Sábado, 24 de Abril de 2010

Marcelo Curto - Portugal Socialista nº214Conheci-o pessoalmente, só em 1973, numa reunião em Vigo, na Galiza, onde fui com António Macedo e Mário Cal Brandão para nos encontrarmos com o Mário Soares, o Jorge Campinos, o Francisco Ramos da Costa e o Tito de Morais. 

Tudo isto, se a memória não me atraiçoa, em Julho de 73, depois de ter ido a Paris em Junho do mesmo ano, para falar com Mário Soares, que então me ofereceu a edição francesa do "Portugal Amordaçado", em versão reduzida, como agora sabemos, e com o título francês "Le Portugal Bailloné".

Meses antes, em 19 de Abril de 1973, tinha sido constituído o Partido Socialista da era contemporânea e tornava-se necessário captar militantes e organizar o PS.

Durante o Verão de 73, eu e outros fundadores discutimos e redigimos a versão do “interior” para a Declaração de Princípios e o Programa do Partido Socialista.

Mas era necessário, antes disso, conhecer o coração da organização e propaganda do Partido que o Tito de Morais dirigia em Roma, com o principal apoio do Partido Socialista Italiano de Francesco di Martino.

Por esse motivo, foi aprovada a minha deslocação a Roma para conhecer melhor e receber o legado da experiência e da autoridade do Tito de Morais. Era em Roma que ele redigia, exigia colaboração e fazia imprimir o Portugal Socialista.

Tratava-se, como disse Mário Soares no prefácio à colecção de todos os números do jornal publicados na clandestinidade, de “forjar um instrumento de luta e de denúncia eficaz contra o fascismo e o colonialismo”, graças à pertinácia de Manuel Tito de Morais e à solidariedade do Partido Socialista Italiano.

Na verdade, é a Tito de Morais que se fica a dever a publicação do Portugal Socialista, pois “quaisquer que fossem as dificuldades – e eram muitas – havia que vencê-las”, como ele diz nas palavras introdutórias ao livro citado e publicado em 1977.

Apesar de ele dizer que "não fui eu que fiz o Portugal Socialista", é na realidade a Tito de Morais que se deve "uma das principais armas de que nos servimos na luta contra o fascismo". E acrescenta: "É lícito, penso, perguntar se, sem o Portugal Socialista, o PS seria o que foi em 1 de Maio de 1974". É lícito e indubitável, a influência que o jornal exerceu como testemunho da existência da Acção Socialista Portuguesa e, a partir de 1973, do Partido Socialista.

 Portugal Socialista nº1 da ASP e nº 1 do PS

 

O seu primeiro número é publicado em 1 de Maio de 1967 e logo na primeira página se esclarece que os artigos não assinados "...representam a orientação oficial da Acção Socialista Portuguesa".

Na última página desse 1º número, afirma-se: "A ASP luta por todos os meios ao seu alcance e incansavelmente, pelo derrubamento da ditadura fascista,... e pela instauração, em Portugal, do socialismo democrático".

A tarefa e o esforço de Tito de Morais estão bem expressos nestas palavras. A sua luta contra o fascismo passa pelas lutas estudantis, pelo MUNAF, pelo MUD, pelas cadeias do Aljube e de São Paulo em Luanda, pelo exílio na Alemanha, no Brasil, em Argel – onde representava a Resistência Republicana e Socialista na Frente Patriótica de Libertação Nacional – enfim, em Roma, onde o fui encontrar.

Aí verifiquei a sua total dedicação do Partido Socialista e ao seu jornal, o seu conhecimento político e pessoal da vida política italiana, europeia e da diáspora da resistência portuguesa ao fascismo salazarista/caetanista, as suas ideias e experiência que me permitiram colaborar na elaboração da Declaração de Princípios e do Programa do Partido Socialista publicado em Setembro de 1973 no Portugal Socialista, já desde Agosto com a menção na primeira página do nome de Tito de Morais como responsável da publicação do jornal.

Mas a grande luta que Tito de Morais desenvolve através do Portugal Socialista é a luta pela organização dos socialistas portugueses.

Esse leit-motiv surge em quase todos os números do jornal desde a sua fundação. O seu nº 2 e no editorial que é dele, Tito de Morais, sob o título "Rumo ao Futuro", a par dos objectivos da luta contra o fascismo, afirma: "Portugal Socialista tem assim uma feição prática: contribuir para a estruturação política e organização das socialistas portugueses no quadro da Acção Socialista Portuguesa".

Toda a repressão policial salazarista passa pelas páginas do Portugal Socialista: "Contra a censura", de 13 de Novembro de 1967; um abaixo-assinado ao Presidente da Assembleia Nacional no nº 7 de 1 de Dezembro de 1967 e outro de 25 de Janeiro de 1968, a deportação de Mário Soares para São Tomé, no nº 10 de Março de 1968; no nº 10 de Março de 1968 "O fim do ditador", dando conta da queda da cadeira de Salazar, no nº 14 e logo no nº 15 Ramos da Costa instituía um texto da 1ª página: "De profundis pelo ditador Salazar".

Em Janeiro de 1969, no nº 17, sob o título "a ASP e o momento político" afirma-se: "A ASP não tem quaisquer ilusões quanto à margem de liberalização que Marcelo Caetano, ele próprio prisioneiro dos ultras, será capaz de oferecer ao País".

Em Setembro de 1966, no seu nº 21, o Portugal Socialista publica um artigo que revela a preocupação fundamental de Tito de Morais: o seu título é "Organizar!".

No nº 22 de Outubro de 1969, na primeira página, sob o título "Atenção trabalhadores", ataca-se o PCP e as manobras do Avante acerca da visita a Portugal de 2 representantes da CISL, denunciando o divisionismo do PCP e defendendo a Unidade Sindical.

No nº 23 de Fevereiro de 1970, na página 7, mais uma vez Tito de Morais assina um artigo com o título "Organizar".

No nº 24 de Março de 1970, sob o título de primeira página "Basta com a repressão", denuncia-se a prisão de Francisco Salgado Zenha porque, como diz o jornal, segundo a "nota oficiosa", "tinha intenção de proferir na Faculdade de Direito de Lisboa uma conferência contra a guerra colonial".

No nº 25 de Maio de 1970 é denunciada a prisão de Jaime Gama. Sob o título "A ASP em defesa dos direitos dos trabalhadores", o nº 28 de Fevereiro de 1971 dá conta da "Queixa da CISL apresentada na OIT contra o Governo português em virtude dos atentados por ele cometidos contra as liberdades e os direitos sindicais" devida à demissão compulsiva dos dirigentes sindicais metalúrgicos.

