Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Tito de Morais é uma figura incontornável do socialismo em Portugal. Homem de princípios, combatente contra a ditadura fascista e o colonialismo, lutador pela liberdade e pelo estabelecimento da democracia em Portugal, a sua acção política foi determinante para a criação do Partido Socialista.

Quando se comemora o centenário do nascimento de Tito de Morais e se impõe dar a conhecer a sua obra, não é demais repetir, ainda que numa brevíssima resenha, algumas notas da acção política do indomável resistente e combatente pelos ideais do socialismo.

Filho de revolucionário da instauração da República, a sua acção política iniciou-se cedo, tendo logo aos 16 anos participado numa greve de estudantes do Liceu Camões, episódio que lhe acarretou a agressão de um agente da repressão da ditadura. Foi o seu baptismo de fogo. Dir-se-ia que este incidente teve um efeito catalisador e Tito de Morais nunca mais parou na sua luta contra a opressão e pela liberdade.

O combate de Tito de Morais acarretou-lhe profundas atribulações a vários níveis. Sofreu várias prisões – entre outras, por integrar o MUD e participar nas campanhas eleitorais de Norton de Matos e Humberto Delgado – demitido de empregos, não podendo exercer uma actividade profissional como engenheiro, e por fim o exílio para onde foi empurrado. E foi nesta situação que Tito de Morais, longe dos esbirros da ditadura, deu largas à sua imaginação revolucionária e desenvolveu uma acção política consequente.

Em 1964, na Suíça, Mário Soares, Tito Morais e Ramos da Costa criam a Acção Socialista Portuguesa (ASP). Dois anos mais tarde foi decidido que Tito de Morais, depois de actividade política no Brasil e na Argélia, fixasse residência em Roma. Estavam criadas condições para uma nova fase de luta contra a ditadura.

Tito de Morais começou por dar especial atenção aos contactos na área internacional, participando em conferências e congressos de prestigiados partidos e organizações europeias, dando a conhecer a situação política em Portugal e obtendo significativos apoios para a luta dos socialistas no país.

O “Portugal Socialista”, criado em 1967, foi um instrumento de luta contra o fascismo e concebido para, no quadro da ASP, ‘contribuir para a estruturação política e organizativa dos socialistas portugueses’. Este tema da organização foi uma constante das preocupações de Tito de Morais, e não foi por acaso que no primeiro número desta publicação o tema é abordado e recorrente em várias edições seguintes.

Sendo este jornal uma publicação produzida em Roma, é de imaginar as dificuldades na sua distribuição em Portugal, obstáculo suplantado pela criatividade do fundador e director do jornal, Tito de Morais, tendo sempre conseguido que as edições circulassem em Portugal.

Outro aspecto a destacar foi o contacto com os emigrantes. A ASP era um movimento preocupado com a formação política e a intervenção dos trabalhadores. Não foi por coincidência que o “Portugal Socialista” foi fundado no dia 1º de Maio – o dia do trabalhador. Tito Morais promoveu encontros com trabalhadores em vários países europeus, de que resultou a criação de Núcleos ASP e que veio a reflectir-se de forma positiva no Congresso da fundação do Partido.

Em síntese, as acções políticas de Tito de Morais no exílio, com o empenho, a dedicação e o estímulo que promoveu em toda a sua actividade para o trabalho progredir, o recrutamento de militantes e a expansão da ASP, concorreram de forma decisiva para a criação das condições necessárias que levaram à fundação do Partido Socialista.

No Congresso da fundação, organizado sob sua responsabilidade, apresentou dois documentos: Política Interna da ASP e Problemas de Organização. É certo que são documentos datados, mas onde não falta espaço para alguma presciência política quando reflecte sobre o futuro, admitindo o derrube do regime fascista pelas forças armadas. Regista-se também a sua preocupação ideológica de uma comunidade solidária e fraterna ao afirmar “… não aceitar nada que possa comprometer a construção, embora por fases sucessivas, da sociedade socialista”.

Após a Revolução redentora dos militares de Abril, Tito Morais regressou a Portugal depois de 13 longos anos no exílio, não se deslumbrou por cargos de prestígio social e colocou todo o seu empenhamento na organização do Partido Socialista. Como 1º Secretário Nacional ficou instalado na sede nacional, dirigiu múltiplas áreas políticas e formou equipas que, sob sua orientação, implementaram o Partido a nível nacional.

Tito de Morais continuou a servir o Partido Socialista exercendo vários cargos, de que se destacam, a nível institucional, o de Presidente da Assembleia da República, e a nível partidário, o de Presidente do Partido Socialista. O ex-exilado, exercendo então funções do maior prestígio nacional, continuou igual a si próprio, na sua modéstia e integridade. Manteve-se durante toda a vida como o guardião dos valores do socialismo, e encontramo-lo, em Maio de 1992, no seu “Portugal Socialista”, a escrever: “Vem-se acentuando no seio do Socialismo democrático a tendência de, por razões eleitoralistas, se adaptarem os modelos neoliberais existentes que vão tornando os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e, para mascararem esta tendência, afirmam que se trata de uma ‘MODERNIZAÇÃO’.”

Estas breves notas, de apenas alguns aspectos relevantes da acção política de Tito de Morais, são suficientes para o colocar na galeria da História do Socialismo em Portugal, como vulto do maior destaque que não se poupou a esforços na luta contra a ditadura, para a edificação do Partido Socialista e a institucionalização da Democracia em Portugal.

Tem sido para mim uma grande honra e forte emoção participar nesta bem merecida homenagem a Tito de Morais, com quem tive o privilégio de colaborar como companheiro de exílio, como camarada e como amigo.

A melhor homenagem que devemos prestar a Tito de Morais é prosseguir na defesa dos valores do Socialismo Democrático de que ele sempre foi porta-voz.

José Neves



publicado por CCTM às 20:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Poder imaginar Tito de Morais com cem anos a partir da memória de há trinta e seis é um exercício difícil para quem com ele partilhou a energia verde do olhar e vermelha dos cravos, da solidariedade e da fraternidade que sempre distribuiu a quem com ele se cruzou.

Imaginar o País que ele queria e por quem nunca vacilou no seu querer, é colocarmo-nos num patamar de progresso social e económico ao nível das democracias sociais da Europa do norte, modelo de desenvolvimento que o Tito ambicionava para o Portugal moderno, afastado da miséria e da desigualdade contra a qual lutou e que lhe custou a diáspora, o exílio, a prisão, a tortura e o afastamento dos seus.

Imaginar a civilização e a cidadania que Manuel Tito queria, quando se bateu no Governo pelos direitos dos trabalhadores e na Assembleia da República pela dignificação pela ética, pelo trabalho, pelo esforço e pela humildade dos representantes do povo, é entender a lógica e a determinação, que alguns apelidavam de teimosia, de um pensamento claro e dirigido ao serviço público, à abnegação, à valorização da coisa política e do bem comum.

Esta Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais teve por objectivo promover um conjunto de acções que convocassem a memória para os princípios de um dos homens que, no Século XX, foi dos maiores impulsionadores do regresso de Portugal à democracia europeia e um dos lutadores para que todos os cidadãos tivessem as mesmas oportunidades e se pudessem expressar e agir em liberdade.

Para desenvolver o meu trabalho na Comissão Executiva tive de manipular documentos que não via há anos, imagens que me recolocaram no século passado, informações que já são história e a partir daí projectar, como o Tito fazia, um futuro que sendo presente fica muito aquém do futuro que ele projectava numa visão correcta do conceito de liberdade.

Tito sabia que liberdade não era uma abstracção nem um valor teórico e de retórica. Tito defendia que a Liberdade tinha de ser “para fazer” e que só há liberdade para fazer quando o saber não é ignorância, quando a cultura não é desconhecimento e quando os movimentos, a imaginação e a criatividade não estão restringidos pela miséria, pelo desemprego e pela desigualdade de oportunidades.

Recordar Tito de Morais não é um retorno ao passado mas uma projecção na sociedade que ele defendeu toda a vida com determinação frontal e é acompanhar a visão de progresso social e económico baseada nos seus conceitos de integridade intocável, por impoluta, e na honestidade do pensamento e da acção.

Foi uma honra ajudar a não deixar que o seu exemplo se perca na voraz superficialidade dos dias que correm. É um orgulho ter sido seu colaborador nos momentos de poder que a liberdade permitiu ao povo atribuir-lhe por voto secreto e universal. Poder que, sou testemunha, sempre usou em prol do bem comum e com a ambição de proporcionar a quem o investiu, retorno de justiça e de bem viver.

Esta viagem a Tito de Morais é uma passagem geracional de testemunho. É um apelo aos jovens para que compreendam que sem os valores universais dos direitos da humanidade que guiaram a sua vida, o futuro não tem sentido.

Como ele sempre fez e assinou, deixo-lhe este testemunho solidário e fraterno com um apertado e afectuoso abraço do camarada e amigo.

