Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Mantém-se na nossa memória, como carácter firme e um homem de princípios inabaláveis. Manuel Tito de Morais nunca vacilou perante os obstáculos que as escolhas da sua vida lhe colocaram pela frente. Nascido quando nasceu a República, juntou ao ideal republicano a vontade de liberdade, igualdade e solidariedade, ao lutar, onde estivesse, pelo socialismo democrático. Não se importou com os rendimentos ou com as comodidades do viver, com a segurança de um emprego ou com a doce convivência da família, quando era preciso partir.

Sempre admirei Tito de Morais, mesmo antes de ter tido a honra de com ele trabalhar na Assembleia da República. A sua dimensão política impressionante fez dele um ícone da democracia que ajudou a conquistar e a manter para os portugueses. Ele é, justamente, um vulto entre aqueles “que por obras valorosa se vão da lei da morte libertando”, como disse o Poeta.

Tive, por isso, imensa sorte em ser por ele convidada para exercer as funções de secretária-geral do nosso Parlamento. Esse contacto mais estreito não só com o político mas com a pessoa que Manuel Tito de Morais era, permite-me realçar, com amizade e admiração, uma faceta mais pessoal do grande homem. Quase contraditório com o que foi a saga da sua vida, as dificuldades que, a qualquer, um teriam abatido ou azedado o temperamento, em Tito de Morais, tal como o conheci, não apagaram a generosidade não diminuíram a complacência, nem obscureceram uma peculiar elegância de atitude que lhe veio, certamente do berço.

Já admirava Tito de Morais, antes de 1983, ano que foi eleito Presidente da Assembleia da República e me convidou para trabalhar neste órgão de soberania.

Num tempo em que as mulheres tinham ainda acesso restrito e grandes dificuldades em aceder a postos de direcção, marcadamente masculinos, segundo as mentalidades então vigentes, foi algo de muito inovador, direi mesmo, corajoso, nomear uma mulher para aquelas funções. Não admira que tal facto tivesse causado surpresa no nosso Parlamento e, igualmente, nos círculos parlamentares internacionais pois, até aquele ano, nunca nenhuma mulher fora nomeada como secretária-geral parlamentar.

Ao comemorarmos o centenário do nascimento de Tito de Morais não quis deixar de assinalar este pequeno mas significativo episódio. É justo que a sua história pessoal registe em que variados pontos Tito de Morais marcou a diferença. Na questão da igualdade de género, ele foi, mais uma vez, coerente com os seus princípios, demonstrando em actos concretos o que valia, para ele, o conceito de democracia e de igualdade.

Como Presidente, desempenhou um papel de reformador da maior importância, nada escapando ao seu olhar, preocupado e ao seu desejo de dignificar a Assembleia. Vivia-se ainda um período um tanto conturbado. Pouca preocupação tinha existido, até então, com o aspecto interior e exterior da casa parlamentar. Por isso, no que à Administração dizia respeito, Tito de Morais, sem tempo a perder, tudo começou a restaurar e reformar. Nem os tectos e soalhos, nem os móveis e cortinados, nem os uniformes do pessoal, escaparam à sua preocupação. Foram também iniciados novos estudos para a reestruturação dos serviços e realizadas diligências para o alargamento dos espaços, visando criar mais comodidade ao trabalho dos Parlamentares.

No curto tempo que durou o seu mandato, Manuel Alfredo Tito de Morais prestou, sem dúvida um relevante serviço ao Parlamento e ao seu País.

Maria do Carmo Romão



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais A Biografia de Manuel Tito de Morais está fixada a partir da magnífica entrevista de Maria José Gama publicada na Acção Socialista em 6 de Maio de 1991. Terá sido, talvez, a última oportunidade de colher através dessa conversa factos e feitos da sua vida particular e política. Devia ter 81 anos e bem presentes os acontecimentos em que participara depois do 25 de Abril, quando já eram decorridos dezassete anos da Revolução. Ainda teria mais alguns para viver e para acompanhar a evolução da vida política portuguesa.

Nascido em 1910, estava na casa dos sessenta quando regressava a casa em Liberdade, depois de vários exílios e prisões. Foi comovente, para quem era um pouco mais novo, participar nesse seu primeiro encontro com a sua terra libertada e dar-lhe um primeiro abraço em nome da Revolução.

Era a madrugada de 28 de Abril de 1974. Fazia frio, uma neblina gelada, e os poucos soldados que patrulhavam a estação fronteiriça cobriam-se com cobertores – o que lhes dava um ar pouco militarizado, de quem estava ali provisoriamente, sem saber muito bem o que estava a fazer. Mais formal, o Chefe da Estação, que durante anos da sua vida recebera o SUD-Expresso de Paris, ao ver tanta gente importante àquelas horas, informava-se sobre quem seriam os viajantes desse comboio especial.