Este repressão arbitrária contra António dos Santos Júnior, Carlos Alves e Luís Faustino vai dar origem a um livro em que eu e o Victor Wengorovius denunciamos, através de um processo judicial, a intromissão arbitrária do Ministério das Corporações na destituição daqueles dirigentes sindicais. O livro tem o título "Uma questão sindical" e é incluído numa "lista de livros que se devem ler" no nº 30 de Outubro de 1971 do Portugal Socialista.

É ainda a mortalidade infantil em 1963, em Portugal (474 em 1000 nados vivos, contra 100 na Suécia e 262 em Espanha), no nº 5 de 1 de Outubro de 1967, e no mesmo nº a notícia do grupo da LUAR que se apodera de 30.000 contos no Banco de Portugal na Figueira da Foz, em Maio de 1967, "para serem utilizados no financiamento e preparação do movimento revolucionário", a morte de Che Guevara no nº 6 de 1 de Novembro de 1967, o caso Ballets Roses de Correia d’Oliveira (Nº 8 de 1 de Janeiro de 1968), curiosamente uma trombose cardiovascular que Salazar teria sofrido em fins de Fevereiro de 1968 (nº 11 de 1 de Abril de 1968), a morte de António Sérgio (Nº18 de Março de 1969), a de Manuel Mendes (nº 20, Julho de 1969), a recordação e homenagem a Humberto Delgado no 5º aniversário da sua morte (nº 23 de Fevereiro de 1970) e os incidentes com os católicos progressistas na Capela do Rato na noite de 30 de Dezembro de 1972 (nº 34 de Janeiro de 1973).

 1º de Maio de 1974 - Palma Inácio, Maria Barroso, Tito de Morais

 

Esta obra de pertinácia (como diz Mário Soares), de esforço e dedicação permanente de Tito de Morais no Portugal Socialista, sobretudo pela captação de militantes (e não adeptos, como ele frisa algures no jornal) e pela organização do Partido Socialista, iria dar os seus frutos a seguir ao 25 de Abril de 1974.

É o Tito de Morais, com efeito, que nos leva a participar na manifestação do 1º de Maio de 1974, com a bandeira do Partido à frente dos seus militantes, com o punho erguido que ele concebeu e fez imprimir em Itália em Setembro de 1973, sob fundo vermelho em circunferência, partindo uma espada e com uma circular com letras douradas onde se lê "Partido Socialista".

Foi com este símbolo e com esta bandeira que chegámos a primeiro Partido português que hoje continuamos a ser.

É o Tito de Morais que toma nas suas mãos antes e depois do 25 de Abril a tarefa ingente de organizar, organizar e organizar o Partido Socialista, os seus ficheiros, os seus departamentos e também a sua acção e contribuir, decisivamente, para a consolidação do socialismo democrático como Partido de militantes que queremos continuar a ser.

Mas não é só o Partido Socialista que lhe fica a dever a sua organização, estruturação e acção militante; é também a democracia portuguesa que se afirmou e hoje caminha e se confirma mais forte e segura contra todas as tentativas falhadas de poder totalitário e de poder pessoal que tem uma dívida de gratidão e de homenagem a um dos seus principais obreiros que é Tito de Morais.

Marcelo Curto

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996

Imagens: Portugal Socialista nº 1 da ASP (1967) e nº 1 do PS (1973)

Fotografia do 1º de Maio de 1974 - Palma Inácio, Maria Barroso e Tito de Morais

Espólio de Tito de Morais



publicado por Luis Novaes Tito às 19:03
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Lopes Cardoso - Portugal Socialista nº214 Tito de Morais é um marco da democracia portuguesa – serenamente inamovível.

Recordo o Tito em Roma, o Tito em Paris, o Tito em Argel, sempre presente, sempre disponível, sempre empenhado a corpo inteiro no combate pela democracia. Recordo Tito nas alegrias e nas lutas do imediato post-25 de Abril, na batalha pela afirmação e consolidação do Partido Socialista.

 

 

PS e Tito de Morais são indissociáveis. Pai fundador, sofreu as agruras do jovem PS nos caminhos difíceis do exílio, suportou os embates da ausência quando sonhava o País que Portugal haveria de ser, no meio das dificuldades reais que diariamente enfrentava.

Cada um de nós nesses tempos que eram de vida dura mas de sonho fácil, construía a imagem do seu futuro e do País que, julgava viria a ajudar a construir. Nem todos sonhávamos o mesmo mas havia em comum a generosidade, o respeito pela convivência democrática, um gosto de “liberdade, de igualdade e fraternidade” que tínhamos aprendido a respeitar como valores maiores.

Quando foram depois as desilusões e as esperanças perdidas? Quantos ficaram à deriva, sem valores e sem norte, depois de tantas juras ao povo e pelo povo? Quantos trocaram o que era talvez utopia mas fazia a sua riqueza pelo pragmatismo que justifica todos os oportunismos? Muitos, não o Tito de Morais que soube sempre permanecer fiel a si próprio. O que faz dele um exemplo. Exemplo de perseverança e coerência.

Tito representa no PS a presença teimosa de um sonho. O sonho de um País socialista – as palavras não o assustam – mais livre, mais fraterno, mais justo.

Lopes Cardoso

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 01:43
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Terça-feira, 23 de Março de 2010

Coimbra Martins - Portugal Socialista nº214 Tito fundador. Fundador dos fundadores! Porque ele apareceu muito jovem naquela linha de pessoas de pundonor que nunca aceitaram um golpe contra a República, nem a ditadura, nem o chamado Estado Novo, nem o fascismo, nem a guerra colonial... Foi dos que persuadiram os amantes da liberdade, mais de que de uma esperança – da necessidade de combater. Dos que, entre eles, induziram a convicção da urgência em organizar.

 

Dos que provaram, em palavras e actos, o imperativo da acção revolucionária. Dos que fundaram – aliás com a compreensão, o apoio e o entusiasmo de uma companheira não menos empenhada – a Acção Socialista, o Portugal Socialista, o Partido Socialista. Dos que arreigaram, neste Partido, a consciência de dever combater em todas as frentes onde a liberdade periga. Dos que elevaram a voz – ele é a voz! – que não permitiria que o Partido fosse outra coisa senão o devir, em contextos sucessivos, do próprio Partido, tirando forças sempre novas dos seus valores.

Não lhe devem estar só obrigados, todos os militantes, mas os democratas e o País. Ele empurrou, na verdade, uma aventura que tardava da história do País e dela permanece como actor que nunca deixou a cena, a incomparável testemunha que nos ensina uma leitura e nos fornece a melhor referência. Nesta homenagem se comprova a larga extensão da base política e social que o reconhece.