Luís Novaes Tito
Coordenador da Comissão Executiva das CCTM



publicado por CCTM às 12:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Foi em Angola que pela primeira vez ouvi falar de Tito Morais, da coragem com que se opôs à matança de africanos na sequência do 4 de Fevereiro, da sua posterior prisão e transferência para Lisboa. Mais tarde, estando eu no corredor do isolamento da prisão da PIDE, em Luanda, ouvi, uma noite, uma estranha emissão de rádio cujos ecos me chegavam dos gabinetes dos agentes da PIDE, perto da minha cela.

Uma voz feminina e uma voz masculina. Falavam da luta contra o fascismo e a guerra colonial, por um Portugal livre e democrático. Soube depois que era uma nova rádio da resistência, sediada em Argel, a Voz da Liberdade, emissora da Frente Patriótica de Libertação Nacional. A voz feminina era a de Stella Piteira Santos, a masculina de Tito Morais, que viria a encontrar em 1964, precisamente em Argel na Voz da Liberdade.

Impressionou-me a sua elegância, a sua serenidade, a sua firmeza de convicções. Estava acompanhado de grande parte da família de que era um patriarca. A sua casa estava sempre aberta para receber quem precisasse e à sua mesa havia sempre lugar para os exilados mais desamparados.

Era um cavalheiro e um resistente. Desde que nos conhecemos começou a falar-me da necessidade de se construir um Partido Socialista. Nessa altura, ele representava na FPLN, a Resistência Republicana e Socialista. Mas a sua convicção era que, sem um Partido Socialista, não seria possível derrubar a ditadura. Mais do que um objectivo, era quase uma obsessão. De certo modo, sozinho, ele era já o Partido Socialista, de que viria depois, com Mário Soares e Ramos da Costa, a ser um dos principais fundadores. Mas eu recordo-o assim: Temos de fazer um Partido Socialista. Ou então, na passagem do ano, em que invariavelmente ele brindava sempre da mesma maneira: Para o ano em Portugal.

Era um voluntarista. Para ele, nunca nenhum combate estava perdido. E nenhum objectivo era impossível. Era uma força que lhe vinha de dentro, da firmeza inquebrantável do seu ideal socialista e da sua irredutível oposição ao fascismo e a qualquer forma de opressão e exploração.

Partiu para Roma para abrir caminho à formação do seu Partido Socialista. Aí, com a solidariedade dos socialistas italianos e a colaboração dos seus camaradas, começou a publicar o Portugal Socialista, que de Roma vinha para o interior do país e começou a funcionar como um elo de ligação e um factor de organização.

Estivemos juntos em Roma, na Conferência Europeia dos resistentes antifascistas.

Mas foi depois do 25 de Abril que a nossa amizade se estreitou ainda mais e se tornou indestrutível. Foi em grande parte por ele, pelo António Arnaut e pelo meu cunhado António Portugal que acabei por ingressar no Partido Socialista, que ele, como eu, escrevia sempre por extenso.

Consideravam-no teimoso. E era. Mas por fidelidade ao seu entendimento do que devia ser o Partido Socialista. Se estivesse convencido da sua razão, ninguém o conseguia demover.

Recordo três episódios em que, como em muitos outros, estivemos lado a lado.

Suspendemos o mandato de deputado por 15 dias, para não votarmos a primeira revisão constitucional, como protesto pelo facto de não se respeitar uma negociação feita com o MFA no sentido de, antes da votação, ser prestada homenagem à coerência com que os militares de Abril cumpriram a promessa de devolver o poder aos representantes do povo democraticamente eleitos.

Num congresso do Partido Socialista, em que se apresentou uma proposta de revisão do Programa do partido, feita à pressa e sem consistência, nós apresentámos uma moção contra, assinada por nós os dois.

Defendi a moção na tribuna e o apoio manifestado pelos congressistas tornou claro que a nossa moção seria vencedora. Mário Soares considerou que tal seria desastroso para a preservação do governo do Bloco Central e disse-nos que se a nossa moção fosse aprovada, ele tinha que se demitir de Secretário-Geral. E então o Tito retirou a moção. Por muito grandes que pudessem ser as suas divergências pontuais com Mário Soares, ele considerava, como eu também, que, naquele tempo, a presença de Mário Soares à frente do Partido Socialista era indispensável, não só para o partido, como para a própria consolidação da democracia.

A certa altura houve uma aproximação com aquilo que considerávamos a “ala tecnocrática”. Com razão ou sem ela, fomos contra. Tito, Jaime Gama, José Luís Nunes, Carlos César, Jorge Campinos, alguns outros. Reunião terrível, na Cooperativa dos Pedreiros, no Porto. Saímos do Secretariado. Mais tarde o novo Secretariado entraria em conflito com Mário Soares quando este retirou o apoio a Eanes e se auto suspendeu de Secretário-Geral. Tito veio ter comigo e com Almeida Santos e foi peremptório: temos de apoiar o Mário. E apoiámos, nós três e poucos mais. Pelas mesmas razões de sempre: a autonomia política do Partido.

Podia contar muitos mais episódios de divergências e convergências. Mas o que fica de Tito é o retrato de um homem de um só rosto e um só parecer.

Um socialista praticante. Um resistente. Um homem que viveu sempre do lado esquerdo da vida. Nas ideias e na prática. E também na amizade. Sem nunca deixar de ser um gentleman.

Manuel Alegre



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Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais O centenário do nascimento do nosso querido Tito, em Lisboa, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, a 28 de Junho de 1910, três meses antes da Revolução que implantou a República, identifica uma data que tem de ser comemorada, pela dimensão do Homem, cujo nome e obra, se pretende, possam continuar bem vivas em todos nós.

Para quem com ele conviveu, com maior ou menor proximidade, recordamos a homem que nunca recuou perante desafios, reflectindo uma solidariedade que sempre exerceu, a Liberdade pela qual combatia e a enorme coragem que o caracterizava.

A sua memória não pode perder-se. É nosso dever dá-lo a conhecer.

Fui solicitado a produzir para “O República” em Novembro de 2001, um testemunho que referisse o facto de ter tido lugar a atribuição, pela CML, do nome Tito de Morais a uma Rua na Cidade na Freguesia da Charneca. Referi a sua localização num Bairro Novo – “que fora construído sobre coisas doridas que se tinham passado na nossa Lisboa” e, dirigindo-me ao Tito, acrescentei que aquela homenagem toponímica, passados muitos anos, levaria os miúdos que por lá brincavam a interrogar-se sobre quem fora o Tito de Morais?

E assim seria sempre, e sempre alguém poderia responder que fora “um Homem grande” que deixara nesta cidade a “riqueza que construira, a imagem de simplicidade com que vivera e a liberdade que consquistara”.

Acrescentei, que aqueles miúdos iriam esquecer, mas que outros iriam de novo perguntar quem fora o Tito de Morais e, sempre que tal acontecesse, ele iria viver de novo, e os homens no futuro só se iriam lembrar vagamente que estivera entre nós um Homem-bom, que nos deixara no fim do século XX, mas, naquela rua, ficaria um sentido e uma intenção.

A História, essa, conclui, iria fluir despreocupadamente, desligada de tantos que tornaram a vida mais fácil e que só aqui, e ali, a toponímia recordaria. E um dia, de novo, um miúdo se interrogaria sobre quem fora o Tito de Morais.

Esta comemoração do centenário do seu nascimento é por isso um acto necessário, um testemunho de reavivarmos um passado. É um acto de justiça e de reconhecimento.

Conheci o Tito, teria eu os meus treze anos, passava as férias em Almoçageme, tornara-me amigo dos seus, então, cinco filhos. Era um homem impressionantemente dotado da capacidade rara de nos avaliar, adivinhando as nossas intenções. Era o ídolo daquela juventude, e todos nós sentíamos o seu sentido de fraternidade e a imensa capacidade de conquistar a admiração e amizade, apesar de então só vagamente termos conhecimento do que representava, da sua estatura política, do sacrifício do seu passado recente. Mantive sempre uma admiração profunda pelo Homem e fui conhecendo o Político pouco a pouco.

Mais tarde, muito mais tarde, o Tito, depois de muitas vezes ter sido obrigado a abandonar as suas funções, acabou por se fixar em Angola onde exerceu, como profissional, a sua actividade. De Angola partiu para Portugal em 1961, com residência fixa em Lisboa. Partiu depois para França, autorizado pela PIDE. Mas, impossibilitado de conseguir emprego, acabou por ir para o Brasil e, em 1963, instalou-se em Argel onde participou na fundação da Rádio Voz da Liberdade. Em 1964 fundou em Genebra, na qualidade de dirigente da Junta de Salvação Nacional, (Órgão executivo da FPLN), a Acção Socialista Portuguesa com Mário Soares e Ramos Costa.

No dia 25 de Abril estava em Bona, tendo voltado a Portugal no comboio que partiu de Paris na companhia do Mário Soares e do Ramos Costa.

Os filhos, entretanto, foram pouco a pouco abandonando o País e, finalmente, voltaram no 25 de Abril. Retomamos os contactos e, tendo o Tito aceite exercer funções no 6ºGoverno Provisório, aceitei imediatamente ser o seu Chefe de Gabinete e dediquei-me, com enorme satisfação, a servir directamente um Homem que continuou a dedicar a Portugal a sua imensa capacidade, ajudando a ultrapassar um período difícil da sua governação e suscitando dos seus pares uma admiração que importa ser salientada.