O aeroporto de Lisboa fora fechado e o grupo da Oposição da Guarda, de Viseu e de Castelo Branco ouvira as noticias via BBC e sabia que Mário Soares regressava de comboio. Eu própria falara com o João Soares que confirmara, mas não sabíamos quem mais vinha nesse comboio. Então, com meia dúzia de telefonemas, foi fácil juntar um grupo de amigos que ali estava a receber em festa os exilados. Para eles a surpresa foi total. Encerrados num comboio durante um dia e uma noite, mostravam uma enorme ansiedade por notícias. Perguntavam pelos jornais... E foram ao bar da estação tomar um café com leite. Foi ali que conheci o Tito. Depois o comboio partiu. Da chegada a Lisboa, a Santa Apolónia, todos os jornais deram testemunho. Era o primeiro banho de multidão.

Mas antes disso, os comboios cruzavam-se em Mangualde, onde seria fácil obter os jornais que vinham de Lisboa. Fizemos a viagem de carro à velocidade do comboio e a tempo de entregarmos aos nossos amigos os tais jornais que traziam as últimas notícias dos três primeiros dias da revolução. A onda alta de acontecimentos e entusiasmos manteve-se durante uma semana. A partir do 1 de Maio tudo começou a ser difícil, pesado, politizado, enviesado, duro, preocupante.

De todos era o Tito de Morais o que me parecia mais preocupado. Quem sabe o que lhe ia pela cabeça? Talvez a "organização" do Partido Socialista, pois logo no primeiro momento combináramos uma ida a Lisboa para "começar a trabalhar". Assim se fez, e foi com o Tito que sempre me encontrei para resolver questões de organização, das fichas de inscrição até ao primeiro convite para ir à Guarda inaugurar a sede de trabalho do Partido Socialista, onde os espanhóis vinham buscar papeis, eles, ainda clandestinos, a viverem a nossa alegria. E Tito ali esteve para o primeiro comício no Liceu Nacional da Guarda, onde se reuniram seis mil pessoas, num ambiente muito quente e desde logo contestatário, entre várias direitas e várias esquerdas, dando indicações de que os próximos votos, os primeiros em Liberdade, se iriam dividir igualmente pelo PS, PPD e CDS. Era a Beira interior e o velho medo dos comunistas a funcionar. Era a voz dos "retornados" que ainda diziam "Angola é nossa". Eram os "velhos" homens da oposição hesitantes entre Socialismo e Democracia... Era o Portugal do fim do Estado Novo, que nas Beiras foi mais resistente do que na grande cidade. Longas histórias que ainda não estão escritas. E o Manuel Tito de Morais teve uma intuição muito esclarecida perante estes problemas que o Partido Socialista enfrentou com enorme determinação.

Mais tarde, eu própria quis conhecer mais profundamente o pensamento político do Tito – e esse encontrei-o através da enorme maratona que foi manter a edição do Portugal Socialista, escrito em Itália, sobrevivendo sabe-se lá como. Não cabe neste texto mais do que esta referência, mas fica o convite para quem quiser fazer esse trabalho: a génese do Partido Socialista, as suas raízes ideológicas, a convicção do futuro, estão nesse jornal que o Manuel Tito de Morais orientava, coordenava e escrevia do exílio. A edição de uma colectânea dos seus textos políticos seria bem vinda, neste centenário, para se entender a formação política e ideológica dos homens que sempre contestaram a ditadura e tiveram forças e inteligência e lutaram em todos os campos para realizarem a primeira obra da Liberdade, a Constituição de 1976, como foi o caso de Manuel Tito de Morais. Porque sem ideias não há convicções e sem ambas não haverá Revolução.

Maria Helena Carvalho dos Santos



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Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Conheci o Engenheiro Tito de Morais há várias décadas, morava ele ainda no Campo Grande onde sua saudosa primeira mulher e eu nos encontrava-mos passeando os nossos filhos. Foi, portanto, uma amizade que vem de longe e que se foi reforçando com os tempos e o convívio político.

Recordo-o em Roma, exilado, onde apaixonadamente cuidava do Portugal Socialista que ia dando aos portugueses, também exilados e a todos os outros que comungavam das mesmas convicções políticas, notícias do que se passava no país – então dominado pela ditadura – dos esforços e sonhos concebidos pelos que lutavam por um regime de liberdade onde quer que se encontrassem, dentro e fora dele.

Foi, portanto, um militante sempre activo no anseio e combate pelos direitos humanos e pela implantação da Democracia em Portugal. Esteve em Bad Münstereifel com um pequeno grupo de exilados e de portugueses que vieram disfarçadamente de Portugal fazendo, por isso, parte do núcleo histórico que fundou o Partido Socialista.

Com ele partilhamos o entusiasmo e a emoção da notícia da Revolução de Abril que trouxe ao nosso país a Democracia, o respeito pelos Direitos Humanos e a Liberdade.