Coimbra Martins

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 02:33
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Antunes Ferreira - Portugal Socialista nº214 Eu era um rapazola, reguila, metediço, perguntador. Andava pelo meu quarto ano do Camões, com o reitor Sérvulo Correia a impor um regime espartano no liceu. E começava a questionar-me sobre o porquê da “Mocidade Portuguesa”, a Bufa, como lhe chamávamos – sem saber, aliás, muito bem porquê. No fundo era talvez por aversão às fardas, quem sabe? De política, nicles, que nessas coisas o meu pai não se metia, embora não fosse declaradamente adepto do salazarento regime. Mas tinha uns amigos que não sei se vos diga se vos conte.

Foi por tal altura que, um dia, num jantar em minha casa, um deles, um homem bom e bem disposto, chamado Máximo Couto, levou como convidado um compincha chamado Francisco Ramos da Costa. Eram uns repastos largos, com conversas prolongadas e umas anedotas mais ou menos críticas à mistura, nada de especial, mas enfim...

Estava também presente um advogado, o Dr. Abranches Ferrão, igualmente participante em tais ágapes. A dada altura, eu que me ia deixando ficar, como habitualmente, para coscuvilhar as conversas dos graúdos, ouvi falar num tal Eng. Manuel Tito de Morais, homem de uma só cara, se bem me recordo da frase de Ramos da Costa – e que no dizer característico deste último, “bem se lixava com isso!”

A hora de ir para a cama aproximava-se inexoravelmente, e o puto malandrote que hoje escreve estas mal alinhavadas linhas, foi-se percebendo que se falava de um almirante que era qualquer coisa ao tal engenheiro. Mas pouco mais entendi, porque a ordem de recolher ao meu quarto – privilegiado, eu tinha um só para mim – cortou a curiosidade de saber mais.

 

Tê-los no sítio

Uns poucos anos depois, fui muito influenciado pelo velho Júlio Vilar, emérito tocador de guitarra e contador de histórias, meu vizinho no Restelo, avô do João, do Zé e do Toninho grandalhão e republicanérrimo dos quatro costados – ou dos cinco, ou dos seis, ou dos muitos – creio que fundador do Ginásio Clube Português e de quem se dizia que era do Partido Comunista.

Dele ouvi coisas excelentes sobre o dito engenheiro Tito de Morais, “tinha-os no sítio”, de acordo com o narrador entusiasta, que conhecera o General Norton de Matos, o Quintão Meireles, o Cunha Leal e o professor João Soares, de quem dizia maravilhas, “um homem teso e intemerato”. Vinha ao de cima o anticlericalismo evidente do meu “instrutor” de política.

Andei, à revelia do meu progenitor, na maravilhosa aventura que foi a campanha do general Humberto Delgado, depois de ter começado na do Dr. Arlindo Vicente. Depois, aconteceram muitas coisas. Morreu-me o patriarca, levei as primeiras bordoadas policiais, tive uns interrogatórios, coisa de nada, com umas bofetadas à mistura e umas nódoas negras que a amica curava.

E sempre ouvindo falar do Manuel Tito de Morais, e sempre desejando conhecê-lo. Mas fora para Angola. Onde um dia, eu próprio fui para, a bordo do Uíge, um oficial miliciano, sem ânimo para desertor, muito menos vocação para “herói” – e contra a guerra colonial. Mas quando lá cheguei, já o senhor engenheiro de lá fora expulso, ou quejando.

Só depois do 25 de Abril – ainda se lembram?, foi já em 1974, mas tende a cair ignobilmente no esquecimento, uma porra, no fundo o fascismo até era brandote, a PIDE até tinha bons rapazes, excelentes chefes de família, os do reviralho é que diziam que não, este País não quer ter memória ou, se calhar, nem a sabe ter – é que tive o privilégio, a alegria e a honra de conhecer o meu Manuel Tito de Morais, o tal, ali na D. Pedro V, à esquerda de quem vai do Rato para as Amoreira. Foi o Jorge Morais quem mo apresentou.

Gostei logo dele, do sorriso por baixo do bigode, do seu ar decidido, e ao mesmo tempo, da sua energia a rodos. Homem de uma cana, caraças!

 

O nosso Portugal Socialista

Éramos, então, todos, uns idealistas, do tempo do “Partido Socialista, Partido Marxista”, do punho esquerdo erguido, da Alameda, dos Pavilhão dos Desportos, da marcha até Belém – mas sobretudo, do Portugal Socialista em que me meti de alma e coração, até aos cabelos, com o Zé Leitão, o Avelino Gonçalves, o Mário Cardia que por lá passava por ser director, da Teresa Sena, do já citado Jorge Morais, do António Neves, da minha querida Judite Barroso, da Teresa Oom.

Nunca percebi como – acabado de chegar de Luanda, revendo amigos queridos de um antigamente tão próximo (eu tinha só 33 anos, c’os diabos) como o Catanho de Meneses, o Jorge Campinos, o Xis Calheiros, o Chico Zenha, a Fernanda e o António Lopes Cardoso, o Igrejas Caeiro, a Ivone Carmona, eu sei lá quem mais – aquela malta porreira me escolheu para chefe da redacção do Portugal Socialista. Fundado pelo agora bem meu Tito de Morais, em Roma, com o Arrigo Seco como director oficioso, mas filho directo, dilecto, absoluto desse enorme lutador pela Liberdade que era, é e será sempre o Manel.

Passaram alguns anos. O Portugal Socialista voltara às mãos do Manuel Tito – e dessa mulher de fibra, de antes quebra que torcer, companheira de lutas e de amor, ferrabrás de saias e coração de Mãe – não é assim ó Lena Pina?, diz lá que não se és capaz! E sei bem que não és. Não é assim ó Siríaco Geraldes, que continuas vivíssimo da costa nos nossos corações. Amigo querido, carago, e onde quer que estejas o testarás sem necessidade de papel selado ou reconhecimento notarial...

E eu, que enviara, às escondidas, de Luanda, uns textozecos mais ou menos publicáveis, em cartas com mata-borrões da E. Merck a disfarçar, para o nosso clandestino Portugal Socialista, tive o orgulho, a honra, o prazer, a alegria, a felicidade de ir trabalhar, aprender, colabora, de me dar ao jornal depois revista, tendo como director e pai o Tito de Morais. Estou a ver também o nosso Mário Soares a enviar os seus textos para publicação – e o Manel a pedir-me para decifrar uma palavra mais solta, mais corrida, mais combatente, mais contundente.

Hoje aqui estamos, todos, dando testemunho da amizade e do respeito que nos une ao Manuel Tito de Morais. Que está aí para as curvas, sobretudo para as femininas, desculpa lá ó Maria Emília, mas nem na Terrugem ele sossega, nunca sossegará, olhará sempre para uma mulher bonita, mesmo quando tiver dois milhões de anos – o que para o Tito não é nada, nadinha.