Exerceu nessa qualidade com uma coragem, competência e enorme imaginação, num período da nossa História em que era necessário travar o desemprego, uma função, em que a mudança de procedimentos na política de emprego deixou uma marca assinalável. Foi por isso e também, como Governante, um Homem que se soube impor, e o resultado foi indiscutivelmente de uma qualidade que desejaria hoje ver exercitada, agora que, como então, há problemas que têm de ser ultrapassados.

Mas o desempenho dos cargos que o levaram o Tito de Morais até segunda figura da hierarquia dos Órgãos de Soberania em Portugal, não constituíram um percurso de reconhecimento da sua dedicação à coisa Pública, por todos reconhecida, foram antes o reconhecimento da qualidade do desempenho de um Homem que sabia compreender e gerir as situações, que intuía o que fazer e quando o fazer e, principalmente, que se dedicava e amava a sua Terra e queria responder aos problemas sem afastar as gentes.

Compreendi melhor quando, no Cemitério de Cascais lhe foi recentemente prestada uma homenagem e o Almeida Santos, num curto improviso concluiu, que não foram os políticos que não acarinharam o Tito quanto o merecia, o Tito, afirmou, seria aquilo que quisesse e fora sempre aquilo que escolheu ser. Era um Homem livre, que quis, durante toda a sua vida, ser livre e fraterno.

Obrigado Tito. Talvez nos vejamos dentro de algum tempo.

Manuel van Hoof Ribeiro



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Relembrar o meu Pai é para mim simultaneamente relembrar a sua personalidade e o seu pensamento político.

Homem corajoso e determinado que se entregava, de alma e coração, às causas em que acreditava, homem que desde a sua juventude sentiu o peso da ditadura e das atrocidades cometidas por esta.

Desde sempre tivemos uma ligação de grande cumplicidade. Bastava um olhar. Tudo ficava iluminado. Emanava uma força inesgotável que abria caminhos e ao mesmo tempo nos confortava.

A instauração da democracia e do socialismo em Portugal, a construção de um país melhor, mais justo e fraterno foram as bandeiras por que sempre lutou.

Nunca vacilou, nunca perdeu a esperança, mesmo nas ocasiões mais difíceis que atravessaram a sua vida.

E muitas houve. Preso três vezes, obrigado a ir trabalhar para Angola em resultado das suas opções políticas, que o levaram igualmente mais tarde ao exílio, o meu Pai teve de deixar para trás os pais e os filhos.

Esta separação forçada da sua família e da sua terra nunca apagou nele o amor que lhes tinha, mais, deu-lhe força redobrada para lutar.

O 25 de Abril de 1974 foi o dia da glória. Os capitães de Abril concretizaram os anseios dos portugueses, deram forma ao combate que milhares de democratas, anti-fascistas e anti-colonialistas travaram durante quase cinco décadas.

Para o meu Pai foi também o reagrupamento familiar. Juntou-se aos filhos, aos netos e depois aos bisnetos, alguns dos quais chegou ainda a conhecer.

Foi um “verdadeiro chefe de clã”, agregando todos à sua volta, com o seu humanismo, marca indelével da sua personalidade.

“ (...) eu sei que dei tudo o que me foi possível para se formar em Portugal um Partido Socialista e para se derrotar o fascismo. Coloquei como prioritário na minha luta política, este objectivo”, diria o meu Pai no discurso que proferiu na Homenagem Nacional que lhe prestaram em 30 de Novembro de 1996.

Na ocasião, recusou o carácter pessoal da homenagem e assumiu-a como tendo sido escolhido como símbolo da luta travada e a travar pela liberdade, pelos direitos humanos, pela construção de uma sociedade socialista.

Esta modéstia e desprendimento eram também uma característica sua, que muito orgulho nos dava. E é um grande orgulho para mim ser sua filha.

O meu Pai foi um homem fiel à República, à Democracia e ao Socialismo até ao fim da sua vida. Quando se avizinhavam coligações com a direita, a sua palavra fazia-se sempre ouvir.

No discurso já citado pode ler-se que “é necessário fortalecer o campo de acção que passa pelo fortalecimento do Partido e pela escolha dos aliados”. “Estes só os poderemos encontrar na esquerda, que embora tenha de ser renovada tem princípios intocáveis”, afirmou na ocasião.

Manuel Tito de Morais foi um altruísta. Manuel Tito de Morais foi um democrata.

Maria Carolina Tito de Morais
Presidente da Comissão Executiva das CCTM



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Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Mantém-se na nossa memória, como carácter firme e um homem de princípios inabaláveis. Manuel Tito de Morais nunca vacilou perante os obstáculos que as escolhas da sua vida lhe colocaram pela frente. Nascido quando nasceu a República, juntou ao ideal republicano a vontade de liberdade, igualdade e solidariedade, ao lutar, onde estivesse, pelo socialismo democrático. Não se importou com os rendimentos ou com as comodidades do viver, com a segurança de um emprego ou com a doce convivência da família, quando era preciso partir.

Sempre admirei Tito de Morais, mesmo antes de ter tido a honra de com ele trabalhar na Assembleia da República. A sua dimensão política impressionante fez dele um ícone da democracia que ajudou a conquistar e a manter para os portugueses. Ele é, justamente, um vulto entre aqueles “que por obras valorosa se vão da lei da morte libertando”, como disse o Poeta.

Tive, por isso, imensa sorte em ser por ele convidada para exercer as funções de secretária-geral do nosso Parlamento. Esse contacto mais estreito não só com o político mas com a pessoa que Manuel Tito de Morais era, permite-me realçar, com amizade e admiração, uma faceta mais pessoal do grande homem. Quase contraditório com o que foi a saga da sua vida, as dificuldades que, a qualquer, um teriam abatido ou azedado o temperamento, em Tito de Morais, tal como o conheci, não apagaram a generosidade não diminuíram a complacência, nem obscureceram uma peculiar elegância de atitude que lhe veio, certamente do berço.

Já admirava Tito de Morais, antes de 1983, ano que foi eleito Presidente da Assembleia da República e me convidou para trabalhar neste órgão de soberania.

Num tempo em que as mulheres tinham ainda acesso restrito e grandes dificuldades em aceder a postos de direcção, marcadamente masculinos, segundo as mentalidades então vigentes, foi algo de muito inovador, direi mesmo, corajoso, nomear uma mulher para aquelas funções. Não admira que tal facto tivesse causado surpresa no nosso Parlamento e, igualmente, nos círculos parlamentares internacionais pois, até aquele ano, nunca nenhuma mulher fora nomeada como secretária-geral parlamentar.

Ao comemorarmos o centenário do nascimento de Tito de Morais não quis deixar de assinalar este pequeno mas significativo episódio. É justo que a sua história pessoal registe em que variados pontos Tito de Morais marcou a diferença. Na questão da igualdade de género, ele foi, mais uma vez, coerente com os seus princípios, demonstrando em actos concretos o que valia, para ele, o conceito de democracia e de igualdade.

Como Presidente, desempenhou um papel de reformador da maior importância, nada escapando ao seu olhar, preocupado e ao seu desejo de dignificar a Assembleia. Vivia-se ainda um período um tanto conturbado. Pouca preocupação tinha existido, até então, com o aspecto interior e exterior da casa parlamentar. Por isso, no que à Administração dizia respeito, Tito de Morais, sem tempo a perder, tudo começou a restaurar e reformar. Nem os tectos e soalhos, nem os móveis e cortinados, nem os uniformes do pessoal, escaparam à sua preocupação. Foram também iniciados novos estudos para a reestruturação dos serviços e realizadas diligências para o alargamento dos espaços, visando criar mais comodidade ao trabalho dos Parlamentares.

No curto tempo que durou o seu mandato, Manuel Alfredo Tito de Morais prestou, sem dúvida um relevante serviço ao Parlamento e ao seu País.

Maria do Carmo Romão



publicado por CCTM às 15:00
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Documentário sobre a vida de Tito de Morais a passar na RTPi (internacional), hoje, dia 07 de Julho de 2010, às 23:00 horas.

Pode igualmente ver o vídeo oficial da promoção (diferente do publicado neste Blog) e o teaser banda sonora no site da Panavídeo.

Sinopse



publicado por Luis Novaes Tito às 11:14
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais A Biografia de Manuel Tito de Morais está fixada a partir da magnífica entrevista de Maria José Gama publicada na Acção Socialista em 6 de Maio de 1991. Terá sido, talvez, a última oportunidade de colher através dessa conversa factos e feitos da sua vida particular e política. Devia ter 81 anos e bem presentes os acontecimentos em que participara depois do 25 de Abril, quando já eram decorridos dezassete anos da Revolução. Ainda teria mais alguns para viver e para acompanhar a evolução da vida política portuguesa.

Nascido em 1910, estava na casa dos sessenta quando regressava a casa em Liberdade, depois de vários exílios e prisões. Foi comovente, para quem era um pouco mais novo, participar nesse seu primeiro encontro com a sua terra libertada e dar-lhe um primeiro abraço em nome da Revolução.