Tito de Morais, pela sua coragem, pela constância e determinação da sua luta contra a ditadura conquistou um lugar na história do nosso país.

Maria de Jesus Barroso



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Todo o programa das Comemorações do Centenário de Nascimento de Manuel Alfredo Tito de Morais envolve um relevante significado dada a justa Homenagem que se presta à sua luta constante, empenhada e determinada, que sem tréguas travou pela implantação da Liberdade em Portugal.

Contudo não posso, nem devo, deixar de salientar a importância que representa esta Edição Especial do Portugal Socialista. Considero-a um dos pontos altos, porque se traduz numa colectânea de textos escritos, por quem o conheceu efectivamente, dando-se assim testemunho da sua vida quer familiar quer política, pois ambas permaneceram indissociáveis.

Muitos dos testemunhos aqui publicados foram escritos por protagonistas da Revolução de Abril, mas todos eles, transmitirão às jovens gerações a memória da acção que foi necessária implementar para que a Revolução dos Capitães não tivesse sido em vão e se garantisse a necessária estabilidade democrática. Por outro lado, não menos importante, trata-se de editar o Órgão Central do Partido Socialista fundado e lançado exactamente por Tito de Morais na clandestinidade. Nessa ocasião editar e distribui-lo em Portugal foi uma temeridade e foi um marco histórico.

Ao regressar, a calorosa recepção do País a Tito de Morais, Mário Soares e Ramos da Costa, bem presente na nossa memória, poder-se-á considerar como a 1ª Homenagem prestada por toda uma Nação agradecida e consciente.

Esta comunhão de sentimentos, profundamente contagiante, ficou espelhada na foto que lhe foi tirada à chegada e onde está bem patente a sua grande felicidade. Tito de Morais até parecia ter esquecido o seu passado difícil e conturbado. Como as perseguições, as prisões e o exílio que o obrigaram a sacrificar uma promissora carreira profissional, na sua qualidade de engenheiro, bem como a tranquilidade do lar.

A par da política dirigia o seu carinho e encantava-o a família que gostava de ter junto de si, certamente para compensar os anos em que isso bastas vezes lhe foi negado pela força das circunstâncias de resistente anti-fascista. Felizmente este seu legítimo sonho encontrou eco nos familiares e foi de tal forma conseguido e evidente que, curiosamente, sempre se considerou a Família Tito de Morais como um verdadeiro “clã”, no sentido mais nobre da expressão.

Por vezes no nosso imaginário criam-se mitos que se desvanecem ao privar-se de perto com os visados. No entanto, com Tito acontecia precisamente o contrário. Todos, que de qualquer modo tivemos o privilégio de consigo colaborar, considerávamos que à medida que mais privávamos e melhor o conhecíamos mais aumentava o nosso respeito e admiração. Recordamo-lo, segundo as diversas áreas de intervenção, como uma personalidade humanista de grande carácter e integridade que pôs a sua inteligência, cultura, saber e enorme capacidade de trabalho ao serviço do seu país, o qual amou intensamente. A sua preocupação e principal objectivo, antes e após o 25 de Abril, visava designadamente o desenvolvimento social e económico.

Jamais se coibiu de alertar com frontalidade e de manifestar a sua discordância, quando era caso disso. Expressava as suas críticas e apresentava sugestões alternativas. Procurava o diálogo. Argumentava dando a conhecer o seu pensamento analítico. Guiava-o a firme ambição de que efectivamente se concretizasse a prática dos valores republicanos de Justiça, Igualdade e Fraternidade.

Tito de Morais, que foi, é e será sempre uma grande referência, permanecerá na memória colectiva e nos nossos corações.

Maria José Gama



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Manuel Tito de Morais faria cem anos no dia 28 de Junho. Para mim, e creio que para todos os que o conheceram, será sempre intemporal…uma referência no nosso imaginário colectivo, um exemplo de coragem e de determinação.

Mas o "camarada Tito", como tantas vezes ouvi referenciar, era muito mais do que isso, porque sempre usou essa coragem e determinação para o bem comum, não cruzou os braços inconformados, quis mudar o futuro.

Um futuro sem grilhetas, sem mesquinhez, sem injustiça, um futuro digno dos valores republicanos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade era a razão do seu inconformismo e da sua luta.

Tito de Morais faz-nos ter orgulho num partido que foi o seu, de que foi um dos fundadores em tempos difíceis, de clandestinidade e de exílio. E a História nunca lhe fará suficiente justiça, porque a sua abnegação e entrega à luta pela liberdade será sempre incomensurável.

Como medir o sofrimento de um homem a quem privam da liberdade por, justamente, lutar por ela?