Ora venha de lá esse abraço, seu Manuel Tito de Morais. Sentido, apertado, filial, fraterno, camarada, amigo. Deste que s’assina, pouco atento, nada venerador – mas muito obrigado!

 Antunes Ferreira

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 00:24
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Manuscrito Manuel Alegre

Manuscrito de Manuel Alegre - 1989.04.26
Jantar do G.P. do PS

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publicado por Luis Novaes Tito às 01:17
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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

José Leitão - Portugal Socialista nº214Tito de Morais é um homem de princípios, um daqueles militantes que o são não apenas uns dias, nem alguns anos, mas ao longo de toda uma vida e que por isso mesmo, como dizia Bertolt Brecht num célebre poema, “são imprescindíveis”.

Daí que tivesse que ser homenageado nas páginas do Portugal Socialista que criou no exílio com tantos sacrifícios e que, feliz coincidência, este número assinale o reinício da sua publicação regular.

Tito de Morais foi também, como refere Mário Soares, “o grande organizador do Partido Socialista na versão que lhe foi impressa desde a sua fundação, em Bad Munsterelifel, em 1973”.

Mas é também “um dos fundadores do nosso regime democrático e uma grande referência do socialismo humanista” e “um lutador indomável”, a quem Jorge Sampaio, como Presidente da República, expressa “o testemunho de gratidão por tudo o que tem feito para que Portugal seja um país livre e solidário”.

É a gratidão que lhe é devida não só pelos socialistas, mas por todos os democratas pois como afirma António Guterres “Manuel Tito de Morais sempre deu tudo pela liberdade, sempre deu tudo pela democracia, sempre deu tudo pelo PS”, desta forma, “para assim dar tudo por Portugal”.

A coerência, verticalidade, honestidade e integridade de Tito de Morais, inseparáveis do homem de princípios que o Tito de Morais sempre foi, fazem dele um exemplo para as jovens gerações do que deve ser a generosidade do compromisso político.

É por isso um acto de pedagogia cívico e socialista, promover esta homenagem ao Tito de Morais e divulgar todos estes testemunhos sobre o combate corajoso que sempre travou pelo socialismo democrático.

Testemunho de novos e velhos companheiros de luta, cujas vidas se cruzaram com a sua e a partir daí se tornaram por isso mesmo mais exigentes no esforço de construir um Portugal Socialista. De referir a entrevista ao Tito de Morais que a Maria José Calheiros da Gama elaborou e que se publica neste número, que constitui um esboço do que poderá vir a ser um estudo sobre a sua vida e acção, que se torna urgente começar a fazer.

É por isso que, como a luta do Tito de Morais continua, esta homenagem é apenas um momento de justificada gratidão, de muitos que com ele querem continuar a lutar a seu lado.

José Leitão

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996

Notas: José Leitão era na altura o Director do Portugal Socialista e este texto foi o editorial deste número especial.

José Leitão é actualmente o autor do Blog Inclusão e Cidadania



publicado por CCTM às 01:55
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

António Reis - Portugal Socialista nº214 Conheci pessoalmente o Manuel Tito de Morais em Agosto de 1973, quando, na companhia de Sottomayor Cardia e de Marcelo Curto, me desloquei a Paris para participar nas reuniões do Secretariado do Partido Socialista, destinadas a ultimar a primeira Declaração de Princípios e o primeiro Programa do PS, ainda na clandestinidade. Tinha 25 anos muito sangue na guelra e uma certa desconfiança ideológica em relação à “velha guarda” do PS, que suspeitava de inaceitáveis tentações reformistas social-democratas... Qual não foi, porém, o meu espanto ao confrontar-me com o radicalismo programático tanto do Tito como do Ramos da Costa, que o Mário Soares e o Campinos tentavam sem êxito sofrear, em intermináveis discussões numa sala da sede da Fundação ligada ao PS francês! Surpreendido com aqueles aliados inesperados, a corrente de simpatia e amizade mútua rapidamente se estabeleceu para não mais se perder. E quantas vezes não dei por mim, ao longo deste 23 anos, a ver-me superado em determinação, arreigadas convicções, intransigência ideológica ou simplesmente estratégica, pelo Manuel Alfredo, socialista de antes quebrar do que torcer.

Na resistência à ditadura, na revolução, no poder e na oposição em regime democrático, nunca o Tito se deixou enlear pelos cantos de sereia das atitudes acomodatícias e dos oportunismos tácticos ou pelos “diktats” da realpolitik” frutos tantas vezes de um pragmatismo sem alma. Excessivo e teimoso na sua coerência ideológica? Ingénuo num mundo que persiste em ignorar a utopia e em deitar por terra tantos e tão nobres ideais? Provavelmente sim, em parte. Mas o que seria de nós se não tivéssemos alguém, como ele, com coragem e determinação para, em cada encruzilhada, nos alertar contra as tentações capitulacionistas e contra as ingenuidades de sinal contrário, que também as há? Por isso, o Tito permanece uma referência ética e moral no nosso Partido, cujo exemplo de vida e cuja voz se impõem à consciência de cada militante e de cada dirigente.

Sei que, na sua modéstia de revolucionário e socialista íntegro, ele detesta homenagens, porventura suspeitando também dos refinados exercícios de hipocrisia ou instrumentalização de uma vida a que tais ocasiões tantas vezes se prestam. Mas estou convicto de que ele saberá interpretar esta iniciativa, em boa hora levada a cabo por camaradas militantes de base e não pela direcção do Partido, como a expressão sadia e sincera de um sentimento de admiração por tudo o quanto ele representa no coração dos socialistas deste País e de um desejo de ver os valores por que sempre lutou mais presentes no quotidiano do PS e na acção dos seus governantes. Em tempos de tentações mediáticas de instituir um “jet-set rosa” em tudo idêntico ao “jet-set laranja”, bom é que meditemos um pouco neste exemplo de coerência e austeridade, a fazer lembrar as velhas virtudes cívicas republicanas, hoje infelizmente esquecidas.

António Reis

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 03:14
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Domingo, 3 de Janeiro de 2010

António José Seguro - Portugal Socialista nº214 Manuel Tito de Morais é uma das mais importantes referências do Partido Socialista. Com Mário Soares e Ramos da Costa fundou a ASP e depois o PS.

Homem de tradições republicanas, oposicionista da primeira hora ao regime do Estado Novo, defendeu sempre o Socialismo Democrático como a melhor solução para Portugal.

No seu exílio, em Itália, teve um papel fundamental na ligação dos socialistas portugueses aos socialistas europeus, e esteve por detrás da criação do símbolo do PS.

Logo a seguir ao 25 de Abril, Tito de Morais por ter participado em todos os momentos de oposição ao anterior regime, consegue fazer a ponte entre os diferentes sectores revolucionários.

Foi eleito Presidente da Assembleia da República.

