lisboa Tito de Morais

À mesa, no ambiente familiar de Tito de Morais, entre a sogra e Fanny. Pedro à esquerda 

Após o 25 de Abril, retornei algumas vezes a Portugal, sempre hospedada na casa dos velhos amigos Titos, sentindo o estilo acolhedor com que o anfitrião se dirigia a qualquer pessoa, agora com uma função oficial na política portuguesa. Um episódio ilustrativo: no fim da vida, já muito debilitado – pouco falava e andava – se nega a tomar uma medicação. Me aproximei dele com o remédio e perguntei-lhe: “Tito, aceita o remédio?” Ele, sempre galante, responde: “Da Fanny aceito tudo.”

Terrugem

 Tito de Morais

Terrugem -Tito de Morais, António Machado e M. Emília 

Numa das visitas aos amigos, na casa de campo dos Titos, em Terrugem, veio-nos visitar o amigo comum, o zoólogo, António Machado. Todos tínhamos recordações a compartilhar.

 

Por Fanny Gelehrter da Costa Lopes

 

Lembranças do meu padrinho.

Duas vezes estive com os Titos em Terrugem. O acolhedor espaço tinha as marcas deste político-artesão. Em todos os cantos: piso, móveis, parte elétrica, …

 Tito de Morais

Tito de Morais 

Em 1994, conheci as netas do Tito, filhas do Luís. Didi e Manuel eram os meus amigões no Brasil.

 

Tito de Morais

Claire, Ruth, Maria Emília, Marine e Tito de Morais

 Por Ruth Gelehrter da Costa Lopes

 

Lembranças dos meus amigos.

Não só a minha mãe era bem recebida na casa dos Titos. Nós, os filhos, com as nossas mulheres, também tivemos ótima acolhida nas viagens a Lisboa.

Tito de Morais

Tito de Morais, Rui e Maria Emília

Não esqueço de dois acontecimentos marcantes. Uma noite conversávamos todos na sala de estar: o Tito estava um pouco triste com seus problemas de trabalho – política. Tito circunspecto e Maria Emília fazendo sala. Resolvi perguntar de onde vinham as muitas medalhas que estavam num móvel. Eram medalhas de todo o mundo homenageando o Tito. Muitas. Sem cerimônia resolvi colocá-las em mim. Ao invés de ficar contrariado, Tito mudou de humor e participou também da animação que tomou conta daquele nosso encontro.

 

Tito de Morais

Sala do presidente – Susi, Denis, Marcos, Rui e Maria Emília

Na outra ocasião Maria Emília nos levou ao Palácio do Governo. Tinham orgulho da cidade de Lisboa. Bons anfitriões. Num momento de distração do mestre-de-cerimónias que nos acompanhava pude ter o gostinho “histórico” de sentar na cadeira destinada ao presidente. Este ato não teve a aprovação dos nossos cicerones. Saudades.

Por Rui Gelehrter da Costa Lopes

Escrito ao abrigo do acordo ortográfico



publicado por CCTM às 01:29
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

Tito de Morais

Tendo por mim a desculpa da idade, não posso orgulhar-me de ter conhecido o Tito antes do 25 de Abril pois só o encontrei pela primeira vez, em Paris, em 1975.

Tive porém, ao longo dos anos em que viveu desde então, a ocasião, ou melhor, várias ocasiões de apreender e de aprender qual a densidade da generosidade e da disponibilidade que este Homem dedicou à luta pela Liberdade e Democracia antes do 25 de Abril, e depois, pela sua consolidação.

O Manuel Tito de Morais, pela firmeza das suas convicções, foi para mim, jovem "débutant" na militância política, um exemplo.

Fosse em reuniões de carácter político ou em família e com os amigos, sempre encontrei um Tito afável e disposto a dar a sua contribuição ao debate e às discussões, que por vezes eram animadas.

Vi no Tito, um Homem que tinha o máximo respeito e sem qualquer género de complexos, pelas pessoas com quem lidava e em quaisquer circunstâncias.

A este propósito, quero apenas recordar um facto, ocorrido durante a sua Presidência da Assembleia da República:

Encontrando-me de férias em família, em Portugal, num belo dia de verão, vejo chegar dois automóveis particulares que pararam frente à minha casa. De um deles saiu o Tito, a sua esposa Maria Emília e dois dos seus filhos. Ao recebê-los, manifestei o meu orgulho por estar a receber em minha casa o Presidente da Assembleia da República. O seu comentário foi pronto e instantâneo: "Ora essa, então lá por ser Presidente da Assembleia da Republica já não teria o direito de visitar os amigos que visitava antes e visitarei depois de o ser?" Não deixou ainda de acrescentar, que tendo vindo ao Norte passar uns dias e passando perto de um amigo, nunca o faria sem o visitar.

Um pouco mais tarde, tendo sugerido que os guardas da AR que o acompanhavam se juntassem a nós, disse-me que evidentemente não via inconveniente.