A riqueza interior de Tito de Morais revela-se na sua capacidade de resistência, mas também na sua entrega a causas públicas e políticas, hoje tendencialmente desvalorizadas por uma sociedade cansada de ser intoxicada com causas mesquinhas, que nos toldam a memória.

Também por isso, o exemplo de vida e a luta política de Manuel Tito de Morais deveriam dar-nos a exacta noção do quanto lhe devemos, porque são testemunhos de como a grandeza de homens e de mulheres que acreditaram na mudança e na justiça das causas que fizeram suas, moldaram a democracia que hoje temos e que devemos continuar a aperfeiçoar. O seu legado obriga-nos a estar atentos e atentas, a não pactuar com a indiferença, a não trair a sua memória.

Manuel Tito de Morais foi digno da revolução de Abril que o viu regressar a Portugal, após anos de exílio político activo, foi um Deputado brilhante, logo na Assembleia Constituinte, e presidiu a este órgão de soberania com o mesmo sentido de dever cívico com que integrou o VI Governo Provisório e o I Governo Constitucional, de que Mário Soares foi o Primeiro-Ministro.

Não deixou de militar activamente no Partido Socialista, de que também foi presidente, consciente de que este era crucial para consolidar a democracia e governar Portugal em tempos difíceis e tão exigentes.

Foi, acima de tudo, um homem íntegro e justo que compreendeu os desafios do seu tempo. Cedo entendeu que a qualidade da nossa democracia passava pela envolvência e participação das mulheres na vida pública e política. Sabia que o futuro, a modernidade, o desenvolvimento, teriam que contar com as mulheres. Sempre soube que elas estiveram também na primeira linha de todos os combates políticos e de todas as causas humanistas.

Tito de Morais vai ser homenageado pelo Partido Socialista e pela Assembleia da República. É de toda a justiça. Ao acarinhar a sua memória, tornar-nos-emos, nós próprios, mais ricos.

As suas lutas, as causas por que toda a vida se bateu foram suas, mas tiveram sempre como destinatários os seus concidadãos, os outros, mesmo os que desdenharam, perseguiram ou tentaram contrariar a sua perseverança.

Um desprendimento assim não se esquece, não se apaga, não se esconde. Manuel Tito de Morais foi um socialista de inestimável valor, um homem de corpo inteiro, um democrata que a jovem República viu nascer.

Hoje, cem anos depois, os tempos são de memória, para nós que o conhecemos, mas também para tantos outros, para os jovens e menos jovens que não se conformam com a injustiça e para quem os valores da república e da democracia já fazem parte da sua idiossincrasia.

Hoje, cem anos depois do seu nascimento, façamos desta homenagem a Manuel Tito de Morais um motivo de alerta, para nunca descurarmos os valores pelos quais lutou. Honramos um homem que se bateu, com coragem e determinação, contra a indiferença, contra o conformismo!

Maria Manuela Augusto
Presidente do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas



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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Manuel Alfredo Tito Morais Memória de um Amigo Tito Morais foi-me apresentado em Paris por Mário Soares, num fim-de-semana de reuniões políticas no âmbito das actividades da então Acção Socialista Portuguesa, organização que precedeu e deu origem ao Partido Socialista actual.

Estávamos na segunda metade dos anos sessenta, ainda com Salazar no poder, a guerra de África já instalada nas três colónias de Angola, Moçambique e Guiné e uma repressão política violenta e selectiva.

Os jovens eram mobilizados em massa para a guerra e a oposição na Universidade, após um auge de movimentação estudantil na crise de 62 e nas lutas de 65, estava decapitada pelas prisões e exílios que dizimaram o movimento. Cá dentro, os que escaparam, tentavam reanimar o movimento estudantil mantendo as Associações dos Estudantes em funcionamento e mesmo com algum desenvolvimento nas suas actividades desportivas, pedagógicas, turismo estudantil e sociais. A coordenação inter-associações foi-se mantendo a nível local e nacional e em 67 organizou-se em Lisboa a primeira grande manifestação em Portugal contra a guerra do Vietname.

Mas o regime estava sólido, as Forças Armadas cumpriam a sua missão com lealdade ao poder político e longe estávamos da convicção generalizada que a guerra não era solução para o problema colonial.

Pela parte da Acção Socialista, era defendida uma abertura imediata de negociações com os movimentos de libertação, com compromisso dum caminho da auto-determinação e independência, caso fosse esse o desejo livre dos respectivos povos.

Tito Morais, o Tito como todos os mais chegados lhe chamávamos, não tinha qualquer dúvida que a solução acabaria por ser uma independência total das colónias, e que a doutrina salazarista dum só País pluricontinental não tinha qualquer viabilidade nem razão moral ou histórica, inviabilizando um concerto entre países livres e independentes, multirraciais, de língua portuguesa e de culturas com profundas raízes comuns e enormes inter-influências de séculos de convivência.