Consciência moral e crítica dos socialistas, tem como principais características humanas a coerência e a determinação. Ainda hoje, fiel aos seus ideais de sempre, conserva uma juventude de espírito e a energia do combatente que sempre foi.

Ao meu Camarada Manuel Tito de Morais expresso a minha profunda admiração.

António José Seguro

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 04:02
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Domingo, 27 de Dezembro de 2009

António Campos - Portugal Socialista nº214 Conheci Tito de Morais, em Paris, era eu ainda jovem, numa situação que não mais esquecerei. No começo dos anos 70, o António Macedo, o Zenha e eu fomos ter com o Mário Soares, então no exílio.

Ao chegar a Paris, de comboio, dado que o Zenha e o Macedo seguiam por precaução, em aviões diferentes, o Mário Soares disse-me que tínhamos de ir ao encontro do Tito de Morais porque ele tinha chegado de Itália, onde vivia, e entrar clandestinamente em França, País de onde tinha sido expulso.

Ir conhecer pessoalmente um homem do qual já tinha ouvido falar muitas vezes e que por razões políticas tivera de fugir do seu País e ser expulso de outro, o qual eu tinha como o berço da liberdade, excitava-me a curiosidade.

Adorei conversar com ele e não mais esquecerei a sua imagem quando me acompanhou até à estação de Paris para o meu regresso a Portugal. Ainda hoje retenho com precisão e alguma emoção, o olhar fixo, o gesto calmo e aquele sorriso simpático do Tito agarrado à minha mão a dizer-me – façam tudo, tudo o que poderem para libertar aquele País. Não é por mim, eu cá vou resistindo até morrer de saudades, é por aqueles milhões de pessoas.

Impressionou-me e gravei na memória o seu desprendimento pessoal por não ter naquele momento manifestado unicamente o desejo de poder vir comigo para o País que tanto amava.

Mais tarde, ainda antes do 25 de Abril, voltei a encontrá-lo em Vigo onde o Macedo e a mulher, o Arnaut e a mulher, e eu e a minha mulher nos fomos encontrar com o Mário Soares e a Maria de Jesus, o Ramos da Costa e o Tito de Morais. Nesse dia levámos ao conhecimento deles a primeira reunião dos militares de Évora, militares esses que mais tarde desencadearam o 25 de Abril. Era dar-lhes uma esperança, ainda que remota, da liberdade.

Se recordo estes factos, é para dizer que desde muito novo me habituei a admirar e a respeitar este homem de convicções firmes e de grande coragem Após o 25 de Abril teve uma vida dedicada ao Partido e à causa do Socialismo.

Não é um homem que faça política charmosa ou que silencie os problemas, conheci o Tito de Morais sempre frontal, por vezes mesmo agreste e teimoso na defesa dos seus pontos de vista.

O Partido deve muito a esta forma de ele estar na política, provocando a discussão e tomada de decisão emergia o Tito de Morais solidário e fraterno sem o mais pequeno ressentimento.

É um Homem admirável, de uma grandeza que toca a todos os que tiveram o privilégio de com ele conviver. Viveu uma vida cheia de luta por princípios e ideias sem nunca ter transigido.

É um dos grandes do meu País e um dos maiores do meu Partido.

António Campos

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por Luis Novaes Tito às 00:00
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

António Arnaud - Portugal Socialista nº214 O Tito é um dos últimos cavaleiros da Utopia. Nascido com a República e educado no culto das seus valores essenciais – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – manteve pela vida fora a mesma firme e serena postura de quem acredita no futuro e sabe, por isso mesmo, que o socialismo é uma conquista permanente, um acto incessante de amor.

Homem de convicções e de fidelidades assumidas, fez do Partido a principal motivação da sua vida. Nunca se bandeou com o adversário, nem cedeu aos ventos ditos dominantes. E foi, justamente, nos momentos mais difíceis, tanto antes como depois do 25 de Abril, que o Tito personalizou a esperança e nos revelou a sua fibra de lutador intemerato pela causa do socialismo democrático.

É um exemplo de dedicação, de generosidade, de coerência. É um verdadeiro homem de esquerda.

Dizem que em política não há memória nem gratidão. Esta homenagem vem provar o contrário. Há figuras que deram ao Partido o rosto e a alma que ainda hoje, apesar de tantas vicissitudes, o identificam no coração do povo. Tito de Morais é uma dessas figuras. Uma das poucas a quem chamo, com emoção e orgulho, Amigo, Companheiro e Camarada.

António Arnaut

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



publicado por CCTM às 00:05
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

José Neves _ Fundador do PS(...) "E se estou a recordá-los é tão só para situar o clima favorável ao Governo de Salazar que existia na Europa anterior ao exílio dos Líderes da ASP.

O primeiro a ser empurrado para o exílio foi Ramos da Costa, na sequência do seu envolvimento no golpe de Beja. Instalou-se em Paris, no ano de 1961, onde começou a desenvolver uma intensa actividade de publicista em jornais e revistas, participando em reuniões internacionais, denunciando a situação que se vivia em Portugal.

Em 1966 foi a vez de Tito de Morais mudar-se para Roma, vindo da Argélia, depois de ter passado pelo Brasil onde foi parar após ter sido expulso de Angola. E por todos estes países Tito de Morais fundou movimentos de luta contra o regime fascista. Esta mudança de Tito Morais para Roma foi uma decisão política para representar a ASP em Itália com o apoio do Partido Socialista Italiano. E foi aqui que Tito de Morais começou também a desenvolver contactos internacionais que se revelaram de enorme importância.

Com Ramos da Costa, em Paris, e Tito de Morais, em Roma, a ASP fazia-se representar nos Congressos de prestigiados Partidos Europeus e em conferências internacionais. As arbitrariedades da ditadura e do colonialismo eram expostas e as manifestações de solidariedade para com os socialistas e os democratas em Portugal decorriam espontaneamente. Deputados socialistas em Itália levantam questões relacionadas com a falta dos direitos humanos em Portugal e manifestam no Parlamento solidariedade para com Mário Soares quando estava deportado em S. Tomé. A ASP estabelece relações com todos os Partidos filiados na Internacional Socialista (I.S.), criando laços de fraternidade com, além do P.S. de Itália, o S.P.D. na Alemanha, os Trabalhistas na Grã-Bretanha, os Sociais-democratas na Suécia, os Socialistas em França. Enfim, Tito de Morais e Ramos da Costa desdobram-se nestas relações internacionais e promovendo contactos directos com os socialistas em Portugal. Por ocasião da farsa eleitoral de 1969 uma delegação de I.S. esteve em Portugal, constituída por personalidades políticas de destaque. Todos os membros da delegação acabaram por serem expulsos pela polícia política, a PIDE, que convém que ninguém se esqueça que existiu. Assim o regime fascista foi mais uma vez denunciado e estava irremediavelmente desmascarado. Agora já se sabia na Europa que em Portugal existiam democratas, socialistas e comunistas cujos elementares direitos eram espezinhados por um regime fascista.