Era a madrugada de 28 de Abril de 1974. Fazia frio, uma neblina gelada, e os poucos soldados que patrulhavam a estação fronteiriça cobriam-se com cobertores – o que lhes dava um ar pouco militarizado, de quem estava ali provisoriamente, sem saber muito bem o que estava a fazer. Mais formal, o Chefe da Estação, que durante anos da sua vida recebera o SUD-Expresso de Paris, ao ver tanta gente importante àquelas horas, informava-se sobre quem seriam os viajantes desse comboio especial.

O aeroporto de Lisboa fora fechado e o grupo da Oposição da Guarda, de Viseu e de Castelo Branco ouvira as noticias via BBC e sabia que Mário Soares regressava de comboio. Eu própria falara com o João Soares que confirmara, mas não sabíamos quem mais vinha nesse comboio. Então, com meia dúzia de telefonemas, foi fácil juntar um grupo de amigos que ali estava a receber em festa os exilados. Para eles a surpresa foi total. Encerrados num comboio durante um dia e uma noite, mostravam uma enorme ansiedade por notícias. Perguntavam pelos jornais... E foram ao bar da estação tomar um café com leite. Foi ali que conheci o Tito. Depois o comboio partiu. Da chegada a Lisboa, a Santa Apolónia, todos os jornais deram testemunho. Era o primeiro banho de multidão.

Mas antes disso, os comboios cruzavam-se em Mangualde, onde seria fácil obter os jornais que vinham de Lisboa. Fizemos a viagem de carro à velocidade do comboio e a tempo de entregarmos aos nossos amigos os tais jornais que traziam as últimas notícias dos três primeiros dias da revolução. A onda alta de acontecimentos e entusiasmos manteve-se durante uma semana. A partir do 1 de Maio tudo começou a ser difícil, pesado, politizado, enviesado, duro, preocupante.

De todos era o Tito de Morais o que me parecia mais preocupado. Quem sabe o que lhe ia pela cabeça? Talvez a "organização" do Partido Socialista, pois logo no primeiro momento combináramos uma ida a Lisboa para "começar a trabalhar". Assim se fez, e foi com o Tito que sempre me encontrei para resolver questões de organização, das fichas de inscrição até ao primeiro convite para ir à Guarda inaugurar a sede de trabalho do Partido Socialista, onde os espanhóis vinham buscar papeis, eles, ainda clandestinos, a viverem a nossa alegria. E Tito ali esteve para o primeiro comício no Liceu Nacional da Guarda, onde se reuniram seis mil pessoas, num ambiente muito quente e desde logo contestatário, entre várias direitas e várias esquerdas, dando indicações de que os próximos votos, os primeiros em Liberdade, se iriam dividir igualmente pelo PS, PPD e CDS. Era a Beira interior e o velho medo dos comunistas a funcionar. Era a voz dos "retornados" que ainda diziam "Angola é nossa". Eram os "velhos" homens da oposição hesitantes entre Socialismo e Democracia... Era o Portugal do fim do Estado Novo, que nas Beiras foi mais resistente do que na grande cidade. Longas histórias que ainda não estão escritas. E o Manuel Tito de Morais teve uma intuição muito esclarecida perante estes problemas que o Partido Socialista enfrentou com enorme determinação.

Mais tarde, eu própria quis conhecer mais profundamente o pensamento político do Tito – e esse encontrei-o através da enorme maratona que foi manter a edição do Portugal Socialista, escrito em Itália, sobrevivendo sabe-se lá como. Não cabe neste texto mais do que esta referência, mas fica o convite para quem quiser fazer esse trabalho: a génese do Partido Socialista, as suas raízes ideológicas, a convicção do futuro, estão nesse jornal que o Manuel Tito de Morais orientava, coordenava e escrevia do exílio. A edição de uma colectânea dos seus textos políticos seria bem vinda, neste centenário, para se entender a formação política e ideológica dos homens que sempre contestaram a ditadura e tiveram forças e inteligência e lutaram em todos os campos para realizarem a primeira obra da Liberdade, a Constituição de 1976, como foi o caso de Manuel Tito de Morais. Porque sem ideias não há convicções e sem ambas não haverá Revolução.

Maria Helena Carvalho dos Santos



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Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Conheci o Engenheiro Tito de Morais há várias décadas, morava ele ainda no Campo Grande onde sua saudosa primeira mulher e eu nos encontrava-mos passeando os nossos filhos. Foi, portanto, uma amizade que vem de longe e que se foi reforçando com os tempos e o convívio político.

Recordo-o em Roma, exilado, onde apaixonadamente cuidava do Portugal Socialista que ia dando aos portugueses, também exilados e a todos os outros que comungavam das mesmas convicções políticas, notícias do que se passava no país – então dominado pela ditadura – dos esforços e sonhos concebidos pelos que lutavam por um regime de liberdade onde quer que se encontrassem, dentro e fora dele.

Foi, portanto, um militante sempre activo no anseio e combate pelos direitos humanos e pela implantação da Democracia em Portugal. Esteve em Bad Münstereifel com um pequeno grupo de exilados e de portugueses que vieram disfarçadamente de Portugal fazendo, por isso, parte do núcleo histórico que fundou o Partido Socialista.

Com ele partilhamos o entusiasmo e a emoção da notícia da Revolução de Abril que trouxe ao nosso país a Democracia, o respeito pelos Direitos Humanos e a Liberdade.

Tito de Morais, pela sua coragem, pela constância e determinação da sua luta contra a ditadura conquistou um lugar na história do nosso país.

Maria de Jesus Barroso



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Todo o programa das Comemorações do Centenário de Nascimento de Manuel Alfredo Tito de Morais envolve um relevante significado dada a justa Homenagem que se presta à sua luta constante, empenhada e determinada, que sem tréguas travou pela implantação da Liberdade em Portugal.

Contudo não posso, nem devo, deixar de salientar a importância que representa esta Edição Especial do Portugal Socialista. Considero-a um dos pontos altos, porque se traduz numa colectânea de textos escritos, por quem o conheceu efectivamente, dando-se assim testemunho da sua vida quer familiar quer política, pois ambas permaneceram indissociáveis.

Muitos dos testemunhos aqui publicados foram escritos por protagonistas da Revolução de Abril, mas todos eles, transmitirão às jovens gerações a memória da acção que foi necessária implementar para que a Revolução dos Capitães não tivesse sido em vão e se garantisse a necessária estabilidade democrática. Por outro lado, não menos importante, trata-se de editar o Órgão Central do Partido Socialista fundado e lançado exactamente por Tito de Morais na clandestinidade. Nessa ocasião editar e distribui-lo em Portugal foi uma temeridade e foi um marco histórico.

Ao regressar, a calorosa recepção do País a Tito de Morais, Mário Soares e Ramos da Costa, bem presente na nossa memória, poder-se-á considerar como a 1ª Homenagem prestada por toda uma Nação agradecida e consciente.

Esta comunhão de sentimentos, profundamente contagiante, ficou espelhada na foto que lhe foi tirada à chegada e onde está bem patente a sua grande felicidade. Tito de Morais até parecia ter esquecido o seu passado difícil e conturbado. Como as perseguições, as prisões e o exílio que o obrigaram a sacrificar uma promissora carreira profissional, na sua qualidade de engenheiro, bem como a tranquilidade do lar.

A par da política dirigia o seu carinho e encantava-o a família que gostava de ter junto de si, certamente para compensar os anos em que isso bastas vezes lhe foi negado pela força das circunstâncias de resistente anti-fascista. Felizmente este seu legítimo sonho encontrou eco nos familiares e foi de tal forma conseguido e evidente que, curiosamente, sempre se considerou a Família Tito de Morais como um verdadeiro “clã”, no sentido mais nobre da expressão.

Por vezes no nosso imaginário criam-se mitos que se desvanecem ao privar-se de perto com os visados. No entanto, com Tito acontecia precisamente o contrário. Todos, que de qualquer modo tivemos o privilégio de consigo colaborar, considerávamos que à medida que mais privávamos e melhor o conhecíamos mais aumentava o nosso respeito e admiração. Recordamo-lo, segundo as diversas áreas de intervenção, como uma personalidade humanista de grande carácter e integridade que pôs a sua inteligência, cultura, saber e enorme capacidade de trabalho ao serviço do seu país, o qual amou intensamente. A sua preocupação e principal objectivo, antes e após o 25 de Abril, visava designadamente o desenvolvimento social e económico.

Jamais se coibiu de alertar com frontalidade e de manifestar a sua discordância, quando era caso disso. Expressava as suas críticas e apresentava sugestões alternativas. Procurava o diálogo. Argumentava dando a conhecer o seu pensamento analítico. Guiava-o a firme ambição de que efectivamente se concretizasse a prática dos valores republicanos de Justiça, Igualdade e Fraternidade.

Tito de Morais, que foi, é e será sempre uma grande referência, permanecerá na memória colectiva e nos nossos corações.

Maria José Gama



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Manuel Tito de Morais faria cem anos no dia 28 de Junho. Para mim, e creio que para todos os que o conheceram, será sempre intemporal…uma referência no nosso imaginário colectivo, um exemplo de coragem e de determinação.

