Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Luís Filipe MadeiraConheci o Tito de Morais logo após o 25 de Abril, quando em 1974 aderi ao PS.

As primeiras impressões foram ditadas pela sua figura, austera e grave, de velho combatente republicano e socialista, com o grosso bigode grisalho e "fumado". Homem profundamente leal aos amigos, foi solidário com Mário Soares em circunstâncias difíceis da vida do partido. Mas não deixou nunca de manifestar as suas reticências relativamente a certas estratégias.

Relevo três situações que ilustram o que atrás fica dito:

A primeira ocorreu no início de funções do primeiro governo constitucional.

Na qualidade de secretários de Estado participámos ambos num Conselho de Ministros em que se discutiu a acção diplomática a levar a cabo pelo 1º Ministro no estrangeiro. Aonde devia ser a primeira visita? Cunha Rego propôs que fosse ao Brasil (ainda nas teias do poder militar). O Manuel Tito, apoiado por mim, propôs Angola.

Foi o Brasil a opção com todos os equívocos (relativos a Angola) que se seguiram.

A segunda verificou-se aquando das acções que conduziram à formação do II Governo (PS/CDS).

Os renitentes foram convocados a S. Bento para serem convencidos a pôr de lado as reticências. Chamados foram mais de 20. Que me lembre só o Manuel Tito recusou. Talvez não tivesse razão, mas as suas objecções de consciência (e de longo prazo) não cederam.

A terceira teve lugar em 1987 após a Moção de Censura que levou à demissão do governo minoritário do PSD.

Na sequência, todas as forças políticas que aprovaram a censura (PS, PRD, PCP e CDS) manifestaram ao PR a sua vontade de apoiar a formação (viabilizando-o por um período razoável) de um Governo minoritário PS no quadro parlamentar existente. Na crispação que se seguiu, numa minoria do PS, à eleição de Vítor Constâncio para S.G., o PR preferiu dissolver a AR, levando às maiorias absolutas do PSD que se seguiram. Nas hostes socialistas mais próximas do PR só Manuel Tito de Morais manifestou publicamente o seu desagrado, o que lhe valeria alguns contratempos futuros.

Outras estórias poderiam ser aqui descritas, mas isso levar-nos-ia mais longe do que agora convém.

Luís Filipe Madeira



publicado por CCTM às 02:30
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Tito de Morais - 1974
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Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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