Assim, quando Mário Soares, por sua vez, teve que optar pelo exílio, já havia um longo trabalho empreendido na área internacional por Ramos da Costa e Tito de Morais."(...)

Museu República e Resistência, em 25 de Outubro de 1996
(ler toda a intervenção)



publicado por Jose Neves às 01:01
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Amândio Silva - Portugal Socialista nº214 Numa Lisboa entontecida pela liberdade conquistada, conheci o camarada Tito de Morais. Na Sede de S. Pedro de Alcântara. Logo nos primeiros dias de Abril, no princípio daquele Maio impregnado de um cheiro forte de cravos redentores.

Apesar de chegado na primeira leva de exilados no Brasil, naquele 1º de Maio mágico e indescritível, apesar de já me saber amigo do seu filho João, mesmo assim, mediu-me, avaliador, cioso de gente boa para o Partido.

Mais tarde visitei-o no seu apartamento do Arco do Cego, onde só se respira PS. A Maria Emília recordava-se do meu nome por uma mensagem que eu tinha enviado do Rio de Janeiro para Argel, nos idos de 61 ou 62. O primeiro laço, no exílio. Na sua casa, onde me recebeu tantas vezes, não me lembro de um só dia, de uma só noite, onde não puxasse conversa sobre o PS.

O que mais me emociona na figura de Tito é essa extraordinária dedicação a uma causa, a da liberdade e do socialismo, só é possível de defender, na sua perspectiva, através de um PS forte e vencedor. E por isso a sua inquebrantável confiança na vitória. A vitória do Partido, a vitória do seu PS.

Nesta década onde se acentuam as estratégias neo-liberais, destrutivas das ideologias, inimigas do livre pensamento, castradoras da solidariedade, robotizadas das consciências, exploradoras da liberdade, com certeza que Manuel Tito de Morais, foi um dos que lhe ficou completamente imune, fortalecido por sua sólida convicção socialista.

Duas palavras sobre a sua afeição por Mário Soares. Penso que ninguém soube ser mais amigo. Duro na crítica do que pareceu desvio. Frontal na discórdia. “Oh Mário, tu não podes fazer isso!”. Mas sempre leal. Um baluarte com que Mário Soares sempre contou nos momentos cruciais de consolidação democrática do nosso Portugal.

Lembro agora o seu voto solitário contra a aliança de governo com o CDS. Quantos gostariam de ter podido fazer o mesmo? Os que aplaudiram, os que contestaram, socialistas ou não, tiveram de reconhecer a coerência do seu gesto. Para ser Tito de Morais, tinha de votar contra. E votou!

Presidente da Assembleia da República. Presidente honorário do nosso Partido. Arauto dos princípios socialistas. Um homem de esquerda. A integridade em pessoa. Fonte de respeito. Como é bom ser amigo do Tito. Uma bandeira do PS. Um grande português. Na minha casa, tenho uma fotografia do Manuel Tito de Morais. No meio das outras da família. Gosto de ver a sua cara, aquele olhar acutilante, aquela fonte firme. É o meu símbolo, a minha referência. Um exemplar protagonista do socialismo. Um marco de liberdade.

Obrigado Manel. Porque desta vida ao PS, o PS não morrerá. Como nos ensinaste, PS sempre!

Amândio Silva

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Arons de Carvalho - Portugal Socialista nº214 O Manuel Tito de Morais é a pessoa mais teimosa que conheço. Não se interprete mal este qualificativo. No essencial, a sua teimosia traduziu-se quase sempre numa vida de combate tenaz pelos ideais do socialismo e da liberdade. Sem cedências ou compromissos, mesmo aqueles que a generalidade dos dirigentes considerou razoáveis ou necessários.

Conheci o Manuel Tito em 1971 ou 72, suponho que em Amesterdão. Na véspera de uma reunião da Acção Socialista Portuguesa, Mário Soares avisou-me do pedido de demissão de Tito de Morais de responsável pelo Portugal Socialista. A razão era simples: O Tito queixava-se de falta de colaboração dos militantes do interior do País no envio de artigos. Creio que não fui muito convicto na promessa de que tudo mudaria na participação do interior do jornal, mas depressa percebi que a última coisa que ele faria era demitir-se ou desistir.

Creio que o Tito nunca se terá demitido de nada. Tenho a certeza que não terão sido poucas as vezes que ele discordou profundamente das deliberações do PS, mas considerou sempre que a sua missão era a de lutar até ao fim dentro das estruturas e não bater com a porta.

Esta mistura entre a teimosia e pertinácia não poucas vezes foi levada a um extremo insólito. Pouco lhe importa que esteja isolado, completamente isolado frente a uma Comissão Nacional inteira, como aconteceu ainda há uns meses.

Esta energia inquebrantável, em que uma retaguarda influente e activíssima está a Maria Emília, é a marca mais nítida do Manuel Tito de Morais. Toda a sua vida de combate e dedicação, primeiro à luta contra o regime fascista, depois à afirmação do PS como grande Partido popular no respeito integral pelos seus valores e referências, passa por essa energia.

Obrigado Tito! Ou melhor, obrigado Camarada Tito.

Alberto Arons de Carvalho

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Manuel Alegre - Portugal Socialista nº214Há nele uma nobreza e uma inteireza antigas. E dele se poderia dizer, como Sá de Miranda: “Homem de um só rosto e de um só parecer”. Homem que nunca quebrou nem torceu: nem na cadeia, nem no exílio, nem nas horas mais duras e amargas de uma vida cuja história se confunde em grande parte com a história da resistência anti-fascista e do combate pela instauração da Democracia em Portugal. Antes e depois do 25 de Abril. No MUNAF, no MUD, nas campanhas de Norton de Matos, e de Humberto Delgado, na luta clandestina e revolucionária, nos movimentos de unidade antifascista e na múltiplas iniciativas que haveriam de conduzir, primeiro à Acção Socialista Portuguesa, depois ao partido Socialista. No interior, em Angola, no Brasil, em Argel, em Roma, Manuel Tito de Morais esteve sempre na primeira linha. Fundador, com Piteira Santos, da emissora de resistência, “A Voz da Liberdade”, fundador do “Portugal Socialista”, fundador, com Mário Soares e Ramos da Costa, do Partido Socialista, nunca desistiu, nunca se rendeu, nunca deixou de acreditar.

 

Quando o conheci em Argel, ainda não havia Partido Socialista. Mas de certo modo ele já era o PS antes de o PS o ser. Será sempre o PS, mesmo quando o PS tiver a tentação de o deixar de ser.