Acho que comemorar o aniversário do nascimento do Tito é indispensável. Não só pela oportunidade de mais uma vez lhe render homenagem, mas também para recordar que Homens desta craveira, – que infelizmente se tornam raros –, merecem não ser esquecidos.

Germano Lima



publicado por CCTM às 01:03
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Pais, Manuel e Palmira Tito de Morais

 

Almirante Tito Augusto de Morais e Carolina (pais) e Manuel e a irmã Palmira

(Foto cedida por Carolina Tito de Morais Oliveira Garcia)



publicado por CCTM às 00:50
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Quadro Tito de MoraisDivulga-se o calendário das Comemorações do Centenário de Tito de Morais que se centrarão na semana que decorre entre 28 de Junho, data em que Manuel Alfredo Tito de Morais faria cem anos, e 2 de Julho.

Todas estas acções estão a ser ultimadas com os respectivos promotores e o patrocínio para a edição da fotobiografia, da autoria da Comissão Executiva, está assegurado pelo Partido Socialista.

Nos próximos dias serão divulgados detalhes de cada um dos eventos.

24 de Junho
Livraria Bertrand - Chiado - Lisboa 
Lançamento da fotobiografia de Manuel Alfredo Tito de Morais. (18:30 h)

26 de Junho
RTP2
Documentário sobre a vida de Manuel Alfredo Tito de Morais. (55 m, à noite, em hora a anunciar)

28 de Junho
Palácio Galveias - Lisboa
Início das Comemorações (data do aniversário de Tito de Morais) com a apresentação da fotobiografia por dois historiadores. (19:30 h)

29 de Junho
Assembleia da República
Descerramento de uma lápide na casa de Lisboa onde viveu Tito de Morais. (12:00 h)

Sessão solene na Assembleia da República. (18:00 h)
Edição de uma biografia.
Exposição.
Lançamento de um inteiro-postal. (CTT)

30 de Junho
Câmara Municipal de Lisboa
Descerramento do busto de Tito de Morais da autoria de Francisco Simões num jardim público adjacente à Sede Nacional do PS. (12:00 h)

Grande Oriente Lusitano
Sessão branca. (19:00 h)

1 de Julho
Associação Tito de Morais
Escritura da Associação. (11:00 h)

Fundação Mário Soares
Sessão solene. (18:30 h)
Exposição da FMS.

2 de Julho
Partido Socialista
Sessão Solene na Sede Nacional - Largo do Rato. (17:00 h)
Apresentação do número especial do Portugal Socialista.
Abertura da Sala Tito de Morais.

De 3 a 6 de Julho
Exposições sobre a vida de Tito de Morais nas Federações do PS:
Algarve, Coimbra, Lisboa, Porto e Viana do Castelo.

Durante todo o mês de Junho
Aprovação de votos de homenagem em diversas estruturas do PS.
Edição de um caderno especial sobre Tito de Morais no Jovem Socialista



publicado por Luis Novaes Tito às 12:26
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Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Francisco Simões a trabalhar o busto de Tito de Morais

No âmbito da Comemorações do Centenário de Tito de Morais (CCTM) irá ser descerrado um busto de Manuel Alfredo Tito de Morais no jardim público na confluência da Rua das Amoreiras com a Dom João V, ao Largo do Rato (Amoreiras/Rato).

Será uma homenagem da Câmara Municipal de Lisboa estando ainda por determinar o dia em que vai ocorrer (30 de Junho, 1 ou 2 de Julho).

A obra está a ser criada no atelier de São Pedro de Sintra do escultor Francisco Simões e será composta por três peças:

O busto, uma pedra de suporte e uma placa a afixar na parte exterior do muro do jardim da Sede do Partido Socialista.

 

Francisco Simões

Nasceu em Porto Brandão, Almada, em 1946. Concluiu o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio em 1965 e o curso de Escultura da Academia de Música e Belas Artes da Madeira em 1974. Em 1967 foi bolseiro da OCDE em Roma, Turim, Novara, Verona e Milão e no ano seguinte trabalhou no Museu do Louvre a convite de Germain Bazin.

Em 1989 foi nomeado, pelo Ministério da Educação, consultor de Artes Plásticas para o projecto A Cultura começa na Escola, em 1990 foi colaborador do JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) e em 1992 foi nomeado, pelo Ministério da Educação, membro do grupo de trabalho de Humanização e Valorização Estética dos espaços Educativos.

Em 1996, a Escola Secundária do Laranjeiro passou a ter o seu nome, como homenagem. Vive e trabalha em Sintra desde 1991. É pintor e escultor e conta com uma série de monumentos e obras em espaços públicos, nomeadamente as esculturas do Parque dos Poetas, em Oeiras.

Considerando o desenho a fala do artista, a expressão mais imediata, a mais intensa, Francisco Simões tem como motivo recorrente nos seus trabalhos, a mulher, à qual incute um aspecto robusto e sereno. O seu desenho é despojado e simplificado, denunciando a sua tarefa de escultor.

(imagem e CV de Teresa e Jaime Mendes)



publicado por CCTM às 00:03
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Tito de Morais - 1974
CCTM
Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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