Salazar parece não ter conhecido o exemplo do Brasil e esqueceu, como uma “branca” definitiva lhe tivesse dado, a vergonha do Estado da Índia, cristã e portuguesa, que por falta de visão deixou perder.

A minha amizade e harmonia com o Tito não foi difícil de iniciar. Em adolescente tinha sido amigo próximo do seu filho João Manuel, meu colega no Colégio Moderno. Perdemos o contacto pois o João Manuel exilou-se para o Brasil e estivemos sem nos ver até Abril de 74. As nossas ideias eram em geral coincidentes, ainda que muitas vezes o considerasse demasiado radical. Talvez o facto de estar exilado em Roma lhe desse uma visão mais afastada de algumas situações que eu, que sempre vivi em Portugal, analisava de forma diferente. Nos princípios era inflexível, embora razoável e conciliador na acção política concreta.

Pela geração a que pertencia, pela sua formação e pela sua vivência, era claramente um homem de esquerda, aquilo que poderíamos chamar, da grande família da Esquerda Portuguesa.

Aquela ideia hoje divulgada por muitos que as distinções entra Esquerda e Direita estão esbatidas quer pela “morte” das ideologias, quer pela necessidade da Sociedade e da Economia dum pragmatismo permanente e sempre presente em todas as grandes decisões, não tinham qualquer sentido para Tito Morais e apenas representavam uma forma nova, inteligente e insidiosa, de manter a exploração dos mais fortes sobre os mais fracos.

A minha situação profissional como quadro duma importante multinacional italiana da indústria farmacêutica fazia-me deslocar a Itália com alguma regularidade e, por vezes por períodos longos. Este facto fez com que visitasse o Tito e a Maria Emília, sua segunda mulher, amiúde. Sempre que podia dava um salto a Roma e ficava em sua casa, partilhando por alguns dias um quotidiano difícil, onde o dinheiro não abundava e, algumas vezes que por lá passei, senti mesmo que passavam mal.

Nesse tempo, no princípio dos anos 70, o Partido Socialista Italiano ajudava a Acção Socialista, particularmente na publicação do nosso jornal oficial que se chamava Portugal Socialista e que trazíamos à socapa para o interior do País.

Era Tito Morais que se encarregava de quase tudo, com ajuda da Maria Emília e do seu filho mais velho. Os artigos eram recebidos de diversas fontes de camaradas no exílio ou do interior, do próprio Tito e dum colaborador muito especial e dedicado que se chamava e chama, Mário Soares.

Mário Soares visitava frequentemente o seu amigo Tito, particularmente quando esteve exilado em Paris. Penso mesmo que terá sido quem mais o visitou nessa estadia forçada em Roma. Pelas razões atrás referidas creio bem que eu próprio fui o membro da ASP e posteriormente do PS, o português quem mais o visitou e partilhou as suas esperanças, a sua coragem e tenacidade na luta pela Liberdade em Portugal. Temos que nos organizar em todos os sectores da sociedade portuguesa, dizia, não só nas universidades e entre os intelectuais, mas também nos meios operários, nos serviços e nos meios rurais. Era sua convicção que o ideário do Socialismo em Liberdade, como lhe chamámos em 1969 ou Socialismo Democrático como lhe chamamos desde os anos 70, era maioritário em Portugal e que umas eleições livres e participadas o iriam demonstrar. Tinha toda a razão.

Pessoas como o Tito fazem falta e fazem-nos muita falta. São referências permanentes que, quando presentes nos estimulam à acção e à constante atenção na coerência dos nossos princípios com os nossos procedimentos.

Aproveitemos o centenário deste herói da Resistência e da Liberdade para revisitar os princípios que fazem grandes as nações. Os princípios da liberdade, da solidariedade e da convivência humana com tolerância, responsabilidade e respeito pelo próximo.

Pedro Coelho



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Nascido no ano da instauração da República e filho de um dos seus fundadores, o oficial da Armada e posteriormente Almirante Tito Augusto de Morais, a República estava no código genético de Manuel Tito de Morais. Mas mais do que essa condição genuína, tornou-se também uma opção consciente e racional quando, desde muito jovem, a sua vida passou a ser conduzida pelas decisões por si próprio responsavelmente assumidas.

O Engenheiro Tito de Morais foi um republicano indefectível, que não via a República apenas como uma forma de Estado assente no reconhecimento de que a soberania reside no povo e na recusa de caducos modelos aristocráticos inspirados em privilégios de casta. Associava-a também a um tipo de sociedade que tem como valores axiais a liberdade e a igualdade, isto é, direitos e deveres iguais para todos os cidadãos independentemente das suas origens. E por isso quando, ainda estudante liceal, a República foi deposta pela ditadura militar emergente do 28 de Maio de 1926 que deu lugar ao regime fascista do Estado Novo, Tito de Morais não hesitou na escolha do seu caminho, a luta pela restauração da legitimidade republicana e da liberdade democrática. Cedo começou a conhecer a repressão da PIDE, as prisões e os Tribunais Plenários.