Não há ninguém tão teimoso. Mas é difícil encontrar alguém tão firme nas suas convicções e ao mesmo tempo tão fraterno. No exílio, a sua casa estava sempre aberta, havia sempre lugar à mesa para mais uma havia sempre um colchão onde deitar um camarada recém-chegado. Assim continuou sendo pela vida fora.

Não é preciso bater à porta de Tito de Morais: ela está sempre aberta. Como o seu coração de socialista eu não se rende nem se acomoda nem se deixa enganar por modas. É certo que não gosta que mexam nos símbolos. Não é por conservadorismo. Mas pela convicção de que a subversão dos princípios começa sempre pela diluição dos símbolos. Por isso está atento, vigilante e não deixa nunca de protestar e rezingar. Não quer uma esquerda envergonhada nem um PS disfarçado. Quer uma esquerda que não tenha medo de ser esquerda e quer um PS que não tenha vergonha de ser socialista.

Ele é o PS de punho e bandeira vermelha. Porque ele é o Tito. O camarada Tito. Aquele que sendo Presidente honorário do Partido e tendo sido a segunda figura do Estado é, antes de tudo, um militante. Alguém que gosta da palavra camarada. Um símbolo da esquerda portuguesa. Uma referência insubstituível do Partido Socialista.

 Assinatura Manuel Alegre

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

António Guterres - Portugal Socialista nº214Muitas vezes olhei demoradamente aquela fotografia. Tirada em 19 de Abril de 1973, em Bad Münstereiffel, no célebre Congresso da Fundação que marcou a transformação da Acção Socialista Portuguesa em Partido Socialista, a foto enquadra os heróicos fundadores. Entre eles, Manuel Tito de Morais histórico entre os históricos, alma e corpo da história do PS, um dos primeiros entre alguns dos primeiros.

 

Manuel Tito de Morais sempre deu tudo pela liberdade, sempre deu tudo pela democracia, sempre deu tudo pelo PS.

Para assim dar tudo por Portugal.

Foi perseguido, preso, torturado, sofreu o exílio, o afastamento de familiares e amigos. Mas nunca desistiu de lutar pelos seus ideais de sempre. Nunca desistiu de ser livre, de ver os portugueses livres, de ver Portugal pleno de liberdade.

Esteve na linha da frente do Movimento de Unidade Democrática, da Resistência Republicana e Socialista, nas candidaturas dos Generais Norton de Matos e Humberto Delgado, na Frente Patriótica de Libertação nacional, e, repito, na fundação da Acção Socialista Portuguesa e do Partido Socialista.

Alcançada a liberdade, Manuel Tito de Morais ajudou a consolidá-la. Conseguida a democracia, contribuiu decisivamente para a sua verdadeira implementação.

Dentro do PS, de que é Presidente honorário, desempenhou as mais altas e destacadas funções.

Engenheiro brilhante, político sólido, lutador e sagaz, de uma tenacidade invulgar, foi membro de vários governos saídos de Abril de 1974, Presidente da Assembleia da República, deputado ilustre.

Mas Manuel Tito de Morais, permitam-me o sublinhado, sempre me impressionou vivamente, também como homem de grande carácter, honestidade e integridade à prova de bala, elevadíssima estatura moral, uma bondade verdadeiramente tocante. Manuel Tito de Morais é para mim um exemplo.

Um exemplo para toda a família socialista e para todos os portugueses.

Um exemplo para Portugal.

 Assinatura António Guterres

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Almeida Santos - Portugal Socialista nº218 Meu caro Manuel Tito

 

Um grupo de admiradores teus, dos muitos que foste deixando pelo caminho, vai promover uma homenagem, não tanto a ti, mas ao que tu representas. Pedem-me um depoimento. Deponho jurando dizer a verdade e só a verdade.

E a verdade é que:

- Te conheço há décadas, sempre igual a ti mesmo. Outros mudaram. Tu não! E essa fidelidade ao que sempre foste, faz de ti um casmurro inamovível. Um monstro de coerência com o que chamas os teus princípios e não passa de ser a tua teimosia.

- Sempre te encontrei empenhado em melhorar o Mundo e o Homem. Despojado de ambições materiais. Ensopado até à saturação em ideais e projectos reformadores. De entre os resistentes que conheci até à amizade, tu foste o mais lídimo representante do pensamento utópico. Continuas a sê-lo, e a vangloriar-te disso. Imune aos utilitarismos e pragmatismos grassantes.

- Como socialista és um chato. Não te resignas às contemporizações do poder, quando é nosso. Se te fizéssemos a vontade, gastávamos num ápice, o nosso capital de votos. No fundo, tens razão: para que servem os votos se não é para os trocar por mais justiça?

- Tivemos a felicidade de, já na segunda metade das nossas vidas, ser chamados a concretizar ideais. Ao fim de meio século de ditadura e opressão, essa incumbência foi, de certo modo, um presente envenenado. Portugal era um campo de minas, pronto a explodir. Acabámos por pôr de pé um Estado de Direito. Por enraizar a Liberdade e a Democracia. Por tornar possível alguma justiça social.

Muitos acham que o resultado é positivo. Tu não! Sempre insatisfeito, achas que democracia, só em algumas vertentes. E que o socialismo é curto. És capaz de ter razão. Duas décadas após Abril, o Portugal que aí vemos, no Mundo que aí temos, não pode encher-nos de orgulho.

As perguntas inquietantes são mais que muitas: que fizemos dos valores estruturantes da consciência moral? Porque é que o trabalho é um bem raro, e privilégio de alguns? Que resignação nos leva a consentir nas discriminações sociais de sempre? Porquê tantos pobres e analfabetos? Porquê tanta insegurança? Porquê, de novo, os apelos à Ordem? Porquê o receio de que o Planeta se canse das nossas predações? Porquê esta sensação de envelhecimento de todas as respostas políticas e sociais?

Admiro-te. És dos poucos responsáveis dispostos a pôr em causa todas as certezas e rotinas. Todos os modelos supostamente triunfantes. Receio que, quando finalmente te for reconhecida razão, seja tarde.

- Se queres que te diga, não tenho a certeza de que as muitas razões por que te admiro – a tua resistência, as tuas prisões, os teus ideais – sejam razões válidas hoje em dia. Metade dos portugueses não viveram já o porquê da tua luta, e não compreendem agora o bem fundado da nossa gratidão por ela.

Querido amigo:

Lá estarei na homenagem que te for prestada. A relembrar os nossos encontros conspirativos. A teimosia da nossa esperança em que a ditadura caísse na semana seguinte. E não menos a esperança de que, chegada a Liberdade, chegaria com ela a libertação de todos.

Não pôde ser assim. Mas foi-o em parte. O que falta, não nos deixa ensarilhar as armas, ou sejam as convicções. A homenagem a ti, será de novo uma batalha.