Mas o "camarada Tito", como tantas vezes ouvi referenciar, era muito mais do que isso, porque sempre usou essa coragem e determinação para o bem comum, não cruzou os braços inconformados, quis mudar o futuro.

Um futuro sem grilhetas, sem mesquinhez, sem injustiça, um futuro digno dos valores republicanos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade era a razão do seu inconformismo e da sua luta.

Tito de Morais faz-nos ter orgulho num partido que foi o seu, de que foi um dos fundadores em tempos difíceis, de clandestinidade e de exílio. E a História nunca lhe fará suficiente justiça, porque a sua abnegação e entrega à luta pela liberdade será sempre incomensurável.

Como medir o sofrimento de um homem a quem privam da liberdade por, justamente, lutar por ela?

A riqueza interior de Tito de Morais revela-se na sua capacidade de resistência, mas também na sua entrega a causas públicas e políticas, hoje tendencialmente desvalorizadas por uma sociedade cansada de ser intoxicada com causas mesquinhas, que nos toldam a memória.

Também por isso, o exemplo de vida e a luta política de Manuel Tito de Morais deveriam dar-nos a exacta noção do quanto lhe devemos, porque são testemunhos de como a grandeza de homens e de mulheres que acreditaram na mudança e na justiça das causas que fizeram suas, moldaram a democracia que hoje temos e que devemos continuar a aperfeiçoar. O seu legado obriga-nos a estar atentos e atentas, a não pactuar com a indiferença, a não trair a sua memória.

Manuel Tito de Morais foi digno da revolução de Abril que o viu regressar a Portugal, após anos de exílio político activo, foi um Deputado brilhante, logo na Assembleia Constituinte, e presidiu a este órgão de soberania com o mesmo sentido de dever cívico com que integrou o VI Governo Provisório e o I Governo Constitucional, de que Mário Soares foi o Primeiro-Ministro.

Não deixou de militar activamente no Partido Socialista, de que também foi presidente, consciente de que este era crucial para consolidar a democracia e governar Portugal em tempos difíceis e tão exigentes.

Foi, acima de tudo, um homem íntegro e justo que compreendeu os desafios do seu tempo. Cedo entendeu que a qualidade da nossa democracia passava pela envolvência e participação das mulheres na vida pública e política. Sabia que o futuro, a modernidade, o desenvolvimento, teriam que contar com as mulheres. Sempre soube que elas estiveram também na primeira linha de todos os combates políticos e de todas as causas humanistas.

Tito de Morais vai ser homenageado pelo Partido Socialista e pela Assembleia da República. É de toda a justiça. Ao acarinhar a sua memória, tornar-nos-emos, nós próprios, mais ricos.

As suas lutas, as causas por que toda a vida se bateu foram suas, mas tiveram sempre como destinatários os seus concidadãos, os outros, mesmo os que desdenharam, perseguiram ou tentaram contrariar a sua perseverança.

Um desprendimento assim não se esquece, não se apaga, não se esconde. Manuel Tito de Morais foi um socialista de inestimável valor, um homem de corpo inteiro, um democrata que a jovem República viu nascer.

Hoje, cem anos depois, os tempos são de memória, para nós que o conhecemos, mas também para tantos outros, para os jovens e menos jovens que não se conformam com a injustiça e para quem os valores da república e da democracia já fazem parte da sua idiossincrasia.

Hoje, cem anos depois do seu nascimento, façamos desta homenagem a Manuel Tito de Morais um motivo de alerta, para nunca descurarmos os valores pelos quais lutou. Honramos um homem que se bateu, com coragem e determinação, contra a indiferença, contra o conformismo!

Maria Manuela Augusto
Presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas



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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Manuel Alfredo Tito Morais Memória de um Amigo Tito Morais foi-me apresentado em Paris por Mário Soares, num fim-de-semana de reuniões políticas no âmbito das actividades da então Acção Socialista Portuguesa, organização que precedeu e deu origem ao Partido Socialista actual.

Estávamos na segunda metade dos anos sessenta, ainda com Salazar no poder, a guerra de África já instalada nas três colónias de Angola, Moçambique e Guiné e uma repressão política violenta e selectiva.

Os jovens eram mobilizados em massa para a guerra e a oposição na Universidade, após um auge de movimentação estudantil na crise de 62 e nas lutas de 65, estava decapitada pelas prisões e exílios que dizimaram o movimento. Cá dentro, os que escaparam, tentavam reanimar o movimento estudantil mantendo as Associações dos Estudantes em funcionamento e mesmo com algum desenvolvimento nas suas actividades desportivas, pedagógicas, turismo estudantil e sociais. A coordenação inter-associações foi-se mantendo a nível local e nacional e em 67 organizou-se em Lisboa a primeira grande manifestação em Portugal contra a guerra do Vietname.

Mas o regime estava sólido, as Forças Armadas cumpriam a sua missão com lealdade ao poder político e longe estávamos da convicção generalizada que a guerra não era solução para o problema colonial.

Pela parte da Acção Socialista, era defendida uma abertura imediata de negociações com os movimentos de libertação, com compromisso dum caminho da auto-determinação e independência, caso fosse esse o desejo livre dos respectivos povos.

Tito Morais, o Tito como todos os mais chegados lhe chamávamos, não tinha qualquer dúvida que a solução acabaria por ser uma independência total das colónias, e que a doutrina salazarista dum só País pluricontinental não tinha qualquer viabilidade nem razão moral ou histórica, inviabilizando um concerto entre países livres e independentes, multirraciais, de língua portuguesa e de culturas com profundas raízes comuns e enormes inter-influências de séculos de convivência.

Salazar parece não ter conhecido o exemplo do Brasil e esqueceu, como uma “branca” definitiva lhe tivesse dado, a vergonha do Estado da Índia, cristã e portuguesa, que por falta de visão deixou perder.

A minha amizade e harmonia com o Tito não foi difícil de iniciar. Em adolescente tinha sido amigo próximo do seu filho João Manuel, meu colega no Colégio Moderno. Perdemos o contacto pois o João Manuel exilou-se para o Brasil e estivemos sem nos ver até Abril de 74. As nossas ideias eram em geral coincidentes, ainda que muitas vezes o considerasse demasiado radical. Talvez o facto de estar exilado em Roma lhe desse uma visão mais afastada de algumas situações que eu, que sempre vivi em Portugal, analisava de forma diferente. Nos princípios era inflexível, embora razoável e conciliador na acção política concreta.

Pela geração a que pertencia, pela sua formação e pela sua vivência, era claramente um homem de esquerda, aquilo que poderíamos chamar, da grande família da Esquerda Portuguesa.

Aquela ideia hoje divulgada por muitos que as distinções entra Esquerda e Direita estão esbatidas quer pela “morte” das ideologias, quer pela necessidade da Sociedade e da Economia dum pragmatismo permanente e sempre presente em todas as grandes decisões, não tinham qualquer sentido para Tito Morais e apenas representavam uma forma nova, inteligente e insidiosa, de manter a exploração dos mais fortes sobre os mais fracos.

A minha situação profissional como quadro duma importante multinacional italiana da indústria farmacêutica fazia-me deslocar a Itália com alguma regularidade e, por vezes por períodos longos. Este facto fez com que visitasse o Tito e a Maria Emília, sua segunda mulher, amiúde. Sempre que podia dava um salto a Roma e ficava em sua casa, partilhando por alguns dias um quotidiano difícil, onde o dinheiro não abundava e, algumas vezes que por lá passei, senti mesmo que passavam mal.

Nesse tempo, no princípio dos anos 70, o Partido Socialista Italiano ajudava a Acção Socialista, particularmente na publicação do nosso jornal oficial que se chamava Portugal Socialista e que trazíamos à socapa para o interior do País.

Era Tito Morais que se encarregava de quase tudo, com ajuda da Maria Emília e do seu filho mais velho. Os artigos eram recebidos de diversas fontes de camaradas no exílio ou do interior, do próprio Tito e dum colaborador muito especial e dedicado que se chamava e chama, Mário Soares.

Mário Soares visitava frequentemente o seu amigo Tito, particularmente quando esteve exilado em Paris. Penso mesmo que terá sido quem mais o visitou nessa estadia forçada em Roma. Pelas razões atrás referidas creio bem que eu próprio fui o membro da ASP e posteriormente do PS, o português quem mais o visitou e partilhou as suas esperanças, a sua coragem e tenacidade na luta pela Liberdade em Portugal. Temos que nos organizar em todos os sectores da sociedade portuguesa, dizia, não só nas universidades e entre os intelectuais, mas também nos meios operários, nos serviços e nos meios rurais. Era sua convicção que o ideário do Socialismo em Liberdade, como lhe chamámos em 1969 ou Socialismo Democrático como lhe chamamos desde os anos 70, era maioritário em Portugal e que umas eleições livres e participadas o iriam demonstrar. Tinha toda a razão.

Pessoas como o Tito fazem falta e fazem-nos muita falta. São referências permanentes que, quando presentes nos estimulam à acção e à constante atenção na coerência dos nossos princípios com os nossos procedimentos.