E porque era aquele o modelo de República em que acreditava, o seu sentido de liberdade não podia limitar-se ao âmbito restrito do seu país. Para ele os valores da república eram universais pelo que, estando em Angola em pleno período colonial quando o continente africano atingia o ponto decisivo da luta dos seus povos pela libertação do domínio colonial, Tito de Morais não teve dúvidas que o seu campo era o dos nacionalistas que heroicamente se organizaram na luta pela independência e iniciaram a luta armada em 4 de Fevereiro de 1961. Preso em Luanda em condições muito difíceis, torturado, sobreviveu, porque era dotado de uma notável resistência física e anímica. Seguiu-se o exílio, em vários países da Europa, da América do Sul e Norte de África, sempre integrando as mais activas frentes da luta contra a ditadura colonial do Estado Novo. Mas, e mais uma vez porque não tinha da República e da democracia uma perspectiva meramente formal, considerando-as indissociáveis de um conteúdo mais substancial que contemplasse o desenvolvimento material, a justiça social e o enriquecimento cultural, Manuel Tito de Morais perfilhava empenhadamente os ideais socialistas e integrou o grupo mais dinâmico que fundou o Partido Socialista em 1973.

O 25 de Abril de 1974 abriu as portas para o seu regresso à Pátria, entregando-se de corpo inteiro na construção do Portugal livre, democrático e progressista que fora o objectivo de toda a sua vida. Jamais esqueceu isso e foi dos que nunca escondeu nem esmoreceu o apreço pelos jovens capitães de Abril, da mesma forma que estes nunca deixaram de reconhecer nele um dos muitos lutadores pela liberdade que, com o seu sacrifício, foram verdadeiros precursores do 25 de Abril.

Gozei do privilégio de Manuel Tito de Morais me incluir entre os seus amigos. Também eu lhe dedicava uma profunda amizade e um enorme respeito. Creio que se justifica usar o lugar comum: era, para mim, uma referência cívica. Tivemos longas conversas, a maioria das vezes em sua casa, por iniciativa de um ou do outro. Trocávamos impressões, analisávamos a conjuntura política, equacionávamos hipóteses para contrariar uma situação que cada vez deixava mais longe os ideais de Abril. Tito de Morais era mesmo, por vezes, crítico em relação ao seu partido, mas era-lhe de uma fidelidade total e nunca sequer equacionou a eventualidade de uma dissidência. O seu lugar e a sua luta era dentro do Partido Socialista, do qual foi presidente.

No Portugal de Abril Tito de Morais foi deputado constituinte, deputado legislativo, membro do governo. E atingiu o segundo lugar na hierarquia do Estado ao ser eleito pelos seus pares presidente da Assembleia da República. E, nessa qualidade, não posso esquecer um gesto simbólico, mas que no seu simbolismo o dignifica e confirma o que aqui venho dizendo da sua ligação afectiva aos capitães de Abril. Quis, exactamente na qualidade de presidente da Assembleia da República, o órgão de Estado que mais legitimamente representa a soberania popular e, portanto, a natureza democrática da República, que constitui a mais genuína expressão dos objectivos institucionais do 25 de Abril, manifestar publicamente esse reconhecimento aos militares do Movimento das Forças Armadas. Foi assim que reuniu, a seu convite e em representação do MFA, umas largas dezenas de militares num almoço que constituiu uma significativa manifestação de mútua consideração e apreço. Até porque tal aconteceu numa altura em que, com a primeira revisão constitucional que extinguiu o Conselho da Revolução – o que era para os seus membros pacífico mas que foi feito em termos pouco dignificantes –, começavam ouvir-se vozes oriundas de certos sectores políticos tentando denegrir a imagem honrada dos militares de Abril. Tito de Morais quis, corajosamente como era seu timbre, demarcar-se dessas campanhas e aderiu prontamente à Associação 25 de Abril, logo que os respectivos estatutos o permitiram.

A Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, com que foi agraciado, é a justa consagração do Portugal Democrático a um Homem cuja vida foi uma infatigável luta contra a ditadura, contra o colonialismo e, restaurada a liberdade, fez questão de se assumir por inteiro como Cidadão de Abril.

Pedro Pezarat Correia



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Domingo, 4 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de MoraisConheci Manuel Tito de Morais, pouco depois do 25 de Abril, quando das conversações do MFA com a delegação do PS, no âmbito da formação do 1º governo provisório.

Como um militar que estava a entrar nos meandros da política, preocupado com o facto de o MFA não se ter preocupado devidamente com o dia seguinte, procurando evitar que Spínola e os seus homens ocupassem o espaço vazio que o MFA não ocupara, guardo, desses primeiros contactos entre a comissão coordenadora e a delegação do PS, a imagem de um homem determinado, convicto das suas posições alicerçadas numa experiência de luta política, desenvolvida no exílio.