Um abraço do teu, dedicado amigo

 Assinatura Almeida Santos

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Sábado, 28 de Novembro de 2009

Jorge Sampaio - Portugal Socialista nº218 Manuel Tito de Morais é um dos fundadores do nosso regime democrático e uma grande referência do socialismo humanista. Portador de uma ilustre herança familiar de republicanismo, manteve, durante os longos anos da ditadura, um combate constante, sem tréguas, abnegado e corajoso pela liberdade.

 

Por essa luta, tudo sacrificou. A ela, submeteu a vida, pois o objectivo essencial era fazer o que tinha de ser feito para que Portugal recuperasse a dignidade de país livre. Foi perseguido, preso, exilado. Mas isso nunca o levou a diminuir ou a atenuar o combate. Foi até razão para o  intensificar e ampliar, como se as dificuldades e os perigos lhe aguçassem o engenho de conspirador e reforçassem a tenacidade do lutador indomável.

Tito de Morais, que esteve militantemente em todos os actos e movimentos da oposição à ditadura, definiu-se sempre como um socialista democrático. Lutou também persistentemente para que, em Portugal, houvesse um movimento de esquerda em que se reconhecessem todos aqueles que se reclamavam do socialismo democrático. Os pontos altos dessa luta foram a fundação da Acção Socialista Portuguesa, com Mário Soares e Ramos da Costa, e, depois, do Partido Socialista.

Toda a sua acção política foi norteada por uma exemplar coerência. Nunca tendo sido comunista, foi sempre um homem de esquerda, sem concessões nem renúncias. Compreendeu, desde sempre, que o socialismo não pode ser separado da liberdade e que é a sua concretização mais profunda e nobre. Bateu-se por este ideal, antes e depois do 25 de Abril, tornando-se uma referência moral e política.

Recordo bem as circunstâncias em que, pela primeira vez, encontrei Manuel Tito de Morais. Para a minha geração ele era um dos nomes maiores da oposição democrática. Resolvi ir visitá-lo a Itália, onde se encontrava exilado, desenvolvendo uma importante actividade política, nomeadamente através dos preciosos contactos que tinha estabelecido com os socialistas italianos, entre os quais Pietro Neni. Esses contactos revelaram-se, aliás, importantíssimos para a afirmação internacional da ASP e do PS.

Fui a Roma com o Nuno Brederode dos Santos e lembro-me que quem nos abriu a porta foi Maria Carrilho que, julgo, tinha estabelecido o contacto. Falei longamente com Manuel Tito de Morais. As conversas, nesses tempos e naquela situação, eram feitas de idealismo, esperanças, ilusões e também algumas desilusões.

A primeira imagem que colhi dele é a que perdura: vi um homem inteiramente devotado ao combate que travava, tenaz como poucos, mesmo teimoso, senhor de uma inabalável convicção e certo das suas razões. Percebia-se logo o tom patriarcal do que viria a ser o Presidente Honorário do PS, aquele que todos os socialistas reconhecem como uma referência.

A sua actividade política levou-o, depois da Revolução, ao desempenho de cargos políticos de grande relevo: primeiro, como membro do Governo e, depois, como Presidente da Assembleia da República. Neles conquistou o respeito geral pelas suas qualidades morais e cívicas.

Quando falamos com ele, hoje como ontem, colhemos sempre aquela impressão de fidelidade aos ideais que nele é um convite contagiante a que nos juntemos ao combate. Como seu amigo, associo-me a esta homenagem com calorosa e fraterna estima. Como Presidente da República, quero expressar-lhe o testemunho de gratidão por tudo o que tem feito para que Portugal seja um país livre e solidário.

 Assinatura Jorge Sampaio

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Mário Soares - Portugal Socialista nº214Conheço o Manuel Tito de Morais há mais de cinquenta anos. Fomos amigos, velhos companheiros de lutas e de ideal, camaradas, cúmplices. Tivemos inúmeras discussões políticas, ás vezes noites inteiras, mas, nos momentos decisivos, estivemos sempre do mesmo lado, solidários no bom combate.

 

Tito de Morais, filho do Almirante do mesmo nome, herói da República, antigo ministro e personalidade cívica exemplar, que tive a honra de conhecer bastante bem, foi sempre um lutador contra a ditadura e também o grande organizador do Partido Socialista, na versão que lhe foi impressa desde a sua refundação, em Bad Münstereiffel, em 1973.

O Partido Socialista – e a democracia portuguesa – devem-lhe muito: à sua pertinácia, coragem, determinação e espírito de sacrifício. Podemos dizer, sem exagero, que dedicou o melhor da sua vida à causa do socialismo democrático em Portugal. Em momentos de crise – e grande dificuldade – foi devido, em grande parte, à vontade inquebrável de Manuel Tito de Morais que os obstáculos foram vencidos e o PS avançou.

Valeu-lhe essa acção incansável muitos sacrifícios e privações. Esteve preso, processado, exilado e foi, durante a ditadura, permanentemente descriminado e ostracizado. A sua família, os seus filhos, a sua mulher, Maria Emília Tito de Morais, grande militante, ela própria e a sua irmã, Maria Palmira Tito de Morais, grande figura profissional e ética, sofreram muitas dificuldades – a que sempre resistiram com estoicidade – em virtude da vida política tão acidentada de Manuel Tito de Morais.

Depois do 25 de Abril, Tito regressou a Portugal no chamado “comboio da liberdade” e foi recebido apoteoticamente em Santa Apolónia. Lançou-se logo, sem perda de um minuto, na organização do PS, numa época em que as adesões eram às centenas diárias, por todo o País e em que as estruturas partidárias, mal saídas da clandestinidade, tinham dificuldade em absorver tantos militantes mas também – diga-se – alguns oportunistas. A destrinça entre uns e outros, entre o trigo e o joio, nem sempre fácil, foi em grande parte da responsabilidade de Manuel Tito de Morais.

Deputado por Viana do Castelo às Constituintes, foi Secretário de Estado do Emprego no VI Governo Provisório e da População e Emprego do I Governo Constitucional. Foi igualmente Vice-presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e, em 1983-84, Presidente da Assembleia da República.

Tito de Morais, hoje com mais de oitenta anos, felizmente com saúde, e com a admirável lucidez de sempre, é igual a si próprio, íntegro e determinado, actual e justamente reconhecido como o Presidente honorário do PS. A sua família e os militantes não só têm por ele o respeito que lhe é devido como também grande carinho. A sua vida é uma legenda que pode e deve ser conhecida pelos jovens, para que a sigam, se assim o entenderem. É bem necessário e oportuno.

 Assinatura Mário Soares

Fonte: Portugal Socialista 214 – Outubro de 1996



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Tito de Morais - 1974
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Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais

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