Aproveitemos o centenário deste herói da Resistência e da Liberdade para revisitar os princípios que fazem grandes as nações. Os princípios da liberdade, da solidariedade e da convivência humana com tolerância, responsabilidade e respeito pelo próximo.

Pedro Coelho



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Nascido no ano da instauração da República e filho de um dos seus fundadores, o oficial da Armada e posteriormente Almirante Tito Augusto de Morais, a República estava no código genético de Manuel Tito de Morais. Mas mais do que essa condição genuína, tornou-se também uma opção consciente e racional quando, desde muito jovem, a sua vida passou a ser conduzida pelas decisões por si próprio responsavelmente assumidas.

O Engenheiro Tito de Morais foi um republicano indefectível, que não via a República apenas como uma forma de Estado assente no reconhecimento de que a soberania reside no povo e na recusa de caducos modelos aristocráticos inspirados em privilégios de casta. Associava-a também a um tipo de sociedade que tem como valores axiais a liberdade e a igualdade, isto é, direitos e deveres iguais para todos os cidadãos independentemente das suas origens. E por isso quando, ainda estudante liceal, a República foi deposta pela ditadura militar emergente do 28 de Maio de 1926 que deu lugar ao regime fascista do Estado Novo, Tito de Morais não hesitou na escolha do seu caminho, a luta pela restauração da legitimidade republicana e da liberdade democrática. Cedo começou a conhecer a repressão da PIDE, as prisões e os Tribunais Plenários.

E porque era aquele o modelo de República em que acreditava, o seu sentido de liberdade não podia limitar-se ao âmbito restrito do seu país. Para ele os valores da república eram universais pelo que, estando em Angola em pleno período colonial quando o continente africano atingia o ponto decisivo da luta dos seus povos pela libertação do domínio colonial, Tito de Morais não teve dúvidas que o seu campo era o dos nacionalistas que heroicamente se organizaram na luta pela independência e iniciaram a luta armada em 4 de Fevereiro de 1961. Preso em Luanda em condições muito difíceis, torturado, sobreviveu, porque era dotado de uma notável resistência física e anímica. Seguiu-se o exílio, em vários países da Europa, da América do Sul e Norte de África, sempre integrando as mais activas frentes da luta contra a ditadura colonial do Estado Novo. Mas, e mais uma vez porque não tinha da República e da democracia uma perspectiva meramente formal, considerando-as indissociáveis de um conteúdo mais substancial que contemplasse o desenvolvimento material, a justiça social e o enriquecimento cultural, Manuel Tito de Morais perfilhava empenhadamente os ideais socialistas e integrou o grupo mais dinâmico que fundou o Partido Socialista em 1973.

O 25 de Abril de 1974 abriu as portas para o seu regresso à Pátria, entregando-se de corpo inteiro na construção do Portugal livre, democrático e progressista que fora o objectivo de toda a sua vida. Jamais esqueceu isso e foi dos que nunca escondeu nem esmoreceu o apreço pelos jovens capitães de Abril, da mesma forma que estes nunca deixaram de reconhecer nele um dos muitos lutadores pela liberdade que, com o seu sacrifício, foram verdadeiros precursores do 25 de Abril.

Gozei do privilégio de Manuel Tito de Morais me incluir entre os seus amigos. Também eu lhe dedicava uma profunda amizade e um enorme respeito. Creio que se justifica usar o lugar comum: era, para mim, uma referência cívica. Tivemos longas conversas, a maioria das vezes em sua casa, por iniciativa de um ou do outro. Trocávamos impressões, analisávamos a conjuntura política, equacionávamos hipóteses para contrariar uma situação que cada vez deixava mais longe os ideais de Abril. Tito de Morais era mesmo, por vezes, crítico em relação ao seu partido, mas era-lhe de uma fidelidade total e nunca sequer equacionou a eventualidade de uma dissidência. O seu lugar e a sua luta era dentro do Partido Socialista, do qual foi presidente.

No Portugal de Abril Tito de Morais foi deputado constituinte, deputado legislativo, membro do governo. E atingiu o segundo lugar na hierarquia do Estado ao ser eleito pelos seus pares presidente da Assembleia da República. E, nessa qualidade, não posso esquecer um gesto simbólico, mas que no seu simbolismo o dignifica e confirma o que aqui venho dizendo da sua ligação afectiva aos capitães de Abril. Quis, exactamente na qualidade de presidente da Assembleia da República, o órgão de Estado que mais legitimamente representa a soberania popular e, portanto, a natureza democrática da República, que constitui a mais genuína expressão dos objectivos institucionais do 25 de Abril, manifestar publicamente esse reconhecimento aos militares do Movimento das Forças Armadas. Foi assim que reuniu, a seu convite e em representação do MFA, umas largas dezenas de militares num almoço que constituiu uma significativa manifestação de mútua consideração e apreço. Até porque tal aconteceu numa altura em que, com a primeira revisão constitucional que extinguiu o Conselho da Revolução – o que era para os seus membros pacífico mas que foi feito em termos pouco dignificantes –, começavam ouvir-se vozes oriundas de certos sectores políticos tentando denegrir a imagem honrada dos militares de Abril. Tito de Morais quis, corajosamente como era seu timbre, demarcar-se dessas campanhas e aderiu prontamente à Associação 25 de Abril, logo que os respectivos estatutos o permitiram.

A Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, com que foi agraciado, é a justa consagração do Portugal Democrático a um Homem cuja vida foi uma infatigável luta contra a ditadura, contra o colonialismo e, restaurada a liberdade, fez questão de se assumir por inteiro como Cidadão de Abril.

Pedro Pezarat Correia



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Domingo, 4 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de MoraisConheci Manuel Tito de Morais, pouco depois do 25 de Abril, quando das conversações do MFA com a delegação do PS, no âmbito da formação do 1º governo provisório.

Como um militar que estava a entrar nos meandros da política, preocupado com o facto de o MFA não se ter preocupado devidamente com o dia seguinte, procurando evitar que Spínola e os seus homens ocupassem o espaço vazio que o MFA não ocupara, guardo, desses primeiros contactos entre a comissão coordenadora e a delegação do PS, a imagem de um homem determinado, convicto das suas posições alicerçadas numa experiência de luta política, desenvolvida no exílio.

Lembro-me da contradição de sentimentos então vividos, entre uma presença física que se não impunha de imediato e a firme determinação na defesa de posições, que nessa altura nos pareceram exageradas. Atitude que, pela firmeza e convicção que comportava, provocou a minha admiração e consideração.

Os tempos futuros proporcionaram-nos contactos diversos, com algumas divergências de opinião, mas com muito mais coincidências que nos aproximaram e nos tornaram amigos. Recordo que, quando alguns militares me queriam provocar, apontavam o Manuel Tito de Morais como um dos meus amigos do PS...

Posso dizer que a casa do Manuel e da Maria Emília foi uma das poucas casas de dirigentes partidários que eu e a minha mulher visitámos.

Recordo momentos difíceis, onde lutámos do mesmo lado da barreira, na defesa das liberdades e da democracia.

Recordo algumas discussões que tivemos, nomeadamente quando o verberava por atitudes do PS e ele, sempre, defendia denodadamente o seu partido. Confesso que não conheci ninguém que mais defendesse o partido a que pertencia do que o Manuel Tito de Morais. Mesmo quando essa defesa era praticamente impossível...

Como recordo com emoção e respeito a atitude que o Manuel Tito de Morais e o Manuel Alegre tiveram, quando da votação da revisão da Constituição, abandonarem o hemiciclo, para não acompanharem o voto (ia adjectivá-lo, mas por decoro prefiro não o fazer) que o PS exerceu. Estava em causa a forma como os militares de Abril foram tratados, no fim do período de transição...

Mais tarde, foi para nós militares de Abril reconfortante ver a alegria com que Manuel Tito de Morais assumiu o cargo de Presidente da Assembleia da República e, como tal, decidiu homenagear os militares de Abril que, como então salientou, com a sua acção lhe possibilitaram essa realização pessoal.

No mundo cão da política, onde nunca entrei precisamente porque constatei enormes diferenças entre o que é necessário fazer para ter sucesso e o que a minha consciência consegue aceitar, o Manuel Tito de Morais foi um dos políticos que mais me marcaram, pela positiva.

Fui amigo do Manuel Tito de Morais, digo-o com o sentimento de honra que isso me provoca. Sou seu amigo e recordo-o com um enorme carinho, um enorme respeito e uma maior consideração e estima.

Portugal perdeu, com a sua morte. O seu partido perdeu imenso – oh, como seriam úteis, nos dias de hoje, socialistas como o Manuel Tito de Morais!

Saibamos ser dignos da sua memória, seguindo o seu exemplo de grande lutador pelos valores da liberdade, da paz, da democracia, da igualdade, da fraternidade, da justiça social!

Até sempre, Manel!