Lembro-me da contradição de sentimentos então vividos, entre uma presença física que se não impunha de imediato e a firme determinação na defesa de posições, que nessa altura nos pareceram exageradas. Atitude que, pela firmeza e convicção que comportava, provocou a minha admiração e consideração.

Os tempos futuros proporcionaram-nos contactos diversos, com algumas divergências de opinião, mas com muito mais coincidências que nos aproximaram e nos tornaram amigos. Recordo que, quando alguns militares me queriam provocar, apontavam o Manuel Tito de Morais como um dos meus amigos do PS...

Posso dizer que a casa do Manuel e da Maria Emília foi uma das poucas casas de dirigentes partidários que eu e a minha mulher visitámos.

Recordo momentos difíceis, onde lutámos do mesmo lado da barreira, na defesa das liberdades e da democracia.

Recordo algumas discussões que tivemos, nomeadamente quando o verberava por atitudes do PS e ele, sempre, defendia denodadamente o seu partido. Confesso que não conheci ninguém que mais defendesse o partido a que pertencia do que o Manuel Tito de Morais. Mesmo quando essa defesa era praticamente impossível...

Como recordo com emoção e respeito a atitude que o Manuel Tito de Morais e o Manuel Alegre tiveram, quando da votação da revisão da Constituição, abandonarem o hemiciclo, para não acompanharem o voto (ia adjectivá-lo, mas por decoro prefiro não o fazer) que o PS exerceu. Estava em causa a forma como os militares de Abril foram tratados, no fim do período de transição...

Mais tarde, foi para nós militares de Abril reconfortante ver a alegria com que Manuel Tito de Morais assumiu o cargo de Presidente da Assembleia da República e, como tal, decidiu homenagear os militares de Abril que, como então salientou, com a sua acção lhe possibilitaram essa realização pessoal.

No mundo cão da política, onde nunca entrei precisamente porque constatei enormes diferenças entre o que é necessário fazer para ter sucesso e o que a minha consciência consegue aceitar, o Manuel Tito de Morais foi um dos políticos que mais me marcaram, pela positiva.

Fui amigo do Manuel Tito de Morais, digo-o com o sentimento de honra que isso me provoca. Sou seu amigo e recordo-o com um enorme carinho, um enorme respeito e uma maior consideração e estima.

Portugal perdeu, com a sua morte. O seu partido perdeu imenso – oh, como seriam úteis, nos dias de hoje, socialistas como o Manuel Tito de Morais!

Saibamos ser dignos da sua memória, seguindo o seu exemplo de grande lutador pelos valores da liberdade, da paz, da democracia, da igualdade, da fraternidade, da justiça social!

Até sempre, Manel!

Vasco Lourenço



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Portugal Socialista - Edição comemorativa do centenário de Tito de Morais Conheci Tito de Morais num daqueles intensíssimos e indescritíveis dias que se seguiram ao 25 de Abril, em que todos os problemas do país caíam em catadupas sobre a Comissão Coordenadora do Programa com pedido de resolução. A azáfama não impediu porém que tivéssemos tido, logo ali, uma longa e aberta conversa sobre o futuro político do país. Talvez a abertura e franqueza desta sua primeira conversa tivesse sido estimulada por lhe referir ter sido professor da Escola Naval e recordar o retrato de seu pai numa sala onde estavam representados os antigos Comandantes, de conhecer alguns aspectos da sua ilustre carreira na política e na Armada e, em particular, a sua participação no 5 de Outubro.

Sensibilizado, falou-me com enorme entusiasmo de valores republicanos e logo aí pude observar a funda convicção com que os cultivava e a apologia que logo deles fez para o Portugal recém-saído da ditadura. Sabia ser uma das principais personalidades responsáveis pela organização e estímulo da heróica luta anti-fascista que durante tantos anos e com tantos sacrifícios fora travada contra o regime deposto, e por isso, perante a sua generosidade e abertura, logo o quis ouvir sobre as formas de garantir a construção de um regime democrático e de progresso para Portugal, o que constituía a principal preocupação do grupo de militares com que me relacionei na preparação política do 25 de Abril.

Foi aí, durante a conversa mantida sobre este tema, que verdadeiramente conheci e passei a admirar Tito de Morais. Na alegria transbordante com que participava na construção do Portugal livre revelava-se o homem de profundas convicções, o democrata intransigente, o militante de esquerda, para quem o socialismo é um desígnio a construir em liberdade e inteiro respeito pela pessoa humana. O homem para quem o progresso não é apenas material, mas deve também reflectir-se, na justiça, na verdade, na melhoria dos comportamentos sociais, em tudo o que possa contribuir para o aperfeiçoamento, a elevação e a dignificação do homem.