Vasco Lourenço



publicado por CCTM às 23:00
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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Conheci Tito de Morais num daqueles intensíssimos e indescritíveis dias que se seguiram ao 25 de Abril, em que todos os problemas do país caíam em catadupas sobre a Comissão Coordenadora do Programa com pedido de resolução. A azáfama não impediu porém que tivéssemos tido, logo ali, uma longa e aberta conversa sobre o futuro político do país. Talvez a abertura e franqueza desta sua primeira conversa tivesse sido estimulada por lhe referir ter sido professor da Escola Naval e recordar o retrato de seu pai numa sala onde estavam representados os antigos Comandantes, de conhecer alguns aspectos da sua ilustre carreira na política e na Armada e, em particular, a sua participação no 5 de Outubro.

Sensibilizado, falou-me com enorme entusiasmo de valores republicanos e logo aí pude observar a funda convicção com que os cultivava e a apologia que logo deles fez para o Portugal recém-saído da ditadura. Sabia ser uma das principais personalidades responsáveis pela organização e estímulo da heróica luta anti-fascista que durante tantos anos e com tantos sacrifícios fora travada contra o regime deposto, e por isso, perante a sua generosidade e abertura, logo o quis ouvir sobre as formas de garantir a construção de um regime democrático e de progresso para Portugal, o que constituía a principal preocupação do grupo de militares com que me relacionei na preparação política do 25 de Abril.

Foi aí, durante a conversa mantida sobre este tema, que verdadeiramente conheci e passei a admirar Tito de Morais. Na alegria transbordante com que participava na construção do Portugal livre revelava-se o homem de profundas convicções, o democrata intransigente, o militante de esquerda, para quem o socialismo é um desígnio a construir em liberdade e inteiro respeito pela pessoa humana. O homem para quem o progresso não é apenas material, mas deve também reflectir-se, na justiça, na verdade, na melhoria dos comportamentos sociais, em tudo o que possa contribuir para o aperfeiçoamento, a elevação e a dignificação do homem.

Recordo ainda vivamente, a sensibilidade que revelou aos episódios ocorridos com o programa do MFA na Pontinha, de que já tinha conhecimento, e aos nossos receios de que os militares pretendessem manter-se na política, particularmente através da Junta de Salvação Nacional; a satisfação que sentiu quando lhe chamámos a atenção para o facto do programa referir, por nossa vontade expressa, a constituição de um governo civil, que gostaríamos de ver rapidamente implantado e com poder; o clima de entendimento que logo se estabeleceu ao saber que aquele sector do movimento entendia intransigentemente que a política deve ser praticada por políticos e partidos e não por militares e a grande importância que, por isso, dávamos ao estrito cumprimento do Programa do MFA para se obterem, no tempo marcado, órgãos e políticas com legitimidade democrática.

Ficou-me gravada para sempre a reflexão que fez, com grande realismo, sobre as diferenças de organização, implantação e métodos entre os dois partidos então existentes, a análise dos riscos que então se perfilavam, acabando por afirmar a sua profunda convicção na pujança dos ideais defendidos pelo Partido Socialista, a sua inabalável certeza na capacidade de atrair militantes, de organizar o PS como grande força política nacional, capaz de obter o apoio democrático que permitisse ir construindo a sociedade de liberdade e progresso que há tantos anos ardentemente desejávamos.

Estabeleci desde então laços de confiança e respeito por Tito de Morais que mais se aprofundaram durante os tempos difíceis que o país viveu durante o verão de 1975, onde juntos integrámos o VI Governo Provisório e onde separadamente, mas com contactos e no mesmo sentido, lutámos pela vitória da democracia e da liberdade.

Por todo esse passado de estima e admiração, é com grande emoção que me associo à homenagem a Tito de Morais por ocasião do seu centenário.

Num momento tão delicado para a vida nacional deve lembrar-se ao país que também em épocas bem difíceis da história nacional, houve um patriota que, com a sua excepcional coragem pessoal e sentido de dever cívico, empenhou toda a sua vida na causa da liberdade e do progresso do seu país e do seu povo.

É bom evocar o seu contributo para a construção e consolidação da democracia do Portugal renovado pelo 25 de Abril, na qualidade de membro fundador e grande militante do Partido Socialista, de político extremamente empenhado na construção de uma sociedade de direitos, justiça e progresso e na rectidão da sua acção como Vice-presidente e Presidente da Assembleia da República.

É salutarmente didáctico, neste tempo de anemia de valores, lembrar ao país a exemplaridade da sua estatura cívica, a verticalidade do seu carácter, o sentido ético que orientou toda a sua vida, prestar homenagem ao cidadão Tito de Morais.

Vítor Crespo



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Sábado, 3 de Julho de 2010

Este blog da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais vai continuar em actividade por mais uns dias para fazer o registo de últimas informações e para que nele sejam incluídos todos os depoimentos que constam do número especial do Portugal Socialista.

Depois disso será selado, disponível para consulta, mas sem qualquer actividade.

Para todos os que interagiram connosco ficam os agradecimentos devidos e a esperança de que este espaço tenha servido (e continue a servir) como um meio eficaz de passar o testemunho sobre Manuel Alfredo Tito de Morais, a sua vida e a sua conduta.

Um grande abraço,
Luís Novaes Tito



publicado por Luis Novaes Tito às 12:00
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010
Foi com grande emoção que decorreram os trabalhos do último dia das Comemorações do Centenário de Tito de Morais. Como não poderia deixar de ser, este dia foi dedicado ao Partido Socialista que Tito de Morais "esculpiu", no dizer de Francisco Simões, ou conforme referiu José Sócrates na sessão de homenagem realizada nos jardins da Sede Nacional: "se nós tivéssemos que encontrar alguém que encarnasse o espírito e o carácter do Partido Socialista não escolheríamos melhor que Tito de Morais". (ver vídeo no Site do PS) - (ver notícia no Site do PS)
O dia foi marcado por quatro momentos:
 

CCTM - PS

A homenagem conjunta prestada pela Comissão Executiva das CCTM e pelo Partido Socialista, na qual a presidente das CCTM, Carolina Tito de Morais, e o coordenador, Luís Novaes Tito, depuseram um ramo de cravos vermelhos no busto que havia sido descerrado por António Costa junto ao muro do Partido Socialista, na passada quarta-feira, num acto da Câmara Municipal de Lisboa integrado nas comemorações.
António de Almeida Santos, Presidente do Partido Socialista, depôs igualmente um ramo de flores, em seu nome pessoal e em representação do Partido Socialista.
Foi um momento de forte emotividade.
 

CCTM - PS

O descerramento de uma placa comemorativa do centenário, na entrada da Sede Nacional do Partido Socialista. A este acto presidiram o Presidente do Partido e o Secretário-geral, José Sócrates.
Foi um momento de grande significado em que se cantou o hino oficial do Partido Socialista, a Internacional com letra de Manuel Alegre, se ergueram punhos esquerdos no fim do acto e se gritou PS, PS, toda a simbologia que Manuel Alfredo Tito de Morais sempre incentivou na fundação e na organização do PS.
 
CCTM - PS







A distribuição do número especial comemorativo do Portugal Socialista, órgão central do Partido Socialista, com o editorial do seu director, José Augusto de Carvalho, que reuniu depoimentos de todos os dirigentes e quadrantes do Partido, de três Capitães de Abril, de membros da Comissão de Honra e da Comissão Executiva das CCTM e ainda de outras pessoas que conheceram de perto a actividade pessoal e política de Tito de Morais.







A sessão evocativa realizada nos jardins da Sede Nacional do Partido Socialista.
José Sócrates abriu os trabalhos com uma alocução onde caracterizou a personalidade do homenageado e a importância que Tito teve na criação do PS.
José Neves, foi o fundador escolhido para fazer a intervenção (que se transcreve mais abaixo neste blog), Carolina Tito de Morais falou na dupla condição de presidente da Comissão Executiva e de representante da família e Almeida Santos encerrou os trabalhos com uma intervenção onde realçou o carácter de Tito de Morais e a amizade que os uniu.

CCTM - PS

O dia terminou com uma recepção aos convidados nos jardins do Palácio Praia (sede nacional do PS) onde o convívio e a camaradagem foram os pontos fortes do culminar das comemorações que decorreram toda a semana.
A anunciada actuação gratuita com que Carlos Mendes se prontificou a colaborar na homenagem não se realizou, embora ele estivesse presente, devido a questões orçamentais do Partido Socialista que inviabilizaram o transporte e montagem dos equipamentos instrumentais e sonoros.
Foi servido um "porto de honra".


publicado por Luis Novaes Tito às 23:13
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publicado por CCTM às 23:05
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José Neves - Discurso PSCamarada Presidente Almeida Santos
Camarada Secretário-Geral José Sócrates
Senhores e Senhores Convidados
Familiares de Tito de Morais
Camaradas Militantes do Partido Socialista

Constitui para mim uma grata satisfação participar nesta sessão de encerramento das Comemorações na sede nacional do Partido Socialista, pois este é sem dúvida o local apropriado, a casa política de Tito Morais, instituição de que foi impulsionador da sua criação e obreiro da sua construção.

Também é um grande privilégio compartilhar com todos os presentes este sentimento de apreço e reconhecimento pelos méritos do nosso homenageado, Tito de Morais. A presença de ilustres convidados da Comissão Executiva muito honra este momento e a quem saúdo calorosamente.

As minhas saudações de carinho aos familiares de Tito de Morais cuja presença indispensável completa o significado deste encontro.