Recordo ainda vivamente, a sensibilidade que revelou aos episódios ocorridos com o programa do MFA na Pontinha, de que já tinha conhecimento, e aos nossos receios de que os militares pretendessem manter-se na política, particularmente através da Junta de Salvação Nacional; a satisfação que sentiu quando lhe chamámos a atenção para o facto do programa referir, por nossa vontade expressa, a constituição de um governo civil, que gostaríamos de ver rapidamente implantado e com poder; o clima de entendimento que logo se estabeleceu ao saber que aquele sector do movimento entendia intransigentemente que a política deve ser praticada por políticos e partidos e não por militares e a grande importância que, por isso, dávamos ao estrito cumprimento do Programa do MFA para se obterem, no tempo marcado, órgãos e políticas com legitimidade democrática.

Ficou-me gravada para sempre a reflexão que fez, com grande realismo, sobre as diferenças de organização, implantação e métodos entre os dois partidos então existentes, a análise dos riscos que então se perfilavam, acabando por afirmar a sua profunda convicção na pujança dos ideais defendidos pelo Partido Socialista, a sua inabalável certeza na capacidade de atrair militantes, de organizar o PS como grande força política nacional, capaz de obter o apoio democrático que permitisse ir construindo a sociedade de liberdade e progresso que há tantos anos ardentemente desejávamos.

Estabeleci desde então laços de confiança e respeito por Tito de Morais que mais se aprofundaram durante os tempos difíceis que o país viveu durante o verão de 1975, onde juntos integrámos o VI Governo Provisório e onde separadamente, mas com contactos e no mesmo sentido, lutámos pela vitória da democracia e da liberdade.

Por todo esse passado de estima e admiração, é com grande emoção que me associo à homenagem a Tito de Morais por ocasião do seu centenário.

Num momento tão delicado para a vida nacional deve lembrar-se ao país que também em épocas bem difíceis da história nacional, houve um patriota que, com a sua excepcional coragem pessoal e sentido de dever cívico, empenhou toda a sua vida na causa da liberdade e do progresso do seu país e do seu povo.

É bom evocar o seu contributo para a construção e consolidação da democracia do Portugal renovado pelo 25 de Abril, na qualidade de membro fundador e grande militante do Partido Socialista, de político extremamente empenhado na construção de uma sociedade de direitos, justiça e progresso e na rectidão da sua acção como Vice-presidente e Presidente da Assembleia da República.

É salutarmente didáctico, neste tempo de anemia de valores, lembrar ao país a exemplaridade da sua estatura cívica, a verticalidade do seu carácter, o sentido ético que orientou toda a sua vida, prestar homenagem ao cidadão Tito de Morais.

Vítor Crespo



publicado por CCTM às 12:00
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010

Portugal Socialista - Comemorativo CCTM

«Apesar de ele dizer que "não fui eu que fiz o Portugal Socialista", é na realidade a Tito de Morais que se deve "uma das principais armas de que nos servimos na luta contra o fascismo". E acrescenta: "É lícito, penso, perguntar se, sem o Portugal Socialista, o PS seria o que foi em 1 de Maio de 1974". É lícito e indubitável, a influência que o jornal exerceu como testemunho da existência da Acção Socialista Portuguesa e, a partir de 1973, do Partido Socialista.»
Marcelo Curto
Extracto do depoimento publicado neste Blog

O número especial comemorativo do Portugal Socialista dedicado a Manuel Tito de Morais que hoje se publica e distribui é a maior homenagem que o Partido Socialista lhe podia dedicar.

Tito de Morais criou esta arma em Itália para a fazer disparar em Portugal e nos núcleos da ASP no exterior, como primeira chanfalhada ao regime ditatorial português.

Se o PS não tivesse feito esta edição, renegava as suas origens.

Com editorial do seu director, José Augusto de Carvalho, este número conta com artigos da autoria de:

António de Almeida Santos, José Sócrates, Mário Soares, J. Ferraz de Abreu, António Guterres, Eduardo Ferro Rodrigues, Amândio Silva, Ana Gomes, António Arnaut, António Coimbra Martins, António Costa, António José Seguro, António Reis, Antunes Ferreira, Duarte Cordeiro, Edmundo Pedro, Germano Lima, José Neves, Luís Novaes Tito, Manuel Alegre, Manuel van Hoof Ribeiro, Maria Carolina Tito de Morais, Maria do Carmo Romão, Maria Helena Carvalho dos Santos, Maria de Jesus Barroso, Maria José Gama, Maria Manuela Augusto, Pedro Coelho, Pedro Pezarat Correia, Vasco Lourenço e Vítor Crespo.



publicado por Luis Novaes Tito às 12:25
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Tito de Morais - 1974
CCTM
Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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