Saúdo os camaradas Almeida Santos e José Sócrates, pois a sua participação nesta sessão abona o patrocínio e o apoio dado pelo Partido à iniciativa de homenagear a figura impar do socialista Tito de Morais.

Uma fraternal saudação de camaradagem aos militantes do Partido Socialista.

Entenderam os meus colegas da Comissão Executiva designar-me para dar o meu testemunho sobre Tito de Morais, com quem convivi e participei em acções políticas no exílio e também em Portugal. Há muito para falar sobre este meu camarada, mas vou limitar o meu depoimento ao seu período de exílio que antecedeu a criação do Partido Socialista.
Conservo bem viva na memória o meu primeiro encontro com Tito de Morais. Encontrava-me já exilado em Londres quando fui desafiado para ir a um encontro com um político da resistência de visita aquela cidade. Só sabíamos que se tratava de um membro de um grupo socialista e era patriarca de uma grande prole. Subsistia uma dúvida: Seria que se tratava de um agrupamento constituído apenas por esse cidadão e pelos seus filhos?



publicado por CCTM às 23:00
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Flores Tito de Morais - Homenagem da Comissão Executiva e do Partido Socialista



publicado por Luis Novaes Tito às 21:10
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Portugal Socialista - Comemorativo CCTM

«Apesar de ele dizer que "não fui eu que fiz o Portugal Socialista", é na realidade a Tito de Morais que se deve "uma das principais armas de que nos servimos na luta contra o fascismo". E acrescenta: "É lícito, penso, perguntar se, sem o Portugal Socialista, o PS seria o que foi em 1 de Maio de 1974". É lícito e indubitável, a influência que o jornal exerceu como testemunho da existência da Acção Socialista Portuguesa e, a partir de 1973, do Partido Socialista.»
Marcelo Curto
Extracto do depoimento publicado neste Blog

O número especial comemorativo do Portugal Socialista dedicado a Manuel Tito de Morais que hoje se publica e distribui é a maior homenagem que o Partido Socialista lhe podia dedicar.

Tito de Morais criou esta arma em Itália para a fazer disparar em Portugal e nos núcleos da ASP no exterior, como primeira chanfalhada ao regime ditatorial português.

Se o PS não tivesse feito esta edição, renegava as suas origens.

Com editorial do seu director, José Augusto de Carvalho, este número conta com artigos da autoria de:

António de Almeida Santos, José Sócrates, Mário Soares, J. Ferraz de Abreu, António Guterres, Eduardo Ferro Rodrigues, Amândio Silva, Ana Gomes, António Arnaut, António Coimbra Martins, António Costa, António José Seguro, António Reis, Antunes Ferreira, Duarte Cordeiro, Edmundo Pedro, Germano Lima, José Neves, Luís Novaes Tito, Manuel Alegre, Manuel van Hoof Ribeiro, Maria Carolina Tito de Morais, Maria do Carmo Romão, Maria Helena Carvalho dos Santos, Maria de Jesus Barroso, Maria José Gama, Maria Manuela Augusto, Pedro Coelho, Pedro Pezarat Correia, Vasco Lourenço e Vítor Crespo.



publicado por Luis Novaes Tito às 12:25
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Convite Partido SocialistaAs Comemorações do Centenário do Nascimento de Manuel Alfredo Tito de Morais encerram hoje, dia 2 de Julho, como não podia deixar de ser, na Sede Nacional do Partido Socialista que ele esculpiu, como no dia do descerramento do busto disse o escultor Francisco Simões.

 

Todos, Camaradas e quaisquer outros democratas terão as portas abertas.
Celebramos a democracia, a liberdade, a solidariedade e a fraternidade.
Celebramos a ideia de Tito de Morais.

 

16:45 Horas – Deposição pela Comissão Executiva das CCTM e pelo Presidente do Partido Socialista de flores junto ao busto de Tito de Morais.

17:00 Horas – Início da sessão de encerramento das comemorações com o descerramento de uma placa comemorativa na entrada da Sede Nacional do PS.

17:15 Horas – Sessão evocativa. Usarão da palavra o Secretário-Geral do PS, José Sócrates, o co-fundador José Neves, a presidente da Comissão Executiva das CCTM, Carolina Tito de Morais, na dupla qualidade de representante da família e encerra a sessão o Presidente do Partido Socialista, Almeida Santos.

Segue-se o lançamento e distribuição do número especial comemorativo do Portugal Socialista, de que Tito de Morais foi fundador ainda no exílio.

Na recepção oferecida pelo PS nos jardins da Sede Nacional haverá uma banca da editora para venda, com preço reduzido, da fotobiografia construída no âmbito destas comemorações.



publicado por Luis Novaes Tito às 11:25
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
Fundação Mário Soares - FMS

 

Ao abrir a sessão na FMS, Mário Soares fez o aviso a todos que estavam em pé e se apertavam à porta de que poderiam, se quisessem, ir para uma sala contígua ao auditório onde era possível seguir os trabalhos num vídeo wall.

Depois, Mário Soares falou de Tito como um amigo de vida e de caminho, tendo dado a palavra a Pezarat Correia, que se referiu ao homenageado num contexto misto de amizade e de agente político, realçando o papel que Tito desempenhou nos tempos conturbados imediatos à Revolução.

Dizia Pezarat que Tito de Morais usava as palavras com o significado de quem tinha sentido na pele o que elas continham e exemplificou:
Na linguagem comum diz-se polícia política e o Tito dizia PIDE; diz-se estado novo e ele dizia fascismo; diz-se Oliveira Salazar e ele dizia ditador.

Medeiros Ferreira optou pelo enquadramento histórico. Colou esta homenagem à do Centenário da República e fez votos para que a da República seja tão honesta como esta foi, ouvindo todas as vozes e abordagens históricas.

A terminar a sessão veio a emoção em forma de montagem de som e imagem com que Isabel Tito de Morais Correia Pires, neta do homenageado, mergulhou a assistência.

 

Na parte da manhã tinha-se procedido ao registo notarial da Associação Tito de Morais.

 

As comemorações encerram amanhã com uma deposição, pela Comissão Executiva das CCTM, de flores no busto de Tito de Morais, a que se seguirá o descerramento de uma placa comemorativa na Sede Nacional do Partido Socialista, intervenções do seu Presidente e do Secretário-Geral, do fundador José Neves e da Presidente da Comissão Executiva, Carolina Tito de Morais. Durante a recepção que se seguirá, será distribuído o número especial do Portugal Socialista, órgão central do PS, que Manuel Tito de Morais fundou.



publicado por Luis Novaes Tito às 21:00
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Convite FMS

 

Fundação Mário Soares nas Comemorações do Centenário de Tito de Morais
Hoje, dia 01 de Julho de 2010, 18:30 horas
Rua de São Bento 160, Lisboa.

Mesa
Preside: Mário Soares
Oradores convidados: Medeiros Ferreira e Pezarat Correia
Representante da família: Isabel Tito de Morais Correia Pires

Enquadramento histórico do percurso de Manuel Tito de Morais



publicado por Luis Novaes Tito às 17:02
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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Grande Oriente LusitanoSapientíssimo Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, Caro Amigo António Reis
Estimada Amiga Maria Carolina Tito de Morais, Presidente da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais
Demais membros dessa Comissão
Caro irmão Luís Medeiros Ferreira, digno representante da Loja José Estêvão
Companheiros Oradores José Paulo da Silva Graça e Manuel Tito de Morais Oliveira
Demais membros da Família Tito de Morais
Demais Irmãos do Grande Oriente Lusitano
Ilustres convidados
Senhoras e senhores

Manuel Tito de Morais

Quando de minha iniciação como aprendiz maçon, escolhi como nome simbólico Nuno Álvares Pereira. Talvez porque desde os bancos de escola me encantava imaginar a Padeira de Aljubarrota a despachar sete castelhanos com sua pá de forno e D. Nuno a comandar os valentes combatentes lusitanos.

No entanto, no dia do funeral de Tito de Morais, acompanhei seu filho João, meu irmão de vida, no momento em que o caixão foi colocado no carro e, antes da porta se fechar, João ergueu o braço, com o punho fechado, na saudação socialista, e exclamou: "Adeus, Comandante!"

Essa despedida comovente me fez perceber que também eu sentia o velho Tito como meu Comandante e quis que assim continuasse no desenvolvimento de minha ainda recente vida maçónica. Então, em plena emoção, tomei a decisão de que meu nome simbólico deveria ser Manuel Tito de Morais, um grande português da nossa História Contemporânea.

E hoje estamos aqui, no Grande Oriente Lusitano, evocando Manuel Tito de Morais!

O que levaria um homem como Manuel Tito de Morais a ser iniciado aprendiz maçon no Grande Oriente Lusitano, beirando já os oitenta anos, depois de uma tão extraordinária quanto intensa vida de permanente luta política, depois de ter exercido cargos de grande relevância nas instituições nacionais, como deputado, membro do Governo e, culminando sua trajetória, Presidente da Assembleia da República?



publicado por CCTM às 21:37
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Tito de Morais - 1974
CCTM